Netflix com Obelix

NETFLIX COM OBELIX | Os Bons Companheiros (Goodfellas)

Salve, salve tripulantes!! Que Martin Scorcese é um dos melhores diretores de cinema de todos os tempos, isso é fato inegável. Afinal, só Scorcese consegue a proeza de fazer um péssimo ator como Ray Liotta brilhar em seu papel de maneira como nunca antes e de maneira como nunca mais ocorreria em sua débil carreira.

“Os Bons Companheiros” (1990) se inicia com a chocante cena do assassinato de um homem, dentro de um porta-malas pelos personagens Jimmy Conway (Robert De Niro) e Tommy De Vitto (Joe Pesci) enquanto o personagem de Liotta, Henry Hill, observa. Em seguida o longa corta para o ano de 1955…

Martin Scorcese

“Desde que eu me lembro, eu sempre quis ser um gangster” – Essa frase é dita em seguida, por um Henry Hill narrador, enquanto na tela se desenrola a história da trajetória do mesmo desde os 13 anos (nessa fase o personagem é interpretado por Christopher Serrone) no bairro do Brooklyn de Nova Yorque, até que se torne verdadeiramente um respeitável membro da máfia local nos anos 70, chegando até a cena de início e todas as consequências posteriores, tudo isso de forma cativante por 145 minutos sem deixar o espectador entediado em nenhum deles.

Apesar de atuar bem como nunca antes (ou depois), os méritos do filme não cabem só a Ray Liotta. A dupla De Niro- Pesci mostra mais uma vez que em se tratando de gangsters, os dois são sem dúvida nenhuma os melhores, só se superando quando Al Pacino se junta a eles. Provavelmente, se Pacino fosse mais novo na época da produção do longa, teria assumido o papel de Liotta. 

Lorraine Bracco

A atriz Lorraine Bracco, no papel de Karen Hill, a esposa de Henry, também atua de forma espetacular, tendo sido indicada por esse filme ao Oscar de melhor atriz coadjuvante e tendo sido derrotada por Whoppi Golpberg por seu papel   em “Ghost”. Destaque também para Paul Sorvino no papel do chefão Paul Cícero. 

A ambientação do filme é surpreendente. desde as relações entre os “carcamanos” com suas tradições, figurinos e hábitos. As locações são fantásticas ao retratar os locais que os mafiosos frequentam, seus escritórios, casas, boates, restaurantes. 

Paul Sorvino

Aliás, ver os mafiosos italianos prepararem suas festas, pratos, massas e molhos, frios e embutidos é uma atração a parte e de dar água na boca sem que isso fuja ao enredo. 

O filme também retrata sem rodeios ou eufemismos, o total desprezo dos bandidos por qualquer um que não seja de seu círculo, negros (Samuel L. Jackson inclusive faz uma ponta sensacional na pele do bandido Parnell “Stacks” Edwards), judeus, irlandeses ou qualquer um que não tenha ascendência italiana. 

As mulheres também são mostradas como inferiores, dentro da máfia. Todos no filme, sem exceções, tem esposas e amantes. sendo que as primeiras tem a função de gerar os descendentes e as segundas para diversão. Os mafiosos chegam ao cúmulo de separar os sábados para as esposas e as sexta-feiras para as amantes.

A violência é explícita, sem frescuras. O sangue jorra em muitos momentos, já começando pela cena inicial que dá o tom do longa. Tiros, facadas, coronhadas, estrangulamentos… está tudo lá! Porém, é a maneira elegante como o diretor mostra tudo isso que eleva o filme a outro patamar. Scorcese é um dos poucos diretores a conseguir essa proeza.

“Os Bons Companheiros” teve o azar de ter como concorrente direto no Oscar de 1991 o filme “Dança com os Lobos”, que em minha opinião é bem inferior, mas que acabou levando as principais estatuetas. Incluindo aí melhor filme e melhor diretor (muito injusto em minha opinião). Pelo menos Joe Pesci levou o prêmio de melhor ator coadjuvante. Em contrapartida Scorcese levou o Leão de Prata no festival de Veneza e o Bafta, ambos como melhor diretor.

Em minha opinião, “Os Bons Companheiros” é o melhor filme de máfia italiana produzido desde “O Poderoso Chefão” de Francis Ford Copolla em 1972. Entra tranquilamente no top 10 dos melhores filmes que já vi em minha vida. Provavelmente até no top 5. Preciso organizar esse ranking…

 

Classificação Netflix

 

 

Classificação Obelix:

 

 

 5 cravadas sem dó!!!!!!!!!

 

Sobre o autor

Jorge Obelix

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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