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Demorei, mas eu vi!

DEMOREI MAS EU VI! | American Horror History – Roanoke – Reinventando o gênero (Crítica com spoilers)

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De tempos em tempos algo redefine o gênero de que gostamos tanto, pela nossa capacidade de nos impressionar e de nos assustar. O terror não é algo controlável, que possa ser posto em uma forma, mas sim algo como o barro de um oleiro, do qual com talento e paciência, é possível se fazer maravilhas. 

Sim como em toda criação, o ato de criar passa por uma base (você não cria algo do nada), e a partir da idéia inicial (geralmente já pronta) você acrescenta a sua visão do fato (ou ficção criada) e com isso cria-se o escopo de uma nova história.

 Existem várias séries de terror atualmente, podemos citar The Strain (Netflix), Strange Things (terror mais juvenil, mas mesmo assim terror), The Walking Dead (existe terror pior do que o lado mais sombrio da mente humana?) e similares. Mas poucas séries atuais chegaram ao nível de assombro e criatividade que a série capitaneada por Ryan Murphy e um elenco tão estrelado que beira a imaginação. Estou falando de American Horror Story (FX, 2000-atualmente).

 

Um documentário de gelar o sangue!

 American Horror Story é uma iniciativa original, única e com poucos pontos comparáveis a qualquer série do gênero. Talvez o grande diferencial do folhetim do FX seja a capacidade (e coragem) do diretor e criador de buscar novos caminhos para o terror. Colocando atores com altíssimo gabarito (como Jessica Lange e Kathy Bates) com atores excelentes da nova safra (como Evan Peters, Sarah Paulson e Lily Rabe além de Lady Gaga) AHS tem conseguido manter níveis excelentes de audiência no exigente mercado de séries norte americano, temporada após temporada, sempre reciclando idéias e chocando o público (seja com sustos ou polêmicas).

Com Roanoke, a sexta temporada que foi ao ar o ano passado (a atual e bem de audiência, é Cult), não foi diferente. Como sempre uma idéia realmente original (com homenagens explícitas a alguns grandes filmes) mas com aquele gosto do passado, que são a marca registrada da série. Mais uma vez voltamos ao tema da casa mal assombrada, mas feito de tal maneira a não parecer com nada já visto. Assim como em Murder House ou AHS (nessa série todas as temporadas são nomeadas), a diferença aqui está na abordagem. Em Roanoke, na sua primeira parte, o ritmo escolhido (e muito interessante) foi o de um documentário. Há um personagem ator e outro que conta a história, que é escabrosa.

 

Um elenco ágil e brilhante

 Após terem problemas em uma rua da cidade com um grupo de vândalos racistas, um casal interracial resolve comprar uma casa no campo que estava com “condições facilitadas”. Pra variar, o diabo está nos detalhes e eles acabam não por comprar um problema mas sim algo que literalmente pode ameaçar suas vidas. Pra piorar recebem a visita da irmã policial (Lee Harris, Angela Bassett) de Matt (o rapaz negro, que é vivido por Cuba Gooding Jr em uma atuação ok, mas que é canastrona de propósito) que é marido de Shelby (moça branca, altruísta e generosa) que por sua vez é interpretada pela competente Sarah Paulson (a bruxinha cega de Coven) e sua filhinha Clara, que é a principal de Roanoke.

 A partir daí começa um passeio de montanha russa no trem fantasma, pra Jason e Freddy não botarem defeito. Entre brigas do ex casal Lee e Mason (o pai de Clara) aos poucos Shelby e Matt começam a ser tragados pela atmosfera infernal do lugar. Entre acontecimentos estranhos, fantasmas e uma estranhíssima Lua de Sangue, tudo acontece, sendo aos poucos relatado pelos personagens “reais” ao melhor estilo Linha Direta e Documento Verdade. Após a morte misteriosa do pai de Clara (içado como um porco em um madeiro), a garota some após ter contato com um dos fantasmas da casa, Priscilla, e ai começa o real pesadelo (que nomeia o documentário My Roanoke Nightmare). Após gastar as energias psicologicamente e espiritualmente com a entrada de dois colaboradores que emaranham ainda mais a cama de gato, redneck (Elias, o professor que tinha deixado fitas; e Cricket, um médium de eficiência comprovada mas um tanto excêntrico e caro), durante uma caçada na floresta pela menina, aparece a personagem mais importante: A Bruxa da Floresta (bem interpretada por Lady Gaga) que sodomiza e enfeitiça Matt para seu próprio uso (o cara a enraba, simples assim) e Shelby vê tudo pra piorar.

A cena. Selvageria no meio do mato rs

 Após a cópula com a bruxa, Matt, libertado do transe, retorna sem saber de nada. Mas o estrago estava feito. Pra não dar muito spoiler, a partir daí as coisas pioram muito, Cricket, mesmo mostrando que sabia do riscado, é preterido, e ai Elias ajuda a encerrar alguns dos mistérios e explica que a casa sim, é maligna, e na época da Lua de Sangue o portal para os mortos se abre e com isso os mesmos saem pra brincar…com os vivos. Mas isso não era tudo. Após mais tragédias, o médium retorna e explica que o verdadeiro mal que assombrava a área era a mítica colônia de Roanoke (um grande mistério americano, no original há várias versões sobre a lenda), que tinha uma líder que pagava sacrifícios a deuses pagãos (na verdade Thomasin se tornou a Açougueira por feitiço da Bruxa da Floresta) e que toda Lua Sangrenta era o tempo da colheita, sendo eles os próximos a serem sacrificados.

Maravilha de lugar pra passar as férias

Após muito mais muito sofrimento, Clara é libertada e depois de sofrerem igual cães nas mãos dos caipiras malucos da região, graças a ação do espirito do dono da casa Edward e do filho de Thomasin, que tentou salvar os colonos da bruxa, conseguem fugir apenas com as roupas do corpo e com muita sorte. Nesse meio tempo Cricket foi assassinado depois de fazer um pacto, entregando Matt de mão beijada à Bruxa numa cena bem interessante e sensual, que conta as origens dela, sendo na verdade uma moça celta (seguidora de Scathach, a deusa da morte irlandesa) que após desembarcar nos EUA trouxe sua magia comsigo, criando algo novo. Pena que termina praticamente aí a participação dela.

 A partir daí muda tudo. Numa puta declaração de coragem, Murphy transforma a história inicial em um reality show com toques de Bruxa de Blair (mas quase sem bruxa, infelizmente). No início um drama entre atores e personagens “reais”, mas depois a matança toma conta de novo, por conta da Lua Sangrenta. O reality Return to Roanoke: Three Days in Hell se torna um matadouro e literalmente vai rolar de tudo (inclusive com a participação da Bruxa, mais monstruosa que encanta Matt mais uma vez). A homenagem descarada a The Blair Witch Project é visível. Apesar do ritmo meio estranho, a esticada vale a pena, e prepara o espectador para o anti clímax que é de lei em AHS.

 

Desespero e situações anti clímax

 O saldo pra dar um fim na matéria é profundamente positivo. Ryan após dar uns tropeços em Coven e Freak Show, acerta novamente. Com uso de vários anticlímax (parece got, não se apegue a ninguém), conta uma história concisa, sangrenta e muitas vezes desesperadora. O fim é desconcertante e vale cada minuto assistido. Roanoke passa de “bom” e realmente eu recomendo assistir várias vezes.

O lobo da noite. O nerd caçador. Sou criador de páginas, nativo da internet desde a chegada no nosso país, músico, escritor e as vezes até poeta. Jogador nato, criado nos games do Atari aos 4K atuais. Também sou fã de literatura, rpg e cyberpunk.

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