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Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | The End of the F***ing World

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Quão rápido queremos rotular, e simplificar, alguém?

Classificar as coisas por características superficiais, visíveis apenas na camada que esconde a verdadeira face de cada um?

Dando continuidade a sua proposta de apresentar cada vez mais séries originais, a Netflix apresenta esta intrigante série inglesa, com uma estrutura bem interessante. São apenas 8 episódios,  pouco mais de 20 minutos cada.

A proposta da série já provoca o espectador a partir do título. Afinal, são poucos os que não olhariam torto para um série com um palavrão no nome.  E a parceira com o Chanel 4, aquele mesmo que nos presenteou com Black Mirror, já era sinal de que as coisas não seriam simples nessa história.

Resultado de imagem para the end of the f ** king worldAcompanhamos a tragédia de James, um auto-diagnosticado psicopata juvenil que após praticar auto-mutilações (e extermínios de pobres gatos da vizinhança) para sentir prazer, decide que chegou a hora de experimentar como é matar uma pessoa.

Ai que ele conhece a complicada Alyssa, e as coisas complicam pra valer em sua pacata vida. Ela é completamente oposta de James. Se ele é introvertido e racional (se masturba toda semana por razões médicas mesmo sem sentir prazer), ela é intensa, espontânea e explosiva.

Os dois começam a se relacionar, e inicialmente o que motiva James é armar a oportunidade ideal para matá-la.

Resultado de imagem para the end of the f ** king worldMas a série não seria tão interessante se ficasse apenas nessa camada. A medida que a relação de ambos vai se intensificando, as coisas começam a perder o controle, tanto dos acontecimentos quanto das emoções que vão surgindo. E é nesse momento que a estrutura narrativa da série tem papel fundamental, uma vez que a maior parte do tempo a história é narrada do ponto de vista de cada personagem, manifestando o que estão pensando a cada momento. No primeiro momento pode apenas parecer capricho narrativo da direção, mas a medida que a história avança, vemos que a narração dos pensamentos de cada um dos protagonistas é parte essencial para mergulharmos nesse mundo f**da que os dois estão trilhando, e que em momento algum foi uma escolha consciente deles. Os personagens que cruzam seu caminho, e principalmente os masculinos, possuem lados obscuros, mesquinhos e cruéis.

James e Alyssa podem ser vistos, a partir do terceiro episódio, como metades de um mesmo indivíduo, onde ele é a parte racional e lógica, e ela a parte emotiva e impulsiva, e nós espectadores, somos colocados como a parte dessa consciência, ao acompanharmos seu desenvolvimento e trágico e intenso desfecho (mesmo que com um final aberto).

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Uma série para dar uma chance e se preparar para um carrossel de emoções, onde vemos o aflorar do pior do ser humano que pode existir dentro de cada um de nós. Mas que também demonstra nossa fragilidade emocional em busca de nossa verdadeira natureza.

 

NOTA PARA A SÉRIE: 4 / 5

Emissora original: CHANEL 4 – UK (distribuída mundialmente pela Netflix)
Transmissão original: 2017
N.º de temporadas: 1
N.º de episódios: 8

DISPONÍVEL NA NETFLIX? SIM

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Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

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VALE A MARATONA? | Rita – 4º temporada

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Quando estreou na Netflix, Rita provocou um estranhamento saudável na audiência. Uma série da longínqua e estranha Dinamarca, mas que mostrava uma escola com problemas muito parecidos com o que enfrentamos no Brasil (com políticos corruptos e tudo!).

Imagem relacionadaMas o grande trunfo da série foi a protagonista Rita (Mille Dinesen), que consegue segurar as pontas de uma personagem que anda no limite para se tornar uma caricatura e criar antipatia no público, mas que a interpretação firme de Mille da credibilidade e carisma à personagem e consegue a emoção certa para conseguir terminar a terceira temporada com uma cena emocionante, que funcionaria perfeitamente como uma series finale. (leia nossa crítica sobre as 3 primeiras temporadas aqui)

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a jovem Rita e sua amiga Lea.

Mas a Netflix resolveu investir em uma quarta temporada, que mais parece um spin-off. Muda toda a ambientação, levando Rita – e a família excêntrica de sua companheira Hjørdis (Lise Baastrup) – de volta a sua cidadezinha natal.

Nesta temporada, a série segue um caminho narrativo completamente diferente, trabalhando com duas linhas temporais: 2017, onde se passa a história de Rita se aventurando como professora na escola onde fez o ensino médio, sendo forçada a enfrentar os fantasmas da adolescência tribulada, representados na forma de uma antiga colega com quem com compartilha um passado misterioso e não muito feliz; e 1985 (curiosamente a mesma época quem que se deserolam os eventos das séries Stranger Things e Dark), onde acompanhamos uma jovem Rita (Tessa Hoder) – absurdamente parecida fisicamente com Dinesen – em todos os eventos traumáticos que formaram o caráter e o comportamento da Rita adulta. Contar mais seria estragar a surpresa de descobrir toda a história.

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Resultado de imagem para Hjørdis e uffeAlém disso, ainda temos como alívio cômico Hjørdis e seu excêntrico marido Uffe (Kristoffer Fabricius ) e sua luta para se enquadrarem na sociedade mantendo seu estilo de vida.

Esta temporada pode destoar um pouco, por tomar um rumo um pouco diferente das demais, ainda mais porque do nada nos foi jogado novos personagens, outros foram simplesmente tirados de cena (os filhos de Rita fazem uma rapidíssima aparição no final da temporada). Mas ela tem sua importância para explicar quem realmente é Rita (a cena que esclarece o motivo dela sempre estar de camisa xadrez masculina é sutil e tocante) e um final que dá um direcionamento totalmente novo para a próxima temporada, mas que novamente dá uma conclusão emocionante para a desafortunada e intensa professora dinamarquesa.

NOTA : 4 / 5

Emissora original: Netflix
Primeiro episódio: 9 de fevereiro de 2012
Número De Temporadas: 4
Idioma: Língua dinamarquesa (é legal demais ver no original, mas tem dublado também!)
Número De Episódios: 32


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VALE A MARATONA? | Shadowhunters (Caçadores de Sombras)

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“Shadowhunters” é uma série de fantasia original da Netflix baseada na saga de livros “Os Instrumentos Mortais” da autora Cassandra Clare  leia mais sobre a saga aqui.

Diferente do livro, a principal personagem Crary (Katherine McNamara), não tem apenas 15 anos e sim 18 e em  seu decimo oitavo aniversário a garota ganha um presente estranho da mãe, que mais tarde ela descobrirá que é um tipo de instrumento que tatua runas de proteção no corpo. A noite ela sai para comemorar com seu melhor amigo Simon interpretado pelo ator Alberto Rosende. De repente a garota se esbarra com um rapaz alto de cabelos loiros e muito forte, ele se choca ao perceber que Clary pode vê-lo e o mais estranho é que só ela pode.

A curiosidade de Clary a leva até uma boate e lá dentro a ruiva assiste a uma cena de terror,  o assassinato de um demônio cometido por uma equipe de caçadores de sombras. Essa cena levará Clary a descobrir que ela também é uma caçadora e esse fato mudará sua vida por completo.

Não esperava que a série fosse me surpreender, pois gostei muito do filme, porém depois que assisti ao primeiro episódio na Netflix fiquei impressionada com os personagens tão bem caracterizados  de acordo com os livros. Para quem já terminou de ler a saga completa como eu, não esperem tanta fidelidade, apesar de manter os acontecimentos importantes, algumas coisas foram mudadas, o que não chega a chatear quem é fã. Muitos fatos, como a cronologia dos acontecimentos do primeiro livro até o ultimo foram trocadas.

Os atores no início não convenceram tanto, ainda assim deu pra perceber a evolução e a incorporação dos personagens no decorrer dos episódios, tanto que na segunda temporada, a série já se encontra realmente dentro do universo dos Instrumentos Mortais. Vale a pena ter paciência e maratona-la pois é uma série muito fascinante.

Clary Fray acabou de se inscrever na Academia de Artes do Brooklyn.Em seu aniversário de 18 anos, ela descobriu que faz parte de um mundo completamente diferente, o dos caçadores de sombras, humanos nascidos com sangue de anjo que protegem o mundo dos humanos do mundo dos demônios. Naquela noite, a mãe de Clary, Jocelyn, é sequestrada por um grupo de Caçadores de Sombras malvados chamado O Ciclo. O líder deles é o ex-marido de Jocelyn, Valentine Morgenstern.Com a mãe desaparecida, Clary se volta para Luke, uma pessoa em quem confia, apenas para ser aparentemente traída. Clary junta-se com um grupo de Caçadores de Sombras para salvar sua mãe e descobre poderes que ela nunca soube possuir. Clary é jogada no mundo da caça aos demônios com o misterioso, narcisista e atraente Jace, e também seu amigo leal e nerd, Simon. Agora, vivendo entre fadas, guerreiros, feiticeiros, vampiros e lobisomens, Clary começa uma jornada de auto-descoberta ao saber mais sobre seu passado e o que seu futuro pode aguentar.

Shadowhunters está disponível em duas temporadas completas na Netflix e a terceira já esta em produção, prevista para estreia  no catálogo do streaming em 3 de Abril.

Elenco principal:

Katherine McNamara

Dominic Sherwood

Alberto Rosende

Matthew Daddario

Emeraude Toubia

Harry Shum Jr.

Isaiah Mustafa

Alan Van Sprang

David Castro

Will Tudor

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VALE A MARATONA? | A 4ª Temporada de Black Mirror

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Black Mirror nunca teve pretensão de ser grande. Sua jornada foi encerrada após duas temporadas, com apenas 6 episódios regulares e um especial de Natal. Após tudo isso, parecia que ela seria mais uma das inúmeras séries que que iriam ser marcadas por um grande fracasso.

Mas ela tinha um algo a mais, e a Netflix viu o seu incrível potencial, e em 2015 encomendou mais uma leva de 12 episódios, divididos em duas temporadas: a 3º exibida em 2016 e a 4º que estreou na última semana de 2017.

Com uma estrutura não linear, com episódios independentes entre si, mas que compartilham o mesmo núcleo, os problemas que a tecnologia pode trazer para a humanidade.

A série foi inovadora por não ter medo de ser ousada e pessimista. Justamente ai que a quarta temporada recebeu inúmeras críticas negativas. A inovação e a coragem das primeiras temporadas parecem ter se esgotado e os temas começaram a se repetir.

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Não significa que os episódios em si sejam ruins. Longe, muito longe disso. Narrativa, roteiro, direção, tudo impecável. O grande problema desta temporada é a carga que ela tem que carregar, o peso que a série ganhou com sua compra pela Netflix, conquistando uma legião de fãs e bagunçando a cabeça por onde passa.

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Com 6 episódios bem diferentes entre si, a qualidade técnica e de roteiro se mantém alta, mas lá no fundo da cabeça fica a comparação  com as temporadas passadas. Sem dar spoilers, mas os conceitos apresentados em “Crocodille” e “Arkangel” já foram trabalhados em episódios superiores nas temporadas passadas, e a estrutura do roteiro de “Black Museum” é quase idêntica à “White Christmas”.

O grande trunfo dessa temporada é “USS Callister”, com suas cenas repetindo o visual clássico de Star Trek, mas que esconde uma história densa e trágica que muda nossa percepção sobre os limites entre a vida real e a artificial. Trazendo os pés na realidade, o episódio também nos faz encarar os danos do bullying e transformam alguém pacato e gentil em um verdadeiro monstro.

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Vale uma maratona? Não.

Mas calma, não é porque seja ruim, exatamente o contrário. É que a proposta da série não é ser vista apressadamente. É uma série para se degustar, ver com calma, refletir sobre o futuro. Não existe uma ordem para se ver os episódios. Você pode ver um episódio de qualquer temporada (caso exista alguém que ainda não viu) e na nova temporada, ver os episódios que mais lhe chamarem a atenção primeiro.

Não vale uma maratona, mas precisa ser vista!

Nota para a 4ª Temporada: 4 / 5

Emissora original: Channel 4 / Netflix
Transmissão original: 4 de dezembro de 2011
N.º de temporadas: 4
N.º de episódios: 19 (Quarta temporada – 6)

DISPONÍVEL NA NETFLIX? SIM

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