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Crônicas da Magia Profunda

CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Diggory e a palavra que não poderia ser dita (Capítulo 3 – As Cabanas)

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Ainda muito entristecidos com a morte de Malaga e impressionados pelo que houve na caverna, Diggory, Dídimo e Frothus buscavam um outro lugar para se abrigar pois ficaram com medo de dormir perto das bestas mortas. A espada vermelha permaneceu com Diggory e a roupa de Malaga com Frothus. Depois do acontecido, todos estavam prontos para qualquer surpresa no caminho.

Andando pela mata, muito sonolento, Dídimo tem a impressão de ter ouvido alguém correndo paralelamente a eles, pela esquerda e direita.

 – Estão ouvindo isso?

 – Queria que somente eu tivesse ouvido. – Responde Diggory assustado.

 – Agora eu também ouvi. Vamos parar aqui, parece que pretende nos encurralar mais à frente. – Diz Frothus.

Uma das árvores que estava à frente dos três. Uma árvore grande e frondosa começou a liberar uma fumaça e se incendiou num repente. Os três pensaram em fugir, mas centenas de cavalos desceram do topo da árvore pela direita e pela esquerda, não havia como fugir. Todos os cavalos eram brancos e suas crinas eram chamas de fogo.  Quando os cavalos pararam de descer, todos se posicionaram, uma fileira frente a outra e dois homens desceram até metade do caminho como se houvesse uma escada que não se podia ver.

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 – Não se assustem. Somo de paz. – Disse um deles.

 – Da parte de quem? – Gritou Diggory apreensivo. Neste momentos os dois homens pararam e se olharam simultaneamente, como se pudessem se comunicar por telepatia e como se houvessem pensado a mesma coisa.

 – Vão ter que subir para saber!

 – Bem se é que isso é uma captura, pelo menos estão nos tratando bem. Também não há como ou para onde fugir. – Comenta Frothus com um dos pés no primeiro “degraus”. Os dois o seguem e são guiados pelos dois homens. Conforme os cavalos vão passando à sua volta, notasse uma mudança quanto ao local onde estavam. Era noite e parecia que iria chover, mas após a fumaça, era dia claro e a paisagem não parecia familiar.

 – Sei que estão cheios de dúvidas sobre o acontecido de ontem e sobre o como as suas vidas foram colocadas em perspectiva devido ao próprio ocorrido, mas agora vocês precisam descansar. Entrem, amanhã conversamos. – Disse um dos homens que apesar da aparência rústica, parecia manso de olhar calmo, e fazia Diggory lembrar de Vanok. O outro homem mal abria a boca para falar, mas aparentava ser muito ríspido e tinha um olhar firme, usava uma roupa feita de couro de um animal muito peludo. Sua barba e cabelos não eram longos ou muito curtos, mas era difícil definir pois cresciam e diminuíam com o movimento do vento.

Ao atravessarem o mesmo portão, os três, Dídimo, Diggory e Frothus, se veem em lugares diferentes.

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Frothus está em uma grande cabana com muitas araras de roupas e conforme passeava por ali assombrado, e procurando pelo panda e Diggory, observa que há uma mulher andando por trás das roupas. Sem saber se deve se aproximar ou fugir, começa então a andar vagarosamente, com o dobro de atenção. Seu coração, no entanto, acelera e aperta cada vez que sente estar mais perto da mulher. Ela, então, para de caminhar na direção em que ele estava caminhando para ir ao seu encontro. Pouco a pouco a imagem dela vai se destacando entre as roupas e fica claro que a pessoa presente no ambiente é Malaga.

 – Mãe! – Abraça-a intensamente.

 – Não há tempo Frothus. Venha vista esta roupa, vai precisar. – Malaga veste o menino com uma espécie de pijama real e o acompanha até a saída da cabana.

Já Dídimo após passar pelo portão, entra em um bambuzal cheio de pandas. Alguns deles correm em direção a ele para limpá-lo, uma porém, traz grandes folhas e coloca sobre sua pata, onde foi mordido pela besta.

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Depois de limpo elas o levam até um imenso espelho. Ao ver seu reflexo o urso chora por se ver diferente dos demais. Dídimo então fecha os olhos e suas lágrimas escorrem abundantemente. Ao abrir os olhos, o panda vê todos com olhos de cobra e asas como as dele. Neste momento, levado por um dos ursos, Dídimo parte para a saída da cabana.

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Diggory, por sua vez está em uma cabana cheia de serviçais com um trono ao fundo. O lugar era realmente grande, lembrava um palácio. Em um dado momento, todos se curvam. Sem entender, Diggory se lança prostrado, sem perceber que estava no meio do corredor.

– Pode me dar licença? – Diz alguém que Diggory não viu mas sentiu muito calor quando passou por ele. Sem olhar, o garoto mantém seus ouvidos atentos e através de ruídos busca imaginar o que – Bem-vindo Diggory Bavarius Schafur! Pode se levantar.

 – Não! – Diz de ímpeto, porém, temendo a reação e já chorando de medo.

 – Como disse?

 – Estou com medo! – Com a voz embargada. – Mataram a minha avó, me separaram da minha mãe, mataram a mãe do meu amigo e o Dídimo não está mais comigo!

 – Ficaria mais calmo se ele entrasse?

 – Não sei. – Diz em tom choroso.

 – Queira entrar Dídimo. – Dídimo entra e se aproxima de Diggory com reverência ao ser presente. Dando leves golpes com o ombro, o panda diz:

 – Ei, levanta. Está pagando mico. – Diggory abraça o amigo e escondendo o rosto nos pelos de Dídimo, não olha para o trono.

 – Conheço você Diggory. Desde antes de nascer. Antes que existisse eu escrevi seu propósito. – Diz o ser.

 – Sei o que você quer, mas eu só tenho treze anos. – Chora Diggory.

 – Faz catorze daqui três dias. Há muito o que fazer, filho. Uns precisam de você e outros querem te destruir. Não tenha medo! Eu estarei com você para te proteger aonde quer que vá.

 – Vou te ver?

 – Às vezes.

 – E quando eu não te ver?

 – Vou te dar uma coisa que vai te fazer lembrar de mim, posso?

 – Sim. Diggory se aproxima do trono ainda de olhos fechados.

 – Isto que estou colocando em seu pescoço é um colar feito de vara de amendoim. Sei que gosta de amendoim.

 – Gosto muito. – Diz o garoto se acalmando.

 – Eu também! Neste colar eu coloquei sete amendoins para quando precisar.

 – E quando eu comer o último?

 – Quando isso acontecer, você vai poder me ver de novo.

 – Frothus vai conosco?

 – Não. Deixe-o aqui comigo até que chegue sua hora.

 – Posso fazer uma última pergunta?

 – Quantas precisar.

 – Você é Shá, não é?

 – Sim. Eu sou.

 – Se eu abrir os olhos, vou te ver?

 – Verá o que precisar ver.

Se preparando para abrir os olhos, Diggory sente um vento soprar forte e Dídimo entre suas pernas. Abre os olhos e vê que estão nos ares.

 – Uau! Onde estamos, amigão.

 – Sobrevoando Sout Klip.

 – Está louco! Como entraremos?

 – Pelo mesmo lugar que saímos, o ponto cego.

 – E por que estamos fazendo isso?

 – Shá nos mandou visitar o Herick.

 – Você o viu?

 – Sim.

 – E como ele é.

 – Se parecia comigo, só que maior e mais forte.

 – Está brincando.

 – Todos lá pareciam comigo, você não viu?

 – Claro que não. Só tinha você parecido com você lá.

 – Tinha sim, você que não viu.

Herick salvou a muitos depois do ataque de Hatte à escola. Cuidou de ferimentos e treinou os sobreviventes no porão quando desistiu de fugir com Diggory. O local foi reerguido com materiais do próprio prédio que havia sido destruído e o local recebeu muitas pessoas que souberam do ocorrido e acreditaram, pois, muitos disseram que foi um ataque da Fúkzia ou de países das Terras do Sol, mas nada foi provado.

Ao chegar no local, os dois percebem que Herick os está esperando.

 – Sabia que iriamos chegar? – Grita Diggory ao aterrissar.

 – Sim, as árvores me contaram.

 – Doido! – Dizem juntos, Diggory e Dídimo.

Todos se abraçam e matam saúde uns dos outros.

 – Restaurou o local? Pergunta Diggory.

 – Já faz algum tempo.

 – Nunca vou entender o porquê não foi conosco. Se bem que eu mesmo as vezes me arrependo de ter saído daqui.

 – Aqui é minha casa Diggory, eu não poderia sair. O local também tem recebido muita ajuda e recursos financeiros. A própria GeneSix investe aqui. Sua mãe vem aqui todos os meses. Chora sempre, certamente pensando em você.

 – Sinto muita falta dela, Herick. Mas se eu fosse até ela, isso custaria a vida do Dídimo.

 – Eu sei. Seu pai, não é?

 – Bem, mas e você, o que faz aqui? Quero saber porque Shá me fez voltar a Sout Klip.

 – Tudo vai acontecer em Sout Klip! Estamos nas terras de Judá, centro político do mundo. Antigo território de Israel.

 – Aqui nunca foi Sout Klip, não é verdade! – Diz Diggory, levantando a sobrancelha esquerda.

 – Montei uma espécie de quartel general aqui.

 – Como assim?

 – O governo acha que aqui se aprende apenas herbologia. Manipulação do elemento terra, mas, na verdade estamos estudando sobre a magia profunda.

 – O que sabe sobre a magia profunda?

 – Eu, muito pouco, mas Vanok…

 – Vanok está vivo?

 – Não, mas sua mãe nos trouxe todos os livros de Vanok para nossa nova instalação. Dentre eles havia um lacrado por ele mesmo, com dedicatória a você. Achei que você nunca mais voltaria e abri. Estamos o estudando.

 – Não sabia se voltaria… porque não perguntou às árvores? Quero ver o livro! – Corre à frente.

 – Não é insuportável, Herick. – Fala Dídimo aumentando a velocidade de seus passos.

 – Ainda não sei como convivem, Dídimo. – Ri Herick.

Os dois riem correndo para dentro atrás de Diggory. Herick os guia até a grande biblioteca.

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 – Este é o livro que lhe falei, veja este trecho escrito à mão…

 – Deixe que eu leio! – Toma bruscamente o livro das mãos de Herick -:

“A MAGIA PROFUNDA É A PERGUNTA E A RESPOSTA. O DOMÍNIO DO EU E A AMIZADE SÃO O CAMINHO. CUMPRIR SUA MISSÃO É O MOTIVO E “             ” É A PALAVRA QUE NÃO PODE SER DITA”

Diggory olha para Herick e Dídimo com uma expressão de quem nada entendeu.

 – Há quantos anos vocês estudam isso?

 – Desde que o recebemos há quase um ano.

 – Me diz que em alguma parte do livro existe esta palavra que falta no título.

 – Também pensamos que encontraríamos, mas não.

 – Fizeram cópia disso?

 – Sim, mas este é o original, pode ficar com ele.

 – Ficarei! O que conseguiram aprender dele.

 – Muito pouco. Conseguimos aplicar melhor a dominação e manipulação de elementos, mas em muitos trechos ele cita Enoque e um menino do passado e manuscritos que estão em poder do vaticano na Fúkzia. Jamais conseguiríamos acessar.

 – Agora entendo o porquê Shá nos trouxe aqui! Herick, precisamos estudar e entender este livro. Hatte sabe coisas sobre a magia profunda que estão próximas a acontecer e está desesperado.

Diggory começou a contar sobre os acontecimentos dos últimos dias à Herick e sobre como muitas coisas de sua vida se fizeram claras após o encontro com Luma.

…CONTINUA

Leia o primeiro capítulo:

CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Diggory e a palavra que não poderia ser dita (Capítulo 2 – ‘O Vigia da Terra’)

 CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Diggory e a palavra que não poderia ser dita (capítulo 1)

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Na próxima segunda feira (26/12) será lançado o próximo capítulo da primeira crônica da Magia Profunda: “Diggory e a palavra que não poderia ser dita”, acompanhe e compartilhe. Você também pode participar da construção desta história. Deixe nos comentários a sua opinião sobre este capítulo e suas sugestões sobre o que poderia ser adicionado a história. 

Leia mais matérias sobre este assunto:

CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Book Blog ganhará trilha sonora e publicação física em 2019

CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Nerdtrip lançará história original em dezembro de 2018

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Sethe Gobê Nascido em 1991, santista, por naturalidade (e apenas por naturalidade), jornalista, escritor, publicitário, empresário e professor. De estilo hiponga, vegetariano e agnóstico, tem por suas maiores paixões os irmão: Lucas e Daniel. Compositor e letrista de mais de 500 canções, adepto a meditações e passeios a lugares simples e de contato com a natureza. Fundador da SHA ONE COMUNICAÇÕES e da CPR CONFERENCES, ama debates filosóficos, políticos e religiosos. Amante de historiologia, está em constante estudo de antropologia, teologia, psicologia e ciência política.

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