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TRIP LISTAS | Séries que perderam o momento de parar!

Séries que perderam a chance de parar no auge!

 

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“Fala em terceira temporada de novo pra você ver o que acontece!”
Quando estreou Roma, uma das séries mais caras já feitas em sua época, a HBO resistiu à tentação de esticar o produto até a exaustão. Com apenas 2 temporadas, a série terminou no auge, redonda, com uma história bem contada e aquele gosto de quero mais que está em nossas cabeças (de fã) até hoje, mesmo depois de quase 10 anos.
 
Infelizmente, poucas séries sabem quando é esse tempo mágico de se terminar a história. Muitos estúdios tentam esgotar até a última possibilidade de tirar uns trocados dos fãs, mesmo que se sacrifique a história e a memória que se guardará da série.
 
SKINS
Quantas temporadas teve – 7
Quantas deveria ter – 2
 

Skins é, resumidamente, uma “Malhação” do mundo real (e cru) britânico. Como a novelinha matutina na Platinada, acompanha um grupo de adolescentes em suas descobertas de vida. Mas as semelhanças param aí. Os problemas dos protagonistas são barra pesadas, mostrados com as piores e menos felizes possíveis soluções para os dramas da vida adolescente. As duas primeiras temporadas ainda contaram com o carisma de atores como Nicholas Hoult (O Fera), Dev Patel (Quem Quer Ser um Milionário), Joe Dempsie e Hannah Myray (Game of Thrones).

Com o final fechado da segunda temporada, tivemos um encerramento brilhante com o arco dos personagens, todo o elenco original foi trocado, e as demais temporadas foram apenas uma repetição, sem o brilho original, das duas primeiras. Mais ou menos como Malhação!

SUPERNATURAL
 
Quantas Temporadas – ∞ (na verdade, 13 até agora…)
Quando poderia ter terminado – (2ª Temporada ou na 3ª)
Quando deveria ter terminado mesmo – (na 5ª temporada)
  

A série que, em seu princípio tem a estrutura de “monstro da semana”, sempre teve uma certa continuidade no eixo principal da história: Encontrar John Winchester e matar o demônio de olhos amarelos. As duas primeiras temporadas são focadas nesse princípio, e toda trama converge para o momento em que Dean dispara  a bala da Colt no peito de Azazel. John Winchester foge do inferno, Sam está vivo e Dean tem 1 ano de prazo. Um final melancólico, mas um belo final. A terceira temporada, que ainda tem ligação com a trama principal da primeira, é a luta para livrar Dean do pacto, e que termina com a cena terrível de Dean sendo punido. Novamente, um final terrível, mas mesmo assim, belo.

Como ainda não quiseram secar a fonte, temos a quarta e a quinta temporadas, onde são inseridos os anjos, Lúcifer e Miguel, e o fim do mundo. Pronto! Os Winchesters param o próprio APOCALIPSE! (vamos obliterar o fato de somente os Estados Unidos, e nas menores cidades ainda, serem o palco da Batalha Final): Sam no inferno Dean começando uma nova vida, Castiel retornando para o Céu. Novamente, um final memorável, que nos deixaria com um gosto de quero mais, mas realizados por vermos a conclusão de uma saga que até ali cumpriu o seu propósito.
 
Mas… o “quero mais grana” dos produtores não deixam os irmãos em paz! As temporadas que se seguem são completamente descartáveis, e em momento algum temos a tensão da possibilidade de morte “real” de algum dos protagonistas. O roteiro se perde em histórias confusas, bobas e irrelevantes! E não temos nem uma data provável do fim.
 
DEXTER
 
Quantas temporadas: 8
Quando poderia ter terminado: 2
Quando deveria ter terminado: 4
 

As duas primeiras temporadas são matadoras. As interações de Dexter e o sargento Doakes estão postas desde o primeiro episódio, e toda a história gira em um grau menor na primeira e de forma extrema na segunda, em torno desta relação. Dexter e Doakes são mais próximos do que pensam, e em torno desta oposição a história cresce, mais ainda que os “casos da semana” ou mesmo o ITK. O momento em que os dois se enfrentam nos episódios finais da segunda temporada são tensos e impactantes ao extremo. Terminar a série na segunda temporada, com Doakes morto e La Guerta tentando resgatar sua memória seria perfeito.

 
Veio a terceira, e modorrenta, temporada, completamente descartável, e então a melhor de todas, a quarta, com finalmente um vilão realmente à altura de Dexter. Os embates entre o “Mão esquerda de Deus” e o Trinity Killer causou a tensão necessária, e fez Dexter encarar seus fantasmas e medos. O final desta seria o perfeito para a série, recriando para Harrison o cenário gerador de Dexter. O ciclo se fecha, e a série poderia ter um desfecho aberto e com um impacto à altura.
 
A partir da quinta temporada, a série pegou o piloto automático, com vilões fracos, motivações forçadas e histórias irrelevantes. Histórias praticamente recriadas, personagens mal utilizados e descartados. E ainda com um final deprimente, e não no bom sentido!
 
CHAVES
 
Quantas temporadas: 7
Quando poderia ter terminado: Viagem à Acapulco
 
Pode ser um heresia, quase um crime, falar mal de Chaves. A série está enraizada na cultura brasileira por ser exibida em looping pelo SBT há mais de 30 anos. Mas mesmo sendo uma série não linear e atemporal, a história com o passar dos anos teve uma fase de decadência, com a saída de dois dos personagens mais importantes (Sr. Madruga e Quico), e a introdução de personagens não tão cativantes como Dona Neves, Jaiminho, sem contar o intragável Godines. A mudança de espaços, saindo da familiar Vila, e indo para o Restaurante de Dona Florinda ou a Escola do Professor Girafales, acabam tirando um pouco do brilho da atração.
 
O episódio (de 3 partes) da Viagem à Acapulco é o último onde estão todos os originais reunidos, e ao terminarem com a canção “Boa noite, vizinhança”, dá um tom de adeus que conferiria à série um final à altura de sua importância.
 
BEING HUMAN
 
Quantas temporadas – 5
Quando Devia ter terminado: 3
 
Uma fantasma, um lobisomem e um vampiro dividem um apartamento… parece uma piada, mas é uma interessante série britânica, que misturando muito humor e terror (com uma das melhores transformações de lobisomem já vista desde Um lobisomem americano em Londres). As relações entre eles e o mundo real, os dramas internos do lobisomem George, as incertezas de Annie sobre sua morte e a culpa de Mitchel sobre seu passado sustentam com louvor a graça dessa série. Um conceito belíssimo apresentado na série é o da porta que aparece para levar os mortos para a outra vida, tratado com uma raramente vista seriedade e leveza.
 
O final da terceira temporada, com o sacrifício de George ao matar Mitchel foi singelo e coerente com toda a história. Uma conclusão bela, que reforçou a relação de amizade deste três seres e aproximando-os de sua humanidade perdida, e reforçando o princípio da série estabelecido com o título. Os protagonistas, através de sua relação de amizade, finalmente se tornam humanos novamente.
 
Quando inicia-se a quarta temporada, a inclusão de novos personagens e a saída de George funcionam como a estaca no coração da série. A série se perde em sua essência e a história batida da criança escolhida fica clichê demais. Um pena.
 
HEROES
 
Quantas temporadas: 4 (5 considerando Heroes Reborn)
 
Quando DEVERIA ter terminando: No penúltimo episódio da
primeira
Resultado de imagem para heroesHeroes começou derrubando a porta das adaptações de super-heróis na TV. Com uma proposta de colocar pessoas com poderes especiais no mundo real, a série chamou a atenção justamente pela seriedade com que tratou o tema nos primeiros episódios. Os personagens carismáticos e críveis funcionam bem demais, a descobertas dos poderes são se forma orgânica na história e coerente com a mitologia da série. Alguns poderes são abordados de uma forma corajosa, como o vidente que tem seus poderes ativados com heroína e a líder de torcida que tenta de toda maneira se matar. O vilão impõe medo pelo bizarro hábito de (aparentemente) comer o cérebro dos demais “especiais” para absorver seus poderes.
A coisa começa a se perder com o final da primeira temporada e a falta de coragem dos produtores em realmente dar seguimento à história apresentada no episódio 20 (Five Years ago) um dos mais sombrios (e melhores) da série. Aquele futuro, e como a história chegou até ele, que tanto empolgou os fãs foi completamente ignorado pelos produtores. O final da primeira temporada acabou com a mitologia que foi estabelecida, de que o futuro não pode ser alterado e que tudo converge para que ele aconteça.
 
A partir daí, a série perde as estribeiras e se torna uma caricatura mal feita de si mesmo. A terceira e quarta temporada somente serviram para terminar de carregar a série para a cova, e a nova parte, Heroes Reborn, foi a pá de terra sobre uma série que começou grandiosa e terminou vergonhosa.

Sobre o autor

João Paulo Rocha

Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

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