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Demorei, mas eu vi!

DEMOREI, MAS EU VI! | Réquiem para um Sonho

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Na verdade eu iria publicar esse post na sexta feira, afinal sexta é dia de terror aqui no Nerdtrip. Mas resolvi, já que levantei o assunto, falar dele hoje mesmo. Se tem uma categoria de filmes em Hollywood que geram Oscars fáceis, esses são os filmes sobre o vício e as drogas. São vários os filmes que tentam trazer para a tela esse universo hoje cada vez mais próximo de nós “mortais comuns”.

Nesse andar da carruagem podemos citar obras como Laranja Mecânica (vital para entender esses tempos cheios de vigilância de hoje), Drugstore Cowboy (talvez o mais Nutella de todos esses filmes ao falar sobre o vício em anfetamina), Rush (mais denso, pega pesado no drama) e Trainspotting (com aquela velha história de perda da inocência, mas que pouco faz para demonstrar o problema), mas nenhum deles foi tão fundo no poço como um diretor nova iorquino chamado Darren Aronofsky.

Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2001, Thousand Words/Protozoa Films/ Artisan) é daqueles filmes para ver e não se esquecer nunca mais. Apesar de ser um drama, se caracteriza tranquilo no gênero horror (o horror da vida real) e demonstra de maneira insensível, robótica e científica (sem espaço algum para a fé ou algo assim), como coisas simples da vida como sonhos, podem se transformar em nossos piores pesadelos, exterminando a pureza e a inocência.

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Olhe mais de perto

O filme que ganhou Oscar e prêmios mil pelo mundo afora e revelou o talento de vários atores de nossa geração como Jared Leto, a sempre bela Jennifer Connely e pasmem, Marlon Wayans (de Todo Mundo em Pânico), isso passando pelo grande retorno de Ellen Burstyn, que dá um grande show de interpretação e que lhe rendeu uma indicação honrosa ao Oscar do mesmo ano.

O filme do qual vou revelar aqui alguns spoilers, é dividido em três fases: Verão, Outono (FALL) e Inverno. O início lembra um filme de periferia. Mostra a vida de uma senhora aposentada, viciada em tv, chamada Sara Goldfarb (Ellen) que tem problemas com o filho Harry (Jared Leto) que é dependente químico com preferência em heroína e que vive (uma outra crítica do filme é dia-a-dia das periferias, os jovens tem poucas ou nenhuma oportunidade) vendendo a tv de Sara para pagar o seu vício. Sim, isso é meio abusivo. Mas essa vida ao estilo GTA é o que move a vida dele e de seu amigo Tyrone (Marlon Wayans, em boa atuação) que é negro e marginalizado por isso. Fecha o trio a doce Marion (Jennifer Connely) que é meio que uma Harley Quinn da vida real, determinada, apaixonada e cheia de sonhos. Sonhos estes que infelizmente serão atravessados com um rolo compressor.

Sara no telefone

Não se preocupe. Não há nada de errado. Nada a temer.

Sem muitas oportunidades de mudança (talvez pela letargia da mãe), Harry resolve unir o escroto ao improvável (eu não vou economizar adjetivos) e se aventura no mundo do tráfico com um motivo nobre: bancar a loja de roupas, sonho de Marion para mudar suas vidas. Só que com um único porém: sem largar o vício. Pra completar o giro da máquina, Sara ao ser convidada para o programa de TV em que era viciada (sim existem vários tipos de vício), fica obcecada com um vestido vermelho que não mais lhe cabe, por excesso de peso. Com medo de aparecer feia no tal programa, resolve fazer uma dieta, mas logo vê que não será tão fácil. Com a “ajuda” das vizinhas consegue o número de um consultório de um médico irresponsável que lhe receita drogas pesadas mas que reduzem o apetite (anfetaminas, aqui sim mostradas da pior maneira possível). Com isso ela consegue em pouco tempo entrar no vestido mas não percebe o grave efeito que as altas dosagens faziam em sua mente.

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Os sonhos as vezes não tardam em se tornar os nossos maiores pesadelos

A segunda parte, Outono, não tarda a mostrar suas garras. Tyrone é o primeiro a cair (realmente o fato de ser negro no mundo do crime, por mais que não se queira falar em racismo, faz efeito) ao se ver inocentemente em uma operação feita pela máfia, e acaba preso injustamente como cúmplice. Harry mete a mão nos negócios do grupo para pagar a fiança e salvar o amigo. A boa estação (para as drogas) havia passado e os negócios com o tráfico começam a ir de mal a pior com uma guerra entre italianos e negros, esvaziando as ruas. Nesse momento, Sara, trancada em seu apartamento se “zumbifica” graças aos efeitos dos emagrecedores. Passa a viver em um mundo paralelo, onde as alucinações começam a assombrá-la. Com o êxodo das drogas, Marion começa a sentir os efeitos da abstinência e isso afeta o humor da garota que se torna mais fria, piorando toda a situação. Com o desespero tomando conta dos três, resolvem apostar todas as fichas em um carregamento vindo da Flórida. Porém, percebem que por causa da situação o grama seria vendido pelo dobro do preço, os levando a fazer escolhas terríveis para saciar seus próprios vícios.

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Um dia a festa acaba

A partir daí vocês já devem ter uma grossa ideia do que acontece. Requiem para um Sonho não somente recebeu indicações para prêmios, mas muitas críticas, chamando o filme de moralista demais. Mas digo (de uma pessoa que conheceu pessoas que estiveram nessas situações), é isso mesmo. O filme demonstra de forma duríssima a perda da inocência e inevitabilidade do destino (as ações dos personagens e falta de planejamento os levam a esse desfecho trágico), deixando uma lição que é difícil de ser esquecida. Pondo a minha opinião pessoal…uma hora a festa acaba e Aronofsky deixa claro que apesar de não ser regra…as vezes não termina bem e que a vida não é um brinquedo. Seriedade é necessária nas ações. Sei que isso soa muito Proerd mas essa é a verdade dos fatos.

O filme usa uma linguagem chamada de hip hop sense que acelera os quadros, fazendo tudo em ritmo de vídeo clipe ou quadrinhos. Por essa técnica vemos (e sentimos) cada viagem dos personagens, da melhor às muitas e terríveis bad trips que o final reserva. Vale destacar também aqui a coragem dos atores em muitas cenas (principalmente Connelly em suas cenas +18 do final) que não fazem nenhum esforço em esconder a angústia de suas interpretações. Outro destaque tem que ser dado a trilha sonora, que fez tanto sucesso que foi utilizada em uma versão de O Senhor dos Anéis e até filmes de super heróis e games.

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O mundo do vício da forma mais distorcida possível.

Enfim, Requiem catapultou a carreira de Aronofsky que hoje ainda é muito citado até para encarar um futuro longa do Batman (e espero que aceite, mesmo não estando hoje em melhor forma). O estilo duro, cético e pouco esperançoso se tornou a marca do diretor como no digno de nota Cisne Negro e no estranho e impressionante Mãe, suspense que acabou passando batido com Michelle Pfeiffer.

Nota para o filme: 5 / 5

E se pudesse eu dava seis

O lobo da noite. O nerd caçador. Sou criador de páginas, nativo da internet desde a chegada no nosso país, músico, escritor e as vezes até poeta. Jogador nato, criado nos games do Atari aos 4K atuais. Também sou fã de literatura, rpg e cyberpunk.

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