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ESCONDIDO NA NETFLIX | Sombras da Noite – Mais uma divertida “Timburtisse”

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Bem vindos a bordo tripulantes! Após 3 meses, retomo a coluna “Netflix com Obelix” onde publico críticas sobre filmes disponíveis no catálogo da rede de streaming “Netflix”

E nada como voltar com um filme da tríade “Tim Burton / Johnny Depp / Helena Bonham Carter”.  Em minha opinião, um longa que conte com a presença desses três artistas tem chances mínimas de dar errado. E “Sombras da Noite” (“Dark Shadows” no original em inglês) de 2012 não foge a essa regra. E ao acrescentar Eva Green e Chloë Grace Moretz ao elenco, Tim Burton acertou em cheio.

Como a maioria dos filmes do diretor, o clima sombrio e lúgubre deixa sua marca. O enredo trás a história de um jovem milionário do século XVIII que acaba amaldiçoado por uma de suas empregadas após desprezá-la amorosamente por uma jovem de seu nível social. Eva Green faz o papel de Angeline Bouchard, a empregada desprezada que na verdade é uma bruxa imortal. Com seus feitiços, ela consegue arruinar a família e fortuna de seu amado, tirar a vida da outra pretendente e transformá-lo em um vampiro que acaba sendo enterrado vivo pela população do vilarejo de pescadores onde se passa a história.

Quase duzentos anos depois, mais precisamente no ano de 1972, uma obra acaba por libertar o vampiro que se chama Barnabas Collins e é interpretado por Johnny Deep. Collins decide voltar à sua velha mansão em busca de seus descendentes, e encontra uma propriedade decadente com seus últimos familiares na pior.

Liderada pela matriarca Elizabeth Collins (Michelle Pfeiffer) o que restou dos Collins é uma família arruinada e disfuncional.

O irmão de Elizabeth, Roger (Jonny Lee Miller) é um falastrão, ganancioso e mau caráter que despreza o próprio filho, David (Gulliver McGrath).

Esse, por sua vez, é uma criança atormentada pelo fantasma de sua própria mãe que morreu afogada. Considerado mentalmente perturbado, o garoto é acompanhado por uma psiquiatra que também mora na mansão, a dra Julia Hoffman.

Interpretada por Helena Bonham Carter, a doutora Hoffman é uma alcoólatra frustrada de língua ferina e que está sempre embriagada ou de ressaca. O figurino, maquiagem e cabelo da personagem lembram bastante outro personagem da atriz, a Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas”. Típico de Tim Burton transformar seus atores preferidos em personagens que são sempre parecidos em seus diversos filmes.

Já Chloë Grace Moretz está muito bem em seu papel de adolescente rebelde e displicente que se sente desprezada pela família. Sua Carolyn Collins é sem dúvidas uma das melhores personagens do filme.

Eva Green, como a vilã Angeline Bouchard e que ainda está viva no século XX, é uma das melhores coisas do filme. Cruel e maquiavélica, faz um contra-ponto perfeito ao vampiro que apesar de assassinar pessoas para consumir seu sangue, tem na verdade um bom coração e se tortura com o arrependimento de seus próprios atos. A interpretação magnifica de Green com certeza inspirou o convite que viria a ter dois anos mais tarde para protagonizar a ótima série de terror “Penny Dreadful”.

Bella Heathcote interpreta Victoria Winters. A babá de David acaba se tornando a nova paixão do vampiro por ser idêntica a Josette Dupre, o amor de Barnabas no século XVIII. Apagada demais no enredo, acaba por ser o ponto fraco do filme. A personagem só está no longa para dar um propósito às ações do protagonista.

Completa o elenco Jackie Earle Haley no papel de Willie Loomis, o velho e resmungão empregado da família que acaba por se tornar o lacaio pessoal de Barnabas após ser hipnotizado.

Johnny Depp como sempre faz o papel de Johnny Depp a que seus fãs já se acostumaram. Cheio de trejeitos e afetações, repete a fórmula que já deu certo em muitos de seus personagens como Jack Sparrow da franquia “Piratas do Caribe” ou o Chapeleiro Louco no já citado “Alice no País das Maravilhas”. O público ainda não cansou de vê-lo com maquiagem pesada e figurinos exóticos. Eu pessoalmente não cansei e espero ver muitos filmes ainda com o personagem “Johnny Depp”. Mas, isso é claro, reflete um gosto muito pessoal.

“Sombras da Noite” é o típico longa que o espectador mais atento percebe ser dirigido por Tim Burton mesmo que não tenha essa informação de antemão. Como gosto de dizer sempre, é “Tim Burton fazendo Timburtisse”. Não há como não perceber sua marca pessoal.

Trilha sonora, maquiagem, figurinos e fotografia esplêndidos. Conseguem nos transportar tanto para o século XVIII no começo do filme quanto para os anos 70 no restante. De maneira bem “trevosa”, é claro. Burton consegue dosar muito bem no filme suspense, comédia e terror.

Destaque para duas participações especiais de peso. Christopher Lee faz uma ponta como líder dos pescadores em um de seus últimos trabalhos antes de vir a falecer em 2015. E Alice Cooper interpreta a si mesmo em uma fantástica apresentação em uma festa na mansão da família Collins.

Classificação Netflix: 3/5 

Classificação Obelix: 4,5/5

 

 

 

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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ESCONDIDO NA NETFLIX | O Troco

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A dica do Escondido na Netflix dessa semana é o filme O Troco.
Esqueça aquela conversa de que “ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão“, não para o ladrão que foi roubado, que aqui atende pelo nome Porter (Mel Gibson).
Sujeito de uma ética distorcida, mas, de alguma pelo menos.

O filme conta a história de dois ladrões, Porter e Val Resnick (Gregg Henry), acostumados a roubarem coletas de pagamentos, tem como alvo da vez a coleta da Máfia Japonesa.
Eles esperam uma grande bolada, mas conseguem abaixo do esperado, apenas 140 mil dólares.

O problema é que Resnick tem uma dívida com o cartel de Nova York de 130 mil, e a sua parte no assalto lhe rendeu apenas 70 mil dólares.
Ele então vê como única opção trair Porter e conta com a ajuda de Lynn (Deborah Unger), a namorada de seu parceiro, que acaba de descobrir que está sendo traída, gente, é muita infidelidade…

Porter é traído, baleado pelas costas e dado como morto, mas vaso ruim não quebra fácil e alguns meses depois ele retorna querendo a sua parte do roubo, e seu jeitinho de cobrar vai incomodar desde detetives polícias corruptos, traficantes, o sindicato (como são chamado os organizadores do tráfico), a Máfia Japonesa, enfim, ele vai incomodar muita gente grande pelos seus 70 mil.

O filme teve alguns desacordos na época entre o diretor Brian Helgeland e o astro Mel Gibson, o que acabou fazendo com que o diretor abandonasse o filme.
A versão final teve que ter quase 30% refilmado para se encaixar no que Gibson e o estúdio queriam segundo declarou o ator na época:

“Não somente eu achei que alterações eram imprescindíveis no projeto. O estúdio produtor do filme também solicitou mudanças”

Mas o produto final é satisfatório, entrega um filme elegante, com um anti-herói bem interpretado por Mel Gibson, que não vê problema algum em resolver os problemas matando, saídas criativas e inteligentes, plot-twists divertidos, e um estilo Noir bem estiloso que foi possível graças ao uso de uma técnica de descoloração da fita depois de gravada com um solvente que aproximou as cores à tonalidades de cinza e azul.

Há um discreto humor negro na medida exata ao longo do filme, as falas são secas e muitas vezes cheias de clichês mas aqui isso é ótimo. O restante do elenco é excelente e conta com nomes bem experiente, como Maria Bello, Lucy Liu, Bill Duke, John Glover, David Paymer, Kris Kristofferson, William Devane, entre outros.

O Troco é o filme pra quem cansou dos mocinhos bonzinhos e dos heróis malhadões e quer ver um sujeito agindo como muito de nós gostaríamos que o herói agisse: sem regras, sem frescura e sem dó.
Não se esqueça, o catálogo da Netflix recebe e retira filmes de seu catálogo diariamente, então não vacile e assista logo.

Nota para o filme: 4 / 5

 

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ESCONDIDO NA NETFLIX | Onde os Fracos Não Têm Vez

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Enquanto caçava, Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontrou vestígios de uma venda de drogas. Apesar de saber que não deve, ele não resiste e leva o dinheiro encontrado consigo. O caçador se transforma em caça quando o impiedoso assassino Anton Chigurh (Javier Bardem) encontra seus rastros. Como se não bastasse um matador atrás de Moss, o xerife (Tommy Lee Jones), também passa a procurá-lo. Vencedor de 4 Oscars na edição de 2008 nas categorias: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem), Melhor Direção e Melhor Filme.

Tanto o filme dirigido pelos irmãos Coen quanto o livro de Cormac McCarthy trazem a necessidade e a marcante participação de Anton Chigurh, simbolizando o mal em um mundo de más escolhas e grandes falhas. A operação promovida pelos irmãos cineastas nesta obra é bastante complexa no que diz respeito a sua obra em geral por conta do seu final polêmico.

A ausência da trilha sonora só pontua o tom seco que a ação se desenvolve – tal qual o olhar gélido e a voz mansa que a figura psicótica que Javier Bardem representa na obra, um indivíduo que não polpa sua personalidade sombria em cenas em que demonstram sua natureza sem qualquer indício de afetividade ou conexão com o humano. Um assassino que promove o sangue na tela. O Oscar de coadjuvante foi um prêmio justo à altura de uma composição tão transparente e cuidada em cena. Suas sequências colocam a narrativa em ponto de maior tensão por conta do medo que transmite – aos personagens e ao público.

“Essa sociedade vai te matar. Mas, você não vai desistir”. O roteiro articula a situação do homem disposto a mudar de vida de qualquer forma, através do exercício de sua ganância – Josh Brolin defende bem essa persona em cena, contrapondo-se a Tommy Lee Jones que questiona essa terra “Sem país para homens velhos”, representando o homem cansado, um policial que ainda acredita na retratação de uma sociedade insana e caótica, mas que não vê alternativas para transformar o caos.

Mas, temos a ganância também expressa na imagem do assassino psicopata que permanece no encalço e acentua a noção de violência na narrativa: são inúmeros os momentos em que vemos esse personagem agir com brutalidade sem medo de qualquer retaliação. A dureza na fria atuação de Bardem simboliza essa noção crua de um cinema que quer dialogar sobre o humano, sem estereótipos e cacoetes, através de possíveis reflexos de um mundo sem sentimentos, mas brutal.

Outro fato impressionante é como o filme aborda o niilismo no sentido em como  Anton de forma sempre extremamente calma enxerga completa ausência de sentido em absolutamente tudo. Para Anton, a ideia que tudo é obra do acaso é algo extremamente importante e verdadeiro e isso nunca abala a sua calma. E ele ainda tenta fazer com que suas vítimas também enxerguem as coisas dessa forma. “Se a regra que você seguiu, Ihe trouxe aqui, de que serviu a regra?”

Contudo, é uma trama que retrata sobre a maturidade. Ou melhor, sobre a impossibilidade e imprecisão da ideia de maturidade num mundo, em última análise, incompreensível. A experiência humana marcada pela incerteza, a tendência quase inexorável ao erro e a impotência plena frente a uma lógica que coloca o homem em posição diminuta diante de sua natureza ao mesmo tempo implacável e incompreensível são características presentes em toda a obra dos irmãos Coen.

Destacando também a parte técnica do filme: o design de produção consegue nos levar com êxito ao início dos anos 80, e principalmente, a fotografia de Roger Deakins (constante colaborador dos diretores) está impecável em seus enquadramentos muito precisos. Ele conseguiu criar o visual do noir contemporâneo que ainda possui muitas características da cinematografia original dos filmes de 1950, porém com toques difusos, sombras mais delicadas e tratamento barroco expressivo para a iluminação principal. As altas luzes da contraluz permanecem intocadas.

Onde Os Fracos Não Têm Vez é um filme onde temos um estudo onde os personagens são o foco principal da trama. Nota-se a angústia de Tom Bell durante todo o filme e, principalmente, nos minutos finais, onde ele vê que não está mais inserido naquele “novo mundo”. É o exemplo de filme em que você precisa compreender a verdadeira mensagem transmitida. Há apenas uma quebra de elementos já estereotipados em filmes que envolvem o bem e o mal.  A maioria das respostas está nos diálogos e não nas cenas de ação. Interpretar um diálogo parece muito mais difícil do que interpretar qualquer outra imagem e, nesse caso, interpretar é imensamente necessário. A trama, por si só, compreende uma formidável obra cinematográfica. Um triunfante final e uma espetacular adaptação de uma estória, no mínimo, aberta a interpretações.

Nota para o filme: 5 / 5

 

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ESCONDIDO NA NETFLIX | Requisitos Para Ser Una Persona Normal

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Qual o perfil você tem que atender para se considerar uma pessoa normal?
E se você atender todos os requisitos dessa lista, será se você será uma pessoa feliz?
Afinal, ser normal pode ser justamente o que você não é, não é mesmo?

No Escondido na Netflix de hoje indicamos o filme espanhol Requisitos para ser una persona normalO filme foi lançado em 2015, nele temos María de las Montañas (Letícia Dolera, que além de atuar também está no roteiro e na direção), ela que está na casa dos 30 e poucos anos e acaba de ser despejada, está desempregada, sem namorado, nem hobbies ou amigos, e tendo de voltar a morar com o irmão e com a mãe que ela não tem tanta afinidade.

E em uma entrevista de emprego ao ser questionada sobre o que seria uma pessoa normal e feliz, ela percebe que não atende a nenhum dos requisitos de uma lista que ela improvisadamente respondeu. Ela passa a repensar sua vida a ponto de recorrer a livros de auto-ajuda.

Entra na história o simpático Borja (Manuel Burque, que para se encaixar no papel engordou 15 kg), um camarada que trabalha junto com o irmão dela e que tem por objetivo emagrecer mas não tem disciplina para isso. Eles se conhecem e entram no acordo de um ajudar o outro em seus objetivos, ela atender a lista dita na entrevista, e ele simplesmente emagrecer.

O filme conquista pela simplicidade, não há cenas que são memoráveis por sua grandiosidade mas sim pelo jeito despretensioso, inocente e singelo, muitas vezes tão docemente transmitido por Maria e Borja que são pura simpatia. Os tons pastéis colorem o filme todo, e a trilha sonora é suave e divertida fazendo do filme um “docinho“.

Há dramas no filme, mas eles são bem dirigidos e não ficam massantes ou sendo esticados, são vividos de maneira descomplicada e pontuais. Outra coisa bem divertida é que algumas vezes acontecem a quebra da quarta parede de maneira charmosa.

É um filme simples, leve e doce que nos ensina que felicidade está no ser, e não no ter. Agora é aproveitar a nossa dica sem esquecer que a Netflix adiciona e remove filmes diariamente, então não vacile e corra pro sofá.

Nota para o filme: 3,5 / 5

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