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Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | The End of the F***ing World

João Paulo Rocha

Publicado

em

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Quão rápido queremos rotular, e simplificar, alguém?

Classificar as coisas por características superficiais, visíveis apenas na camada que esconde a verdadeira face de cada um?

Dando continuidade a sua proposta de apresentar cada vez mais séries originais, a Netflix apresenta esta intrigante série inglesa, com uma estrutura bem interessante. São apenas 8 episódios,  pouco mais de 20 minutos cada.

A proposta da série já provoca o espectador a partir do título. Afinal, são poucos os que não olhariam torto para um série com um palavrão no nome.  E a parceira com o Chanel 4, aquele mesmo que nos presenteou com Black Mirror, já era sinal de que as coisas não seriam simples nessa história.

Resultado de imagem para the end of the f ** king worldAcompanhamos a tragédia de James, um auto-diagnosticado psicopata juvenil que após praticar auto-mutilações (e extermínios de pobres gatos da vizinhança) para sentir prazer, decide que chegou a hora de experimentar como é matar uma pessoa.

Ai que ele conhece a complicada Alyssa, e as coisas complicam pra valer em sua pacata vida. Ela é completamente oposta de James. Se ele é introvertido e racional (se masturba toda semana por razões médicas mesmo sem sentir prazer), ela é intensa, espontânea e explosiva.

Os dois começam a se relacionar, e inicialmente o que motiva James é armar a oportunidade ideal para matá-la.

Resultado de imagem para the end of the f ** king worldMas a série não seria tão interessante se ficasse apenas nessa camada. A medida que a relação de ambos vai se intensificando, as coisas começam a perder o controle, tanto dos acontecimentos quanto das emoções que vão surgindo. E é nesse momento que a estrutura narrativa da série tem papel fundamental, uma vez que a maior parte do tempo a história é narrada do ponto de vista de cada personagem, manifestando o que estão pensando a cada momento. No primeiro momento pode apenas parecer capricho narrativo da direção, mas a medida que a história avança, vemos que a narração dos pensamentos de cada um dos protagonistas é parte essencial para mergulharmos nesse mundo f**da que os dois estão trilhando, e que em momento algum foi uma escolha consciente deles. Os personagens que cruzam seu caminho, e principalmente os masculinos, possuem lados obscuros, mesquinhos e cruéis.

James e Alyssa podem ser vistos, a partir do terceiro episódio, como metades de um mesmo indivíduo, onde ele é a parte racional e lógica, e ela a parte emotiva e impulsiva, e nós espectadores, somos colocados como a parte dessa consciência, ao acompanharmos seu desenvolvimento e trágico e intenso desfecho (mesmo que com um final aberto).

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Uma série para dar uma chance e se preparar para um carrossel de emoções, onde vemos o aflorar do pior do ser humano que pode existir dentro de cada um de nós. Mas que também demonstra nossa fragilidade emocional em busca de nossa verdadeira natureza.

 

NOTA PARA A SÉRIE: 4 / 5

Emissora original: CHANEL 4 – UK (distribuída mundialmente pela Netflix)
Transmissão original: 2017
N.º de temporadas: 1
N.º de episódios: 8

DISPONÍVEL NA NETFLIX? SIM

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Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | Club de Cuervos, que tal juntar as duas paixões, futebol e série?

Jr Costa

Publicado

em

Estamos no País do futebol, que tal uma série explorando os bastidores de um clube? 

É uma das propostas de Club de Cuervos, série mexicana da Netflix que estreou em 2015, retratando o por trás das cortinas de um problemático clube de futebol e já está na sua terceira temporada.

O clube é o mediano Cuervos de Nuevo Toledo F.C, que encontra no apoio local de sua torcida e na sagacidade do seu presidente Salvador Iglesias as suas maiores forças. Ele que é considerado um herói local pelo fato de ter diversos investimentos pela cidade e pelo feito da compra do clube e de levá-lo a primeira divisão em apenas 3 anos.

Mas o amado presidente morre após uma parada cardíaca e o clube cai nas mãos de seus dois filhos, o irresponsável Salvador “Chava” Iglesias Júnior (bem interpretado por Luis Gerardo Méndez) e a metódica e rígida Isabel Iglesias (Mariana Treviño). Daí inicia-se uma disputa acirrada sem regras ou ética pela cadeira presidencial.

Os mexicanos são famosos por suas novelas e dramalhões, mas suas comédias dramáticas tem ganhado cada vez mais notoriedade e a Netflix enxergou bem isso e tem investido em várias produções em seu catálogo, e aqui acerta em cheio. A escalação do elenco é muito boa, as reviravoltas, o timing cômico, as propostas dramáticas, é tudo bem afinado.

Outro ponto positivo é que a série não fica refém dos acontecimentos em relação ao clube, há vários temas e personagens interessantes que rendem bem e a forma como tudo e todos são distribuídos é show de bola! É atrativo também que no inicio de cada episódio, uma frase do meio futebolístico é colocada e a sua abertura é contagiante e transmite a sensação de um pré-jogo, sensacional!

A segunda temporada mantém o ritmo da ótima primeira temporada, e se na primeira temporada Chava brilha mais, na segunda Isabel é a estrela maior. Mariana Treviño dá um show em seu papel, ela nos cativa e conquista, e ficamos apreensivos com seus tantos dramas e desafios. Ela enfrenta e derruba vários tabus enquanto ainda vive a rixa com Chava seu irmão.

A terceira temporada é corajosa, se arrisca mais na parte política, abre mão de alguns personagens e se mantém interessante, mas não tão brilhante como as duas anteriores. Uma inovação que nos é apresentada aqui são os flashbacks sobre Salvador Iglesias, que desenterra alguma fantasmas do passado e nos mostra como foi sua escalada de sucesso.

Club de Cuervos é uma série ágil, de diálogos afiados, boas reviravoltas, divertida e com um elenco no ponto exato e ainda por cima com a temática futebol, Vale a Maratona?

Claro, agora é só aproveitar a dica e correr pro abraço, digo, para a Maratona.

Nota para a série: 4.5 / 5 

BORUTO: NARUTO NEXT GENERATIONS | Reveladas prévia e spoilers do episódio 47

 

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Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | The Good Place

Jr Costa

Publicado

em

 

The Good Place, a série da Netflix que chegou ao fim da sua segunda temporada é um mar de criatividade. Impressiona como a complexidade do “bom lugar” pode ser divertida, numa trama que vai ficando cada vez mais espremida, e as saídas são sempre algo que não se espera. É uma série que sai do lugar comum e até agora não se acomodou, pelo contrário, arrisca-se e reinventa-se o tempo todo.

Criada por Michael Schur (The Office, Parks And Recreation) a série tem a ótima Kristen Bell (Veronica Mars), no papel de Eleanor Shellstrop, que após morrer de maneira estranha e até vergonhosa, é recepcionada por Michael (Ted Danson), o líder e arquiteto do “Bom Lugar”.

Muito elogiada pela sua honrada vida na Terra, e feitos humanitários, Eleanor é recebida com bastante alegria, mas…bem, as coisas não são o que parecem, aliás nada é o que parece e explicar mais que isso é risco de Spoiler.

A série brinca com Paraíso e Inferno, com a questão das boas e más ações e suas consequências vindouras, e com muita criatividade sem cair em momento algum na mesmice. O fato de cada temporada ser curta e dos episódios serem de apenas 22 minutos em média, deixa tudo rápido e ágil, mas sem afobação.

Ted Danson está divertidíssimo, as cenas com ele sempre rendem bem, ele nos cativa. Tanto que Danson faturou o Critics’ Choice Awards 2018 na categoria de Melhor Ator em Série de Comédia, prêmio merecidíssimo.

Mas tão interessante quanto ele é Janet (D’Arcy Carden), uma espécie de inteligência artificial possuidora de todo o conhecimento da terra com poderes quase ilimitados e onipresença e que é a assistente de Michael, é uma das melhores coisas da série. Sua interpretação vai evoluindo e ela aos poucos vai ganhando mais espaço e atenção à ponto de muitas vezes roubar a cena.

Aliás esse é o ponto forte da série, a evolução de seus personagens somado com a criatividade da história que também evolui e surpreende o tempo todo, principalmente no fim da primeira temporada. Competentemente os episódios nos prendem ao próximo e quase automaticamente maratonamos a série.

The Good Place é inovadora, criativa e divertida, tem um elenco afinado que se desenvolve bem numa trama inteligente. As duas temporadas da série estão disponíveis na Netflix, e a terceira já foi encomendada e contará com 13 episódios.

E sim, Vale a Maratona.

Nota para a série: 5 / 5 

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VALE A MARATONA? | River

João Paulo Rocha

Publicado

em

Se existe uma categoria de séries que podemos dizer que a TV nunca se cansa são as séries de investigação. Mas como se sobressair em uma categoria no limite da saturação?

A minissérie britânica River tem como diferencial brincar com uma questão interessante: o detetive John River (o excelente ator sueco Stellan Skarsgård) realmente vê e fala com os mortos ou tudo é fruto de sua mente perturbada?

 Ao longo dos 6 episódios, acompanhamos River em sua investigação para solucionar o assassinato de sua parceira Stevie (Nicola Walker), assassinada com um tiro na cabeça, onde a única pista disponível é um vídeo do crime e o carro utilizado pelo assassino. River encara uma cruzada pessoal em busca do suspeito, e ao longo de sua investigação vai mergulhando em um mundo de corrupção e intimidação, e revelando segredos que talvez ele seria mais feliz em não saber.

Se não bastasse seus problemas no trabalho, sua vida está uma completa bagunça, e ele tenta salvar seu casamento falido com terapia de casal, ao mesmo tempo em que se entrega em uma relação sadomasoquista com sua amante de longa data.

Durante a investigação, o detetive é atormentado pelos fantasmas (ou alucinações) da própria Stevie e de pessoas que morrem durante o processo. A série nunca deixa claro o que são estas visões, o que cria uma ambiguidade interessante no personagem, nos fazendo duvidar de sua sanidade, ao mesmo tempo que criamos empatia com ele por seu sofrimento (claro que ajuda e muito a atuação competente de Skarsgård).

A solução do conflito é inesperada e surpreendente, mas muito bem amarrada e construída, condizente com toda a trama desenvolvida ao longo da série, e o final absurdamente satisfatório e que encerra em alto estilo uma série com uma proposta simples e um resultado incrível.

 Nota para a 4ª Temporada: 4,5/ 5

 

Emissora original:  BBC One

Transmissão original: 13 de outubro de 2015

N.º de temporadas: 1

N.º de episódios: 6

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