Angellus Domini Awards

ANGELLUS DOMINI’s AWARDS | Deus e Diabo na terra do Cinema (Parte II)

DEUS E O DIABO NA TERRA DO CINEMA (PARTE II)

Continuando minha análise sobre as representações das figuras máximas da cultura judaico-cristã no cinema, esta semana vamos analisar algumas das mais controversas representações de Deus no cinema.

Se os deuses das mitologias antigas, como Loki ou Thor por exemplo, são tratados como um personagem comum da ficção, o Deus principal das três maiores religiões monoteístas do mundo é tratado com reverencia na maioria das obras, a não ser quando o objetivo do filme é realmente chocar a sociedade (como uma das obras apresentadas abaixo):

TODO PODEROSO 1 e 2 (Bruce Almighty – 2003 / Evan Almighty – 2007)

 (Média dos dois filmes)

Morgan Freeman

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MORGAN FREEMAN

O ator chegou ao ponto de sua carreira de ser considerado uma unanimidade quando se pensa em alguém para dar a voz a Deus: seu jeito bondoso de “vovô”, sua voz calma e forte que transmite sabedoria e sua presença intimidadora e serena ao mesmo tempo pareceu ter sido a escolha óbvia para interpretar Deus, que mesmo em duas obras de comédia (a primeira ligeiramente supResultado de imagem para morgan freeman deuserior por contar com Jim Carrey no melhor momento de sua carreira) e não tão levadas a sério pela crítica, agradou ao público a ponto de ser considerado por muitos a interpretação definitiva de Deus. O filme é totalmente reverente com a figura de Deus, e a mensagem que transmite agrada em cheio aos religiosos.

DEUS É BRASILEIRO – 2003

ANTONIO FAGUNDES

Se em Hollywood o “Deus definitivo” é Morgan Freeman, em terras tupiniquins a escolha óbvia para o Todo Poderoso foi Antônio Fagundes. O eterno galã global, com seus cabelos brancos e anos  interpretando os mocinhos das telenovelas foi o responsável por protagonizar o filme onde Deus se cansa do trabalho e resolve tirar férias. Mas antes resolve buscar um substituto em terras brasileiras. Acompanhado de um borracheiro e uma prostituta, eles viajam pelo interior do Brasil atrás do candidato a Deus, um santo ateu (?!?). Uma visão interessante sobre o tema, que adapta a fenomenal obra “O santo que não acreditava em Deus”, de João Ubaldo Ribeiro.

O PRINCIPE DO EGITO (The Prince of Egypt – 1998)

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VAL KILMER

Quando a DreamWorks teve a intenção de fazer um remake em animação do épico dos épicos, “Os Dez Mandamentos”, os críticos surtaram. Daria certo mexer em uma das obras mais icônicas do cinema, do mestre Cecil B. de Mille e com os astro Charlton Heston? Bom a obra foi um incrível sucesso de público e critica (além de levar o Oscar de Melhor Canção Original). Mas os produtores tiveram uma crise criativa em como resolver um dilema: como representar Deus? Hans Zimmer deu a solução: e se Deus e Moisés tivessem a mesma voz, sobrepostas ainda com as vozes de quase todos os personagens hebreus. Foi dai que surge a voz que fala com o profeta hebreu através do arbusto em chamas: Val Kilmer empresta sua voz a ambos os personagens, e enquanto esta representado Deus, os demais dubladores o acompanham no fundo. Um efeito belíssimo.

EXODUS: DEUSES E REIS (Exodus: Gods and Kings – 2014)

ISAAC ANDREWS

Quando Ridley Scott quis dar realismo à sua própria narrativa da História de Moisés, ele já sabia que compraria uma boa briga, tanto com cristãos tradicionalistas quanto com judeus. E conseguiu desagradar a todos, e isto teve um grave reflexo na bilheteria. O filme não chegou a ser um fracasso retumbante, mas ficou longe de um sucesso. Embora a reconstrução histórica esteja com um nível incrível, reproduzindo com fidelidade o Egito de Ramsés, o público acostumado com obras religiosas ficou pouco à vontade em ver a narrativa bíblica ganhar contornos humanos. Mas é na representação de Deus que está o foco da maior polemica deste filme. O escolhido foi o ator britânico de 11 anos, e que faz da divindade máximas dos judeus um menino autoritário e as vezes cruel, que não aceita ser contrariado e impõe sua vontade. Impactante e provocativo.

DOGMA (Dogma – 1999)

ALANIS MORISSETTE

Deus em um filme de Kevin Smith é um convite para polêmica. A história parece ter uma placa dizendo “PROVOCAÇÃO”: Dois anjos caídos (Matt Damon e Ben Affleck)  encontram na doutrina católica uma brecha para voltarem ao céu, e com isso acabarem com a Onipotência de Deus. E para impedirem isso se unem a Metraton, a Voz de Deus (Allan “Snape”Rickman), a última descendente de Cristo e Chris Rock no papel de Rufus, o apóstolo tirado da Bíblia por ser negro. Se não estava provocativo o suficiente, temos a hilária participação da cantora Allanis Morrissete como Deus, dando cambalhotas, brincando no parque e usando sua voz para destruir cabeças. Por conta dessa obra, Smith chegou a sofrer duas ameaças de morte.

A CABANA (The Shack – 2017)

OCTAVIA SPENCER

Deus é mulher, e negra (A vencedora do Oscar Octavia Spencer). O Espírito Santo também é mulher, e pra ajudar um israelense (Avraham Aviv Alush) para interpretar Jesus. E mesmo assim o filme agradou milhões de cristãos que lotaram as salas de cinema, e saíram de lá com lágrimas nos olhos. O segredo por traz dessa façanha é ser baseado uma um best-seller de auto ajuda que já vendeu mais de 18 milhões de copias no mundo todo. O filme aborda a história de um homem que perde a fé em um momento de tragédia pessoal, e recebe a visita da Santíssima Trindade disfarçados em figuras humanas. Feito sobre medida para emocionar.

Sobre o autor

João Paulo Rocha

Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

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