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Críticas

A CINCO PASSOS DE VOCÊ | Crítica do Neófito!

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O cinema, atualmente, divide-se em gêneros.

Desse modo, por exemplo, temos o gênero “filmes de terror”, que se dividem em subgêneros ou espécies, como “filmes de zumbis”; “filmes de psicopatas de adolescentes”; “refilmagens de filmes de horror japonês” etc.

No momento, o gênero mais badalado (e rentável) são os “filmes baseados em histórias em quadrinhos” (ou em super-heróis).

Mas não podemos nos esquecer, também, da onda de “distopias adolescentes” (Jogos Vorazes; Divergente; Maze Runner; Doador de Memórias etc.).

Fotos: Divulgação

‘Correndo por fora’, parece que vem se consolidando um subgênero (ou espécie) do gênero drama nos cinemas: os chamados “filmes sobre dramas adolescentes”, dos quais o representante máximo é, sem dúvidas, A Culpa é das Estrelas (2014). Nessa esteira, pode-se, ainda, citar o filme Tudo e Todas as Coisas (2017); Se Eu Ficar (2014); Todo Dia (2018) etc. Para quem os assistiu, claro que é possível notar algumas variáveis a esse subgênero, com alguns recorrendo ao sobrenatural, outros à ficção, alguns bem “pé no chão” e por aí vai.

Foto: Divulgação

A fórmula é conhecida: um casal de adolescentes ou jovens adultos, sempre na casa dos 17 a 20 anos, apaixona-se perdidamente, apesar das diferenças de temperamento ou de alguma doença/destino/força/evento-trágico que os impede de consumar seu amor e viver um “felizes para sempre”.

Tais obras têm o mérito de abordarem temas fortes e sérios (como morte, doença, resiliência, determinação) essencialmente voltados para um público predominantemente jovem, mas, ao mesmo tempo, não abrem mão do quesito “conto de fadas”, com leve inspiração em Romeu e Julieta, de Shakespeare, nos quais dois adolescentes se apaixonam, crendo que aquele amor (medieval no caso de Shakespeare) seria eterno (e não fruto de hormônios em ebulição).

Esse é o caso de A Cinco Passos de Você, que segue a fórmula descrita acima à risca.

Somos, então, apresentados à Stella (personagem da bela Haley Lu Richardson), 17 anos, praticamente uma residente de um hospital no qual se submete a um tratamento experimental, em razão de sofrer de fibrose cística, doença genética incurável que compromete o funcionamento dos pulmões e pode levar a pessoa a morrer asfixiada com as próprias secreções e muco que o corpo passa a produzir descontroladamente.

Stella, apesar da doença, é linda, divertida, youtuber, descolada, superorganizada, controladora, aparentemente conformada, muito dedicada ao tratamento, além de conhecer todo mundo do hospital.

Na mesma ala do hospital, também se encontra internado, pelo mesmo problema, Poe (Moises Arias), melhor amigo de Stella, também, com 17 anos e gay assumido.

Não demora muito para a chegada de Will (interpretado por Cole Sprose, o garotinho do filme O Paizão, de 1999, estrelado por Adam Sandler), que é portador de uma variação mais severa ainda da fibrose cística. Ao contrário de Stella, Will é rebelde, nada dedicado ao seu tratamento e cheio de amargura.

Foto: Divulgação

Claro que, apesar das diferenças, a doença em comum – e os dramas dela decorrentes, como questionamento sobre vida, morte, alma, “tratar-se ou não tratar-se, eis a questão” etc. – vai ligar de forma definitiva Stella e Will, que logo se apaixonarão (você não acha que isso é um spoiler, acha?).

No entanto, os dois não podem se tocar, tendo que manter uma distância segura de 6 passos um do outro, que é considerada a ideal para que a bactéria mais severa dele não passe para ela, o que representaria morte quase certa para Stella (não, você não leu errado! A distância de segurança são 6 passos; os 5 passos do título serão explicados ao longo do longa).

Cenas tocantes e pungentes se desenrolarão na tela pelos quase 120 minutos de filme (que, positivamente, não se mostram arrastados, fazendo com que não percebamos o tempo de projeção), com as obrigatórias reviravoltas, recusas, reconquistas, um drama, uma provação apoteótica, até o final que, na verdade, já havia sido indicado na primeira fala do longa.

Foto: Divulgação

O diferencial do filme está no carisma dos atores principais relativamente desconhecidos, mas muito belos e dedicados (a magreza do casal, para indicar uma das consequências da doença, é impressionante). Quem poderia ter se destacado mais é Moises Arias e seu alegre e apaixonante Poe, mas, ao final, seu personagem se mostra bastante arquetípico, quase uma caricatura do “amigo gay da mocinha”, apesar de também ser interpretado de forma competente.

(um detalhe é que todo o elenco principal é branco e de classe média-alta; a única negra do casting é Kimberly Hebert Gregory, no papel da enfermeira Barb, que, de tão emocionalmente envolvida com os pacientes, usa a severidade como forma de protegê-los; e a médica responsável pelo tratamento experimental, a descendente de indianos, Parminder Nagra, que dá vida à Dra. Hamid)

Quem se destaca, mesmo é Haley Lu Richardson e sua Stella. Capaz de ir do riso fácil ao choro sentido com uma naturalidade incrível, a atriz domina a tela com sua beleza, seu charme e sua verossimilhança. Cole Sprouse segura bem as pontas (mas não importa muito, pois, ele é “lindo”!!).

Os personagens coadjuvantes no geral também têm pouco o que fazer na tela a não ser servirem de apoio ou mero suporte fático para o casal principal. Dos mais conhecidos nomes do elenco, destaca-se Claire Forlani (Encontro Marcado), no papel da mãe de Will, que não fica 10 minutos em tela.

Foto: Divulgação

A trilha sonora é sutil, ajuda na construção do clima, sem incomodar; mas a fotografia é mediana, tornando o ambiente hospitalar muito mais claro e “aconchegante” do que se poderia esperar e sem conseguir transmitir a beleza da cidade onde a história se passa.

O final é previsível, mas, ao mesmo tempo, traz uma variação ao que se poderia esperar do tema deste subgênero cinematográfico.

Muitos poderão ‘catarticamente’ chorar durante o filme, ou sonhar com um amor daqueles.

Mas arrisco dizer que serão aqueles que estarão “contaminados” pelo vírus do romantismo crônico.


Nota: 3 em 5 (bom)

Sou um quarentão apaixonado pela cultura pop em geral. Adoro quadrinhos, filmes, séries, bons livros e música de qualidade. Pai de um lindo casal de filhos e ainda encantado por minha esposa, com quem já vivo há 19 bons anos, trabalho como Oficial de Justiça do TJMG, num país ainda repleto de injustiças. E creio na educação e na cultura como "salvação" para nossa sociedade!!

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