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GIRLS | A voz de uma geração! (Crítica do Viajante!)

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“Acho que posso ser a voz da minha geração. Ou pelo menos a voz de uma geração”, declarava Lena Dunham na pele de Hannah, na estreia da série de televisão Girls, em abril de 2012. Aquele que poderia ser apenas o grito de independência de uma personagem com as suas circunstâncias, era também uma proposta ousada para romper com o olhar romantizado sobre o mundo feminino na televisão norte-americana, além de um convite especial para ver garotas reais em todas as suas dimensões.

O desafio foi também de mostrar que as batalhas de todas as mulheres deveriam ser igualmente validadas e celebradas, independentemente dos padrões de beleza popularizados pela mídia, a polêmica série teve seus erros e acertos, mas a produção cobriu com êxito uma lacuna que faltava na ficção norte-americana.

Mesmo não sendo tão popular e tendo uma opinião mista da crítica, Girls teve um papel arrojado e sincero de jovens mulheres com vulnerabilidades e imperfeições autênticas. A série é bem pautada no realismo e tira partido da honestidade das suas personagens para produzir uma comédia sólida e momentos dramáticos genuínos e emocionantes, o visionamento da série também brinca com as personagens, que são imperfeitas e estão hiperconscientes das suas imperfeições, as histórias acabam se prestando nos ângulos da sua autoanálise, de tal forma que não há um papel real para o espectador.

O seu tom acaba se alinhando mais com uma comédia dramática e explora coisas diferentes de Gossip Girl, que falava de adolescentes que cresciam em Manhattan e da icônica Sex and the City, que era sobre mulheres que se preocupavam com o trabalho e os amigos, e elas queriam construir uma família em uma grande cidade. Nenhuma dessas produções famosas foram capazes de abrir o caminho a uma discussão acesa, incômoda e controversa, que viria a fazer de Girls um grande movimento, pois havia todo um espaço entre as duas (realidades) que ainda não tinham sido explorados até agora.

Após a conclusão das seis temporadas da história de quatro amigas, Girls dá voz a uma geração diferente, com relações, empregos e preocupações que foram mostradas em raras ocasiões por jovens mulheres que pareciam pessoas reais (apesar de irritantes). Podemos dizer que todas as temporadas de Girls foram marcadas também por “mulheres complexas cujas problemáticas não eram criadas para fazê-las parecerem adoráveis”.

O despudor com que Girls tratou a sexualidade da mulher é outro grande legado que a produção irá carregar na lembrança. A série não tornou o sexo fácil de ver, porque não é fácil para as mulheres descobrirem-se como seres sexuais, terem autonomia e influência para determinar como querem exercer o seu feminismo e a sua sexualidade. Em contraste com a imagem clean e sensual que Hollywood tanto prezava, em Girls havia as barrigas com dobras, pernas com celulite, efeitos hormonais da menstruação e personagens caprichosas e privilegiadas.

A série pode ter falhado na falta de diversidade, ao focar na história de quatro amigas brancas, uma realidade que foi criticada por não refletir a demografia dos bairros de Nova Iorque. Apesar disso, o debate ímpar que causou — sobretudo na Internet — transformou a dinâmica de Girls como uma discussão moderna que passou a fazer com que série ganhasse a voz de uma geração que ficaria fadada de dentro para fora.

Com o passar dos anos na série, Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna nos ensinaram como a nossa vida é tão controlada sem a gente perceber. No penúltimo episódio, vimos Hannah deixando Nova Iorque para tomar as rédeas da sua vida como uma futura mãe solteira e professora universitária. Seria ingênuo esperar um típico final feliz de uma série que sempre glorificou o caos. Afinal, a vulnerabilidade e a insegurança são uma verdade indissociável do crescimento.

Entretanto, o que mais surpreendeu a todos foi o último episódio de Girls. Vazio, estranho, não tão impactante? Ele pode ter sido tudo isso, mais na cena final, percebemos que a personagem principal Hannah finalmente caiu na real e resolveu aceitar aquilo que ela lutou a série toda, viver uma vida séria e encarar a realidade de uma vida dura.

Mesmo com o seu fim, é legal entender que não existe esse lance de maturidade. Somos apenas pessoas tentando dar o nosso melhor, que estamos fadados a cometer erros e tudo bem cometê-los. Girls nos fez rir de situações corriqueiras, desagradáveis e constrangedoras. O roteiro de Lena Dunham nos transmitiu com muita seriedade que todos nós somos esquisitos, únicos, complexos e, às vezes, egoístas por procurarmos a felicidade a qualquer custo.

Mesmo sendo um longo tempo de produção, temos a sensação de que a criação da série foi algo muito bom. Girls é a mistura perfeita de diversão, inteligência e crueldade que todos nós lutamos e necessitamos ter apoio para encarar na vida. Obrigado Lena Dunham por trazer um olhar decente e moderno da vida atual das jovens mulheres na nossa sociedade. Aliás, jovens mulheres não, garotas!

E um agradecimento especial e torcer por uma carreira de sucesso para as atrizes Zosia Mamet, Allison Williams, Jemima Kirke que completaram o quarteto dessas complicadas garotas.

Obrigado também aos meninos envolvidos por encararem essas meninas e transmitirem também o ponto de vista masculino, Adam Driver, Alex Karpovsky, Andrew Rannells foram brilhantes.

Por fim, Judd Apatow prova que é um grande produtor de séries modernas, o seu currículo é vasto em produzir comédias leves com uma pegada de realismo e paixão. Girls é finalizada com um sonho de que futuramente podemos ter um filme que irá mostrar a possível evolução do quarteto? Quem sabe, Lena Dunham já deu indícios de que pensa nisso e ver esse futuro seria fantástico para os fãs terem a visão de uma conclusão mais satisfatória para está ótima série da HBO que ficará marcada pela sua autenticidade.

NOTA:

Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Apresentador do Teekcast e futuro youtuber, gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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GOTHAM | Um deleite para os fãs do Morcegão! Crítica da 4° temporada (sem spoilers)

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(Foto – Gotham ©/ Fox Channel ©/ Warner Bros. Pictures ©/ DC Comics ©)

A série está sensacional, com um nível na qualidade de produção exuberante. O show não poupa esforços para adaptar de forma magistral todo o vasto e rico conteúdo das HQs do universo do Homem-Morcego. Cada detalhe, cada referência das histórias do Morcegão é jorrada na nossa cara sem pudores, onde temos também as belíssimas atuações de Cameron Monaghan como o nosso Coringa, David Mazouz fazendo o nosso jovem Bruce Wayne e também a rica competência de Ben Mckenzie como o nosso Jim Gordon.

Ao passar das temporadas a série foi evoluindo, confesso que eu adorava bastante a primeira e a segunda temporada que ia em um modo mais detetivesco com um lado bem sombrio. Eu sei que muitos não gostaram da proposta inicial por ter pouca coisa do Universo do Batman e também pelos excessos e exageros ao desenvolverem bem alguns vilões do Cruzado Encapuzado.

Com o tempo a série foi acertando isso e melhorou gradativamente ao chegarmos nesse grande ápice, “Terra de Ninguém”. Uma das adaptações mais famosas do universo do Morcegão, o episódio final da 4ª temporada foi deslumbrante, na verdade toda a temporada foi incrível. Tivemos desde “O Longo Dia das Bruxas”, “Batman: Ano Um” e outras histórias famosas do Batman que serviram como plano de fundo neste magnifico show na TV, que sobrou até tempo para fazer homenagem para a icônica HQ “Piada Mortal”, palmas para o showrunner Bruno Heller pela extrema capacidade e coerência de transmitir tudo com os mínimos detalhes.

Os episódios desta temporada tiveram um toque especial de quero mais, quero mais. Com 22 episódios nesta 4º ano, pareceu que estávamos vendo uma série curta pelo tamanho envolvimento que a história nos passava. Uma pena que o show está acabando e irá entrar na sua 5ª temporada, que será finalizada com 13 episódios no canal Fox nos EUA.

A dúvida que fica no ar é, será que finalmente teremos o Batman na quinta e última temporada da série? Por conta da burocracia ele será chamado mesmo de o “Cavaleiro das Trevas”, outra dúvida pertinente é se veremos David Mazouz ou outro ator neste icônico papel. Obviamente o jovem ator merece sim participar deste último ano do show, ele está sendo ótimo e seria incrível ver o jovem ator encerrando o papel com a chave de ouro nesta incrível série chamada Gotham. Parabéns pela série DC e obrigado a toda a equipe de produção por uma temporada fenomenal, torço para uma season finale honrosa e digna ao manto do nosso amado Cruzado Embuçado.

Nota para a 4ª temporada: 5 / 5

 

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DEADPOOL 2 | Crítica em vídeo com Aline Giugni & Don Giovanni – Bônus (Warner vs Ryan Reynolds)

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No aguardado programa de hoje, nossos intrépidos desbravadores da aventura (Aline Giugni & Don Giovanni) falam sobre a continuação do filme do mercenário mais amado do planeta e de quebra, ainda comentam a troca de alfinetadas entre a Warner e o ator Ryan Reynolds…imperdível.

Confira o vídeo abaixo ou clique aqui.

 

Confira nossa crítica por escrito e a matéria com o entrevero entre Reynolds e a Warner:

DEADPOOL 2 | Crítica do Don Giovanni

 

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WESTWORLD | Vida eterna – Episódio #04: The Riddle of the Sphinx – Crítica do Viajante

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E o 4º episódio da segunda temporada de Westworld exibido pela HBO no último domingo deixou um pouco de lado as duas líderes anfitriãs revolucionárias Dolores (Evan Rachel Wood) e Maeve (Thandie Newton) para focar um pouco em Willian, o Homem de Preto, que é interpretado por dois atores, Jimmi Simpson (quando jovem) e Ed Harris (idoso) e que não havia aparecido no episódio anterior.

Já havia sido mostrado antes, que em dado momento após a saída de Willian de sua primeira aventura no parque, seu inescrupuloso sogro adoecera e estava bastante debilitado. Agora ficamos sabendo que o velho James Delos (Peter Mullan) usou sua fortuna para tentar se tornar imortal. A ideia era transferir sua mente para um modelo de anfitrião (andróides do parque que dão nome ao seriado). Diversos testes são mostrados, sempre capitaneados pelo jovem Willian que aparentemente assumiu as empresas após o falecimento não só do velho Delos mas também de seu filho Logan (Ben Barnes) que morreu de overdose conforme é citado pelo próprio Willian. 

Os testes nunca trazem um resultado positivo sendo que a mente de Delos sempre se deteriora. Após 149 tentativas, sendo que na última Willian já está velho e já é interpretado por Harris, o mesmo desiste de tudo. O interessante é notar o sofrimento em looping do velho Delos que sempre repete as mesmas coisas e está sempre ansioso por voltar ao mundo. Mas o que fica mais claro nesse arco, é que desde o começo a intenção da Delos é realmente criar uma maneira de tornar humanos imortais tecnológicamente. É o sonho real de se “upar” a mente em determinada tecnologia quando o corpo humano não pode mais suportá-la. Assumidamente ou não, essa é uma questão em voga nos meios científicos de nossa sociedade atual.

Voltando ao presente dentro da série, também pudemos entender um pouco mais a maneira como o velho Willian que se encontra dentro de Westworld pensa e age. Sua vida foi uma sucessão de tragédias que culminaram com o suicídio de sua esposa. Sua frieza e aparente desprezo por tudo que o cerca a não ser sua jornada para o Glory é de certa forma melhor compreendida. Porém ele não é absolutamente desprovido de emoções. Willian trai sem pensar duas vezes aquele que vinha lhe dando suporte em sua viagem, Lawrence (Clifton Collins JR), tentando se libertar de um bando de anfitriões violentos comandados pelo psicopata conhecido como Major Craddock  (Jonathan Tucker) que acaba sequestrando a vila inteira de Las Mudas.

Após a traição, Willian parece confraternizar com Craddock, mas no momento certo acaba com ele e salva Lawrence. Não ficou claro se esse era o plano desde o início. O que se percebe nitidamente é que Willian se sente muito incomodado com o sofrimento de Lawrence e de sua mulher e filha diante do sadismo de Craddock, mesmo sabendo que os três não passam de máquinas. 

Na outra trama também enfocada nesse episódio, temos o retorno de Elsie Hughes (Shannon Woodward) que havia sido dada como morta na primeira temporada. Bernard Lowe (Jeffrey Wright) a encontra acorrentada no meio do deserto e a liberta. Momentos depois, fragmentos de memória em seu cérebro cibernético fazem com que descubra ali nos arredores um laboratório camuflado denominado Setor 22.

Dentro do complexo Elsie salva a mente de Bernard que estava se deteriorando rapidamente por falta de “fluído cerebral” que ela lhe introduz. Porém, ele continua confuso, com a mente divagando e tendo flashs de memória que não conseguimos concluir se são dele mesmo ou se possivelmente da mente de Arnold, o sócio de Robert Ford (Anthony Hopkins) que talvez tenha sido introduzida em um anfitrião como tentado com Jim Delos. É possível que o tal do “fluído cerebral” seja algum tipo de substância desenvolvida após os testes fracassados para evitar a deterioração e que tenha sido utilizada na mente de Arnold. 

E no gancho final, temos o encontro de Grace (Katja Herbers) e Willian (o velho) e ficamos sabendo que ela é na verdade Emily, sua filha. Grace, para quem não lembra, é aquela moça que sai do parque The Raj no episódio anterior e foi parar em Westworld após ser ataca por um tigre-andróide. Como eu havia previsto, ela terá sim grande importância na temporada.

Classificação para a série se mantém:

4,5/5

Links para as críticas dos episódios anteriores:

 

Westworld S02E01

Westworld S02E02

Westworld  S02E03

 

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