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STAR TREK DISCOVERY | A contradição dos trekkers racistas!

E a aguardada nova série de TV da franquia Star Trek, “Discovery”, nem estreou e já causa polêmica. Trekkers racistas…  hã? Sim, caro viajante nerd, trekkers racistas! Sim, tripulante nerd, eu tenho noção do quão contraditório isso soa aos ouvidos de quem aprecia a obra de Gene Roddenberry. Mas, a verdade é que infelizmente eles existem.

Em reportagem sobre o assunto, o site io9 publicou alguns twittes que pipocaram na rede com reclamações racistas acerca do “excesso de diversidade” que a nova série irá apresentar. Segundo os autores dos posts, a série comete um “genocídio branco” ao apresentar tão poucos personagens da referida etnia. Seguem alguns desses disparates:

A nova série da CBS, “Star Trek: Discovery”, só tem um branco no papel e surpresa – ele é gay! Mais um fracasso dos #SJW, como a Marvel. #WhiteGenocidepic.twitter.com/1ng1HW3L53
— Conscious Celt (@ConsciousCelt) May 18, 2017
STAR TREK: Discovery
parece mais
Star Trek: forçando a Diversidade
– David Laettner (@DavidLaettner) May 18, 2017
Star Trek Discovery. Os únicos caras brancos são um vulcano cuzão e um timoneiro molenga. Parece que a série é bem SJW.
– Lubert Das (@LubertDas) May 17, 2017
Ler esse tipo coisa me faz concluir que esses senhores não fazem a mínima ideia sobre o que estão falando. Star Trek traz em sua essência primordial uma mensagem de apologia à diversidade cultural, étnico e sexual.
A franquia Star Trek começou com a série clássica em 1966, e trouxe ao público, em plena guerra fria, uma mensagem de diversidade e tolerância muito incomum nos shows de TV da época. O visionário Roddenberry entendia que a evolução da raça humana e, consequentemente, de sua sociedade, dependia totalmente do quão tolerante a mesma tinha que ser com as diferenças entre diversos povos, etnias, nacionalidades, e sim, também sexualidade. Já na série clássica, encontrávamos esse tipo de diversidade começando pela ponte de comando.

Em “TOS” (The Original Serie) já tínhamos uma oficial de comunicações negra e do sexo feminino, um timoneiro japonês, um engenheiro chefe escocês, um primeiro oficial mestiço de humano e alienígena e, no auge da corrida espacial, um oficial de navegações russo. Todos trabalhavam em igualdade de direitos e em prol do sucesso da missão de “chegar aonde nenhum homem jamais chegará”.

Desde o início, a série fazia questão de realçar que sem a colaboração mútua entre todas as nações, etnias e sexos, jamais chegaríamos à sociedade utópica mostrada na série. Além disso, ao encontrar em sua jornada pela galáxia povos alienígenas, a tripulação da “Enterprise” sempre procurava a diplomacia ao invés da hostilidade, tentando sempre entender e aceitar os costumes e culturas dessas raças extraterrestres. Não podemos, por exemplo, esquecer que TOS foi a série responsável por exibir o primeiro beijo inter-racial da TV americana, causando grande rebuliço na época, repúdio por uma parcela da população e aplausos pela iniciativa por parte de uma parcela bem maior dos espectadores.

As quatro séries subsequentes trataram de aprofundar ainda mais a inclusão, trazendo mulheres em posição de comando (capitãs de naves estelares e almirantes), personagens de todas as etnias, credos e locais do planeta (e de outros planetas também) todos juntos, misturados e trabalhando em conjunto pelo aprimoramento da sociedade. Star Trek é a primeira série de TV que me lembro de ter visto encarar um casal homo afetivo de maneira normal e corriqueira. A própria “1º diretriz” da “Federação dos Planetas” e da “Frota Estelar” é a lei máxima do respeito às diferenças:

“É proibido a todas as naves e membros da Frota Estelar interferir com o desenvolvimento normal de uma cultura ou sociedade. Essa diretiva é mais importante do que a proteção das naves ou membros da Frota Estelar. Perdas são toleradas, caso sejam necessárias para a observação dessa diretiva.”

Diante de tudo isso, é muito difícil entender como uma pessoa preconceituosa ou racista tenha se tornado fã de uma série que, desde seu início, vai contra o preconceito e o racismo. Quando leio twiters como os desses senhores acima, o termo pejorativo “modinha” me vem à mente. Mas ao rotulá-los, eu apenas estaria me igualando a eles em sua suprema ignorância…

Assista abaixo o trailer da série Star Trek Discovery que segundo seus produtores deve estrear entre agosto e setembro em uma parceria entre o canal CBS e a Netflix, porém sem uma data ainda definida:

Sobre o autor

Jorge Obelix

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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