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Críticas

A BRUXA | Filme traz de maneira pertubadora um personagem clássico de volta (contém spoilers)

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A mulher demônio. O sagrado feminino. O mais assustador exemplo de encantadora para o lado masculino. E provavelmente o mais difícil de resistir. Se tem algo que povoe a fantasia masculina, esse alguém são as bruxas. Mas nos últimos anos graças a seriados como Charmed, a reputação de seres endiabradas e dissimuladas havia caído em desuso, principalmente com a chegada da religião Wicca no Brasil que meio que revelou alguns segredos dessas mulheres que realmente tem conhecimento de ervas, tem vassouras em casa, mas que não voam como Harry Potter (pelo menos não como a galera pensa que acontece).

O se caracteriza como o Mal?

Mas peraí, as bruxas não enfeitiçam? Enfeitiçam sim. Alguns seriados começaram a trazer lentamente as feiticeiras para o seu lugar de encantadoras (lembra da cena do chamado da bruxa em AHS?), tais como Penny Dreadful (trazendo Eva Green para o estrelato), As Bruxas de East End (talvez o melhor seriado de bruxas já feito), The Vampire Diaries (as bruxas são muito importantes no seriado), Salem (onde os homens são apenas instrumentos nas mãos delas, vale uma resenha) e seriados que são “baseados” como Pretty Little Liars e outros.

Mas o ápice não tinha sido atingido, faltava um filme que realmente reapresentasse a personagem para uma nova geração. E esse filme pra variar tinha que ser europeu. Com um filme altamente psicológico, mas que atinge em cheio o seu objetivo, o sueco Robert Eggers (um diretor de poucos filmes até então) cria uma atmosfera ao mesmo tempo atraente e perturbadora para seu filme independente A Bruxa (The Witch, vários países, 2015, recebeu recomendação do Festival de Cinema de Sundance).

Prepare-se para uma experiência que vai te colar na cadeira

O filme tem uma premissa simples, de que as pessoas “civilizadas” mal tem noção do mal que os cerca. De maneira cruel, claustrofóbica e demoníaca, o filme traz de maneira simples a destruição de uma família cristã por um mal ancestral que não pode ser compreendido. Após ser deportado de uma comunidade por suas práticas cristãs muito ortodoxas, um patriarca colono, resolve desbravar uma área desabitada próxima a uma floresta e recomeçar suas vidas, até aí nada demais. Até que a filha mais velha do casal (Anna Taylor Joy, na atuação que provavelmente lhe deu o papel de Magia em Os Novos Mutantes) leva o mais novo pra brincar e o bebê recém-nascido, seu irmão, para a beira da floresta. Em um momento de descuido o bebê some como mágica. O que começa a trazer desespero à família.

Entra aí a sacada do filme, tendo suas convicções abaladas, o patriarca começa a tentar orar para que seu deus o ajude, mas logo começam a perceber a terrível verdade, de que ele naquele local não tinha nenhum poder. Após sair pela floresta em caçada ao bebê, o filho do meio é atraído para uma cabana caindo nas mãos da criatura. Após ser abusado sexualmente (recomendo a versão sem cortes) pela estranha mulher, é largado pela bruxa da floresta completamente enfeitiçado, com uma maçã enfiada na garganta, os pais até tentam retirar a ”programação” feita na mente do garoto, mas já era tarde, ele sucumbe à  possessão e morre.

Nesse meio tempo surge o real personagem. Um bode negro, capturado pelo patriarca, que as crianças (possuídas) começam a chamar de Black Philip. Enquanto isso a mãe tem suas convicções religiosas abaladas e começa a ser atacada por corvos negros (enviados pela bruxa) toda noite. Os corvos começam a sugar os seios cheios de leite da mãe que acredita estar amamentando suas crianças. Desesperado, o patriarca começa a suspeitar que a sua filha mais velha seja uma bruxa e esteja amaldiçoada, o que seria parte da verdade, mas na verdade Thomasin (coincidência com AHS não?) é posta em cheque enquanto os ataques continuam (inclusive elas voando em vassouras) e os seus filhos continuam desaparecendo.

Uma grande atuação que lhe deu o papel em Os Novos Mutantes

A partir daí deixo para quem for assistir o final desconcertante, mas se vocês pegaram a ideia, já sabem mais ou menos o que vai rolar. Em A Bruxa, o terror não está nos sustos (que sim realmente acontecem), mas na atmosfera criada que leva os personagens para um dos maiores bad ends que já presenciei no cinema. Isso fora que o mal é realmente atraente, visceral, sexual (lembrando As Bruxas de East End, Penny Dreadful e principalmente Salem) e realmente te desafio a não querer assistir esse filme mais de uma vez (só eu assisti 5 e sempre vejo algo novo). A Bruxa tem muito de seu conterrâneo americano The Blair Witch Project (A Bruxa de Blair, principalmente o terceiro). Pelo teor realmente psicológico, pode não agradar a todos, mas acredite esse filme realmente merece notação, tanto que graças a ele uma enxurrada de novos filmes sobre bruxas (mas com o mesmo tema), invadiram as telas (fiquem com o trailer, aviso, é de gelar o sangue).

NOTA PARA O FILME: 4,5 / 5

O lobo da noite. O nerd caçador. Sou criador de páginas, nativo da internet desde a chegada no nosso país, músico, escritor e as vezes até poeta. Jogador nato, criado nos games do Atari aos 4K atuais. Também sou fã de literatura, rpg e cyberpunk.

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