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Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | Roma

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Roma foi uma das mais caras produções da história da TV. Os cerca de 10 milhões de dólares por episódio garantiram uma produção primorosa, com a construção de cidades cenográficas completas montadas na Itália, com centenas de figurantes, objetos de cenas e tudo mais que pudesse remeter aos tempos áureos do nascente Império Romano.

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Ciarán Hinds (no centro) é Julio César. Ele morre no final. E isso não é spoiler!

Mas só dinheiro não faz uma grande série, se não houver um roteiro coerente e que prenda a atenção. Ainda que seja uma série histórica, e que não seja nenhum spoiler que Julio César (Ciaran Hinds) vai ser traído por Brutus (Tobias Menzies) e morto no Senado, o caminho a ser trilhado até este fim declarado é o que deve ser o diferencial.

 

 

 

 

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Licius Vorenus (Kevin McKidd) e Titus Pulo (Ray Stevenson)

A trama tem como fio condutor a relação de amizade entre Licius Vorenus (Kevin McKidd) e Titus Pulo (Ray Stevenson), que se inicia em uma batalha em nome de César e a partir de então acompanhamos de perto todos os principais eventos da História romana, da queda da República à instalação do Império. Como são personagens fictícios, os roteiristas tiveram total liberdade para brincar com suas trajetórias, e coloca-los como testemunhas dos momentos em que era impossível alterar.  A química entre Mckidd e Stevenson é intensa, e conseguem realmente transparecer uma relação forte  de amizade, companheirismo e respeito.

A vida de ambos, do início ao fim da série vai ser marcada por tragédias e acabarão interferindo nos eventos que conduzem à História “real”. Acompanhando a vida de ambos, passeamos pelos principais momentos da ascensão e queda de César e a guerra que se segue pelo poder que vai colocar Otávio contra o principal general de seu tio, Marco Antônio. Também através dos protagonistas, conseguimos ver os mais diferentes aspectos da vida comum dos romanos, suas relações sociais e pessoais, hábitos e práticas religiosas e uma agoniante cirurgia no cérebro.

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Átia (Polly Walker): tudo (mesmo) pelo poder!

Outro ponto intenso na série é o grande destaque dado às personagens femininas. Mesmo em uma sociedade patriarcal e de forte opressão à mulher, elas conseguem influenciar destinos. O principal destaque é a inescrupulosa e ambiciosa Átia (Polly Walker), sobrinha de Júlio César e principal líder da família dos Julios. Ela está por trás de todas as tramas que movem sua família ao centro do poder de Roma, e vai conseguir, mesmo sacrificando sua felicidade, tornar seu filho o maior líder da História de Roma.

Como estamos falando da HBO, não foi economizado cenas de nudez, sexo e muita violência. Mas nada gratuito, mas que se inserem naturalmente na narrativa, por buscar retratar com um maior realismo histórico uma época em que a noção de moral era totalmente diferente da nossa.

Uma série intensa e relativamente curta (apenas 22 episódios divididos em 2 temporadas) , visto que os altos custos acabaram por interromper a produção ao fim da segunda temporada, conseguiu terminar no auge e com um final redondo e coerente com a proposta da trama. Uma verdadeira obra de arte.

NOTA PARA A SÉRIE ROMA: 5 / 5 

Emissora de televisão: HBO
Transmissão original 28 de agosto de 2005 – 25 de março de 2007
N.º de temporadas 2
N.º de episódios 22

DISPONÍVEL NA NETFLIX? NÃO

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Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

Vale a Maratona?

VALE A MARATONA? | Club de Cuervos, que tal juntar as duas paixões, futebol e série?

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Estamos no País do futebol, que tal uma série explorando os bastidores de um clube? 

É uma das propostas de Club de Cuervos, série mexicana da Netflix que estreou em 2015, retratando o por trás das cortinas de um problemático clube de futebol e já está na sua terceira temporada.

O clube é o mediano Cuervos de Nuevo Toledo F.C, que encontra no apoio local de sua torcida e na sagacidade do seu presidente Salvador Iglesias as suas maiores forças. Ele que é considerado um herói local pelo fato de ter diversos investimentos pela cidade e pelo feito da compra do clube e de levá-lo a primeira divisão em apenas 3 anos.

Mas o amado presidente morre após uma parada cardíaca e o clube cai nas mãos de seus dois filhos, o irresponsável Salvador “Chava” Iglesias Júnior (bem interpretado por Luis Gerardo Méndez) e a metódica e rígida Isabel Iglesias (Mariana Treviño). Daí inicia-se uma disputa acirrada sem regras ou ética pela cadeira presidencial.

Os mexicanos são famosos por suas novelas e dramalhões, mas suas comédias dramáticas tem ganhado cada vez mais notoriedade e a Netflix enxergou bem isso e tem investido em várias produções em seu catálogo, e aqui acerta em cheio. A escalação do elenco é muito boa, as reviravoltas, o timing cômico, as propostas dramáticas, é tudo bem afinado.

Outro ponto positivo é que a série não fica refém dos acontecimentos em relação ao clube, há vários temas e personagens interessantes que rendem bem e a forma como tudo e todos são distribuídos é show de bola! É atrativo também que no inicio de cada episódio, uma frase do meio futebolístico é colocada e a sua abertura é contagiante e transmite a sensação de um pré-jogo, sensacional!

A segunda temporada mantém o ritmo da ótima primeira temporada, e se na primeira temporada Chava brilha mais, na segunda Isabel é a estrela maior. Mariana Treviño dá um show em seu papel, ela nos cativa e conquista, e ficamos apreensivos com seus tantos dramas e desafios. Ela enfrenta e derruba vários tabus enquanto ainda vive a rixa com Chava seu irmão.

A terceira temporada é corajosa, se arrisca mais na parte política, abre mão de alguns personagens e se mantém interessante, mas não tão brilhante como as duas anteriores. Uma inovação que nos é apresentada aqui são os flashbacks sobre Salvador Iglesias, que desenterra alguma fantasmas do passado e nos mostra como foi sua escalada de sucesso.

Club de Cuervos é uma série ágil, de diálogos afiados, boas reviravoltas, divertida e com um elenco no ponto exato e ainda por cima com a temática futebol, Vale a Maratona?

Claro, agora é só aproveitar a dica e correr pro abraço, digo, para a Maratona.

Nota para a série: 4.5 / 5 

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VALE A MARATONA? | The Good Place

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The Good Place, a série da Netflix que chegou ao fim da sua segunda temporada é um mar de criatividade. Impressiona como a complexidade do “bom lugar” pode ser divertida, numa trama que vai ficando cada vez mais espremida, e as saídas são sempre algo que não se espera. É uma série que sai do lugar comum e até agora não se acomodou, pelo contrário, arrisca-se e reinventa-se o tempo todo.

Criada por Michael Schur (The Office, Parks And Recreation) a série tem a ótima Kristen Bell (Veronica Mars), no papel de Eleanor Shellstrop, que após morrer de maneira estranha e até vergonhosa, é recepcionada por Michael (Ted Danson), o líder e arquiteto do “Bom Lugar”.

Muito elogiada pela sua honrada vida na Terra, e feitos humanitários, Eleanor é recebida com bastante alegria, mas…bem, as coisas não são o que parecem, aliás nada é o que parece e explicar mais que isso é risco de Spoiler.

A série brinca com Paraíso e Inferno, com a questão das boas e más ações e suas consequências vindouras, e com muita criatividade sem cair em momento algum na mesmice. O fato de cada temporada ser curta e dos episódios serem de apenas 22 minutos em média, deixa tudo rápido e ágil, mas sem afobação.

Ted Danson está divertidíssimo, as cenas com ele sempre rendem bem, ele nos cativa. Tanto que Danson faturou o Critics’ Choice Awards 2018 na categoria de Melhor Ator em Série de Comédia, prêmio merecidíssimo.

Mas tão interessante quanto ele é Janet (D’Arcy Carden), uma espécie de inteligência artificial possuidora de todo o conhecimento da terra com poderes quase ilimitados e onipresença e que é a assistente de Michael, é uma das melhores coisas da série. Sua interpretação vai evoluindo e ela aos poucos vai ganhando mais espaço e atenção à ponto de muitas vezes roubar a cena.

Aliás esse é o ponto forte da série, a evolução de seus personagens somado com a criatividade da história que também evolui e surpreende o tempo todo, principalmente no fim da primeira temporada. Competentemente os episódios nos prendem ao próximo e quase automaticamente maratonamos a série.

The Good Place é inovadora, criativa e divertida, tem um elenco afinado que se desenvolve bem numa trama inteligente. As duas temporadas da série estão disponíveis na Netflix, e a terceira já foi encomendada e contará com 13 episódios.

E sim, Vale a Maratona.

Nota para a série: 5 / 5 

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VALE A MARATONA? | River

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Se existe uma categoria de séries que podemos dizer que a TV nunca se cansa são as séries de investigação. Mas como se sobressair em uma categoria no limite da saturação?

A minissérie britânica River tem como diferencial brincar com uma questão interessante: o detetive John River (o excelente ator sueco Stellan Skarsgård) realmente vê e fala com os mortos ou tudo é fruto de sua mente perturbada?

 Ao longo dos 6 episódios, acompanhamos River em sua investigação para solucionar o assassinato de sua parceira Stevie (Nicola Walker), assassinada com um tiro na cabeça, onde a única pista disponível é um vídeo do crime e o carro utilizado pelo assassino. River encara uma cruzada pessoal em busca do suspeito, e ao longo de sua investigação vai mergulhando em um mundo de corrupção e intimidação, e revelando segredos que talvez ele seria mais feliz em não saber.

Se não bastasse seus problemas no trabalho, sua vida está uma completa bagunça, e ele tenta salvar seu casamento falido com terapia de casal, ao mesmo tempo em que se entrega em uma relação sadomasoquista com sua amante de longa data.

Durante a investigação, o detetive é atormentado pelos fantasmas (ou alucinações) da própria Stevie e de pessoas que morrem durante o processo. A série nunca deixa claro o que são estas visões, o que cria uma ambiguidade interessante no personagem, nos fazendo duvidar de sua sanidade, ao mesmo tempo que criamos empatia com ele por seu sofrimento (claro que ajuda e muito a atuação competente de Skarsgård).

A solução do conflito é inesperada e surpreendente, mas muito bem amarrada e construída, condizente com toda a trama desenvolvida ao longo da série, e o final absurdamente satisfatório e que encerra em alto estilo uma série com uma proposta simples e um resultado incrível.

 Nota para a 4ª Temporada: 4,5/ 5

 

Emissora original:  BBC One

Transmissão original: 13 de outubro de 2015

N.º de temporadas: 1

N.º de episódios: 6

DISPONÍVEL NA NETFLIX? SIM


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