Connect with us

Críticas

BRIGHT | Mais um projeto suicida de Will Smith (crítica com spoilers)

Publicado

em

ATENÇÃO: O Texto a seguir possui spoilers sobre a trama do filme. Se você ainda não assistiu, e não quer saber informações relevantes, pare por aqui, leia nossa crítica sem spoilers, assista e depois retorne!

Resultado de imagem para bright

Sabe quando você seleciona uma receita que parece excelente, que dá vontade de comer o papel de tão gostosa. Aí você compra os ingredientes, gasta até pra comprar um ingrediente caro, leva tudo para sua casa, e quando começa a fazer, percebe que aquilo está desandando, e no final termina com um prato sem sabor, mas que você teima em servir mesmo assim?

É exatamente isso que senti assistindo Bright, produção original da Netfix. A receita é ótima: um mundo onde orcs, elfos e humanos evoluíram juntos, no qual os orelhas pontudas são a elite econômica e os “porcos” são discriminados, quase que reproduzindo o apartheid. E é nesse mundo que Jakoby consegue se tornar o primeiro orc policial dos Estados Unidos. (confesso que essa história já vi muito melhor contada em Zootopia, mas mesmo assim é uma historia com potencial).

A sequência dos créditos iniciais é uma das melhores coisas do filme. Através de sequências mostrando placas de rua (que separam os distritos por raças) e também as pichações dão o tom desse mundo.

Mas quando o personagem Ward (de Will Smith, o ingrediente mais caro dessa receita) é introduzido e ele está matando um “fada”, aí que você percebe que a receita desandou. Do nada, ele solta a frase mais sem noção do filme (e olha que a nação se perdeu feio nesse filme): “A vida dele não vale nada!” Sério, essa frase é muito solta, e pior, transmite um pensamento que acaba não condizendo com o personagem. Aliás, Ward é um poço de contradição: ao mesmo tempo que afirma para sua filha que todo são diferentes, mas cada um tem seu valor pessoal, se mostra incrivelmente racista e preconceituoso com seu amigo orc, mas muda radicalmente de uma hora pra outra, sem nenhuma explicação clara.

Esta aliás é uma abordagem que o filme falha miseravelmente em estabelecer, ficando apenas no chavão. Retratar os orcs apenas como gângsters e criminosos, sempre apanhando da polícia e fazendo atividades marginais passando a impressão de que eles merecem a desconfiança que recebem, e não ajuda na construção de empatia pelos personagens; e pior é retratar os policias de Los Angeles agindo como valentões de escola, com direito a plaquinha de “me chute” nas costas do colega policial.

Mas a vaca vai pro brejo de vez em quando e entra o elemento de 10 em 10 roteiros sem criatividade: a Profecia!

O filme já abre com uma frase que introduz a isso (e dá uma ênfase como se TODO MUNDO conhecesse as palavras de um livro sagrado que só existe em um mundo que será apresentado no filme que está apenas começando!), e quando um cara é preso atrapalhando o trânsito com uma espada enferrujada (que você acha que terá alguma importância, mas logo some, o cara e a espada) ele anuncia na “língua dos orcs”: O policial Ward é o prometido!

Esse elemento pode ser válido se bem explorado, mas aqui ele é mais clichê que gato preto pulando no escuro em filme de terror. Mal explorado, introduzido porcamente, o desenrolar da história se torna ainda mais confuso ao introduzir uma guerra de clãs, O Escudo da Luz e os Inferni (que destruiriam os Iluminati!!!).

Daí é mais uns 40 minutos de correria sem sentido, tiroteios, orcs malandros, elfos lutadores de kung fu, e uma assassina implacável, e você se perde bonito no meio de tanta confusão, que não dá mais para lembrar de quem especificamente eles estão fugindo. E ainda tem a “arma de destruição em massa” que move toda a trama: uma varinha de condão! Sério, o objeto mágico é tratado nesse universo como um artefato quase divido, e que somente pode ser tocado pelos Bright (há, o título!).

A tentativa de causar tensão com a morte do orc gente boa (não sem antes ter aquele momento piegas do filho do bandido que foi salvo pelo policial lá no começo do filme) é tão anticlímax que ninguém consegue sentir, seja pela rapidez da trama, como por ficar mais que claro que a elfa renegada vai trazer ele de volta à vida com a tal varinha (e do nada a “orcaiada” está de joelhos para ele).

Ainda tem a “grande” revelação final, quem já assistiu pelo menos dois filmes norte-americanos “fast-food” já percebeu na primeira cena: Ward é um Bright, ele que vai segurar a tal varinha e resolver os problemas, matando a vilã e salvando o dia. Mas ainda tem mais uma tentativa (novamente frustrada) de fazer suspense com a conclusão, de Jakoby e Ward presos no hospital, sendo interrogados pelos federais (que foram vendidos como vilões no começo do filme, mas na real eram gente boa) e sendo condecorados. Final feliz para todos!? Menos para o público que aguenta um filme tão sem conexão, sem regras próprias, sem desenvolver aquele mundo de uma maneira diferente do real (até porque em um mundo onde existe magia, as coisas não poderiam ter evoluído exatamente como em nossa realidade).

Uma pena, a receita era muito boa, mas o cozinheiro errou a mão e deixou o caldo desandar! Melhor tentar de novo, Dona Netflix!

NOTA PARA O FILME: 2 / 5 

 

Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

Críticas

TITANS | Bom episódio “filler” – Episódio #09: Hank and Dawn (Crítica)

Publicado

em

Créditos: DC Universe - Warner Bros. Pictures - DC Entertainment

Após termos um ótimo desenvolvimento com a presença marcante e imponente da Moça-Maravilha (Donna Troy), Titãs nos mostra essa semana um episódio filler para “lembrarmos” do casal coadjuvante de heróis Rapina e Columba, fazendo com que eles sejam reinseridos nos acontecimentos da série deforma bastante interessante.

Após termos um ótimo desenvolvimento com a presença marcante e imponente da Moça-Maravilha (Donna Troy), Titãs nos mostra essa semana um episódio filler para “lembrarmos” do casal coadjuvante de heróis Rapina e Columba, fazendo com que eles sejam reinseridos nos acontecimentos da série de forma bastante interessante.

Com uma narrativa bem própria das HQs, este episódio de origem envolvendo “Hank e Dawn” nos serviu para conhecermos como o casal acabou se unindo de forma bastante obscura. Com o roteiro feito por Geoff Johns, temos aqui o capitulo com o desvio mais significativo que a série tomou até agora. Normalmente,podemos pelo menos contar com Dick Grayson para servir como a ponte entre seu time e quaisquer outros heróis que o programa esteja tentando colocar, mas este acabou por ser o primeiro episódio sem tempo de tela para Brenton Thwaites

O único envolvimento conectivo real aqui foi algumas imagens de Rachel buscando mentalmente a ajuda de Hank e Dawn. Isso ajuda a construir uma certa dose de suspense quando nos perguntamos o quão ruim as coisas estão ficando em Ohio. Mas mesmo assim, a natureza isolada desse episódio deu a sensação de ser um piloto quase certo para um spinoff dos heróis Rapina e Columba, o que faz a série dos Titãs como o principal pilar deste universo que deverá se expandir ainda mais.

Com uma visão bem desenvolvida da história trágica de Hank Hall e Dawn Granger. Hank, especialmente, ganha uma nova profundidade aqui, como vemos o quão profundo é seu sofrimento físico e psicológico. Suas demonstrações externas de bravatas assumem um contexto totalmente diferente,agora que sabemos que ele está reprimindo algumas lembranças verdadeiramente terríveis de sua infância. Alan Ritchson faz uma grande performance aqui,capturando o lado lúdico de Hank quando ele embarca em sua carreira e a dor interior alimentando o personagem.

Também é um deleite agradável para ver o Columba original, Don Hall (Elliot Knight). Este episódio consegue estabelecer com eficiência o tom de seu relacionamento e o importante papel que Don desempenhou na vida de pré-super-herói de Hank. Há um bom senso de dualidade para Don aqui, pois ele é o garoto inocente que Hank está tentando proteger a todo custo e aquele que por sua vez tem que proteger Hank de si mesmo. Don mostra que ele pode ser tão imprudente quanto seu irmão mais velho nas circunstâncias certas. É uma pena que aparentemente não consigamos ver mais desses dois personagens juntos, embora você nunca tenha tanta certeza em uma série de super-herói, ainda mais com a possibilidade do spinoff dos heróis.

Já a nossa querida Dawn não recebe tanta atenção quanto seu futuro namorado e super-herói, infelizmente. Nós só recebemos algumas dicas sobre seu passado e história da família, principalmente através daquela breve cena de balé e do almoço com sua mãe (Marina Sirtis). Ainda assim,esse material funciona bem em termos de estabelecer Dawn como uma mulher com uma longa história de auto sacrifício que cuida de entes queridos. Minka Kelly consegue trazer uma tristeza silenciosa, mas palpável para o papel que realmente combina com Dawn. Ela também tem uma grande fisicalidade que é necessária para uma bailarina fazer essa transição para o vigilantismo.

Mesmo ambos sendo diferentes, a união é inevitável com Rapina se tornando o herói precipitado propenso à violência, enquanto Columba é a metade pacífica e calmante dessa dupla dinâmica. Por mais frustrante que seja ter um episódio de flashback neste momento da temporada, a revelação de que Rachel quer que Rapina e Columba encontrem Jason Todd é uma boa jogada. Isso sugere que há um plano real para todos esses personagens coadjuvantes que fizeram sua estreia ao longo da temporada. Com isso podemos imaginar que a formação dos Titãs irá crescer, mesmo que isso provavelmente deva acontecer no clímax final da primeira temporada, algo interessante está sendo preparado e este bom episódio não foi apresentado atoa, para nossa alegria.

Nota para o episódio: 4,5 / 5

 

Confira a promo em vídeo do episódio 10, intitulado “Koriand’r”:

Leia mais sobre Titans

Leia as críticas sobre cada episódio da série:

TITANS | Primeiras impressões da nova série do DC Universe

TITANS | Série começa a “voar”! Episódio #02: Hawk and Dove (Crítica)

TITANS | Lento, mas bem interessante! Episódio #03: Origins (Crítica)

TITANS | Fenomenal! O “Destino” os uniu! Episódio #04: Doom Patrol (Crítica)

TITANS | Enfim, juntos! Titãs, atacar! Episódio #05: Together (Crítica)

TITANS | Dupla de prodígios! Episódio #06: Jason Todd (Crítica)

TITANS | O esquisito e lento “check-up” nos heróis – Episódio #07: Asylum (Crítica)

TITANS | “Maravilha” de episódio – Episódio #08: Donna Troy (Crítica)


SIGA-NOS nas redes sociais:

FACEBOOK: facebook.com/nerdtripoficial
TWITTER: twitter.com/nerdtripoficial
INSTAGRAM: instagram.com/nerdtrip_
VISITE NOSSO SITE: www.nerdtrip.com.br


Leia outras notícias do Nerdtrip e confira também:

CCXP 2018 | Edição limitada do Falcon esgota em menos de duas horas

PREY: TYPHON HUNTER | Atualização chega em 11 de dezembro com modo multiplayer e experiência em VR

GOTHAM | Atores comentam a 5ª temporada da série em primeira prévia divulgada

TITANS | “Maravilha” de episódio – Episódio #08: Donna Troy (Crítica)

BLACK CLOVER | Confira o título e prévia do episódio 62 do anime

MESTRE DO KUNG FU | Herói pode aparecer em Homem Aranha: Longe de Casa?

CAPITÃ MARVEL | Poderosa e…confusa! Novo trailer mostra a força da heroína!

 

Continue lendo

Críticas

TITANS | “Maravilha” de episódio – Episódio #08: Donna Troy (Crítica)

Publicado

em




Foto - Divulgação

O episódio da semana passada de Titãs viu a conclusão do segundo grande arco da temporada. Com a mãe de Rachel recuperada e seus captores eliminados, a equipe tem a chance de respirar em breve calmaria. Mas como se recuperar deste tipo de trauma que nossos heróis acabaram de passar no asilo?

“Donna Troy” tem uma resposta para nós. O episódio de recuperação é como um elemento padrão na televisão de gênero como qualquer outra coisa. É uma tática de ritmo; uma forma de a equipe de criação emplacar momentos de alto risco nos episódios. O episódio desta semana deixa a tensão um pouco baixa para que possa ser mostrado algo novo que se encaixa a tempo para o final da temporada.

Eis que nos é apresentado uma personagem bastante importante no Universo DC, Donna Troy, que é mais conhecida por Moça-Maravilha, a sidekick da Mulher-Maravilha. Quando ela aparece pela primeira vez neste episódio, é justamente em um dos momentos mais reveladores deste universo que a série Titãs está desenvolvendo, existe uma Liga da Justiça, o Coringa é extremamente louco e o Batman e a Mulher-Maravilha mantém uma amizade próxima, igual foi retratado nos cinemas, e isso acaba também refletindo nos jovens ajudantes. A química entre Donna e Dick ainda adolescentes é incrível e desde o início a presença desta boa personagem destaca que teríamos sim uma “Maravilha” de episódio.

Isso é importante, considerando que “Asylum” foi talvez o episódio mais sombrio e esquisito que tivemos. Sabemos que Robin é uma pessoa assombrada por um trauma que o levou a alguns lugares emocionais desagradáveis. No flashback, Dick fica incomodado depois de uma missão com o Morcegão e Donna não minimiza a importância do que Dick acabou de passar. Em vez disso, ela o reorienta e lembra sua missão. Neste ponto chave fica claro que ela é um ponto de estabilidade na vida do “Garoto Maravilha” e agora sabemos o porquê dele ter ido atrás dela novamente.

Suas experiências nesse lugar são o fundo do poço que ele precisa procurar ajuda. Ele tem o resto dos Titãs, com certeza. Mas, como ele diz a Kory, eles não podem ajudá-lo com isso. Isso não é apenas Dick estando distante, ele é esperto o suficiente para saber que Kory está em um lugar escuro e não pode tirá-la do seu próprio buraco. Gar não está preparado para lidar com esse tipo de coisa, e Rachel tem a chance de ser feliz. Para Dick, esse é um grande progresso do cara que vimos no piloto.

A tentativa de Donna de trazer Dick para a parte normal de seu mundo, mesmo por uma noite, fornece um pouco de comédia. Dick é um cara tão abotoado que suas tentativas de agir normalmente em meio a um grupo de apreciadores de arte da alta sociedade nos dão alguns momentos engraçados. É difícil não sorrir quando um cara que tenta bater em Dick recebe um longo e intenso monólogo sobre as habilidades fotográficas de Donna e as capacidades de sua câmera. É também uma história eficiente, usando as memórias de Dick para nos dar uma ideia de como um super-heroína criada em Themyscira se tornou fotógrafa.

A subtrama envolvendo a investigação de Donna é mais sobre ela e Dick do que a trama em si. Sua competência e sua falta de confiança em qualquer outra pessoa está bem à vista, e isso leva a um passo importante no caminho de Dick para se tornar o Asa NoturnaEnquanto isso, o resto da equipe vai para a antiga casa de Angela para obter algum sossego. Isso significa uma viagem de trem, que é uma oportunidade para alguma interação entre os personagens. Kory e Gar ficam juntos em alguns momentos, o que serve principalmente para termos boas palavras entre ambos, Gar fala um pouco sobre ele ter matado um médico no asilo e como isso está afetando-o, mas é Kory quem acaba recebendo um bom desenvolvimento

Aqui ela habilmente entra como um líder de equipe, oferecendo alguns conselhos a Gar e os guiando para longe de problemas quando a CIA aparece para tentar pegar ela. Rachel e Angela também ficam um tempo juntas, o que nos dá mais algumas respostas do passado dela e esses momentos mostram uma boa aproximação emocional entre as personagens.

Falando em aproximação, a conclusão final para que Donna tenha tanta participação (para nossa alegria!) é que ela compreende os escritos de Kory, permitindo que ela perceba que Kory está entre nós para matar Rachel. Isso também nos dá um forte gancho para o que resultará no final da temporada, pois é seguro dizer que Kory não estará assassinando a principal membro do elenco e sua futura amiga. Aqui fica o grande enigma para sabermos também se Kory tem algum envolvimento com o pai de Rachel. Por enquanto nada forçado, todos do elenco principal continuam nos impressionando e o potencial acréscimo de Donna Troy é um indicativo ainda mais promissor para o futuro desta ótima série.

Nota para o episódio: 4,5 / 5

 

Confira a promo em vídeo do episódio 09, intitulado “Hank and Dawn”:

Leia mais sobre Titans

Leia as críticas sobre cada episódio da série:

TITANS | Primeiras impressões da nova série do DC Universe

TITANS | Série começa a “voar”! Episódio #02: Hawk and Dove (Crítica)

TITANS | Lento, mas bem interessante! Episódio #03: Origins (Crítica)

TITANS | Fenomenal! O “Destino” os uniu! Episódio #04: Doom Patrol (Crítica)

TITANS | Enfim, juntos! Titãs, atacar! Episódio #05: Together (Crítica)

TITANS | Dupla de prodígios! Episódio #06: Jason Todd (Crítica)

TITANS | O esquisito e lento “check-up” nos heróis – Episódio #07: Asylum (Crítica)


SIGA-NOS nas redes sociais:

<

p style=”text-align: justify;”>FACEBOOK: facebook.com/nerdtripoficial
TWITTER: twitter.com/nerdtripoficial
INSTAGRAM: instagram.com/nerdtrip_
VISITE NOSSO SITE: www.nerdtrip.com.br


Leia outras notícias do Nerdtrip e confira também:

BLACK CLOVER | Confira o título e prévia do episódio 62 do anime

MESTRE DO KUNG FU | Herói pode aparecer em Homem Aranha: Longe de Casa?

CAPITÃ MARVEL | Poderosa e…confusa! Novo trailer mostra a força da heroína!

O RETORNO DE MARY POPPINS | Walt Disney Studios lança trailer legendado em português

ESCONDIDO NA NETFLIX | “Antes do Adeus”, você vai amar assistir




Continue lendo

Críticas

A VIDA EM SI | O “Pulp Fiction” dos Dramas

Publicado

em




 

Foto: divulgação

O grande Aristóteles dedica quase uma obra inteira de sua autoria – A Poética – para descrever a importância da tragédia, bastante apreciada no teatro grego de sua época e até hoje, seja no cinema, na televisão ou no seu berço teatral. Só não é bem-vinda na vida real de cada pessoa, pois, invariavelmente, representa doses cavalares de dor e sofrimento. Ver uma tragédia como Édipo provocava uma catarse no público, bem como empatia e compaixão. Daí ser considerada não apenas a espécie mais nobre de teatro, como também necessária.

A Vida em Si (Life Itself), filme que estreia no circuito nacional em breve, escrito e dirigido por Dan Fogelman – também o escritor e diretor esporádico de This Is Us, a premiada série dramática produzida pela NBC e que já conta com 3 temporadas de 18 episódios, centrada na vida cotidiana de pessoas comuns que possuem dramas pessoais, alegrias e sofrimentos, sempre permeados com muitos flashbacks – tenta ser uma tragédia, mas consegue, no máximo, ser um melodrama, ainda bem que não dos “baratos”.

Foto: divulgação

O elenco é recheado de estrelas de “segunda grandeza” de Hollywood – Olivia Wilde (House, Cowboys vs Aliens), adorável, linda e subestimada; Annette Bening (Beleza Americana), correta; Antonio Banderas, no piloto automático etc. – apesar das nobres presenças de Samuel L. Jackson (Nick Fury do MCU), em uma divertida participação especial; e de Oscar Isaac (X-Men: Apocalipse, atual trilogia Star Wars), numa interpretação muito boa e convincente como o traumatizado Will.

Aliás, falar em Samuel “the man” L. Jackson é praticamente obrigatório, haja vista o filme de Fogelman, mesmo sendo um “drama”, quase gritar querer prestar homenagem à Pulp Fiction – um dos filmes mais icônicos do icônico ator – seja com citações diretas ou indiretas, seja na própria estrutura narrativa, dividida episodicamente em 4 “capítulos” bem marcados e um epílogo não anunciado, com personagens aleatórios cuja história vai se fundindo pouco a pouco, inclusive numa última “coincidência” que é difícil engolir e que deveria servir de “grande surpresa”, mas que pode ser antevista bem antes do arco final.

Foto: Divulgação

O filme todo, na verdade, é um grande exercício narrativo, levando a estrutura de This Is Us – flashbacks, cenas aparentemente triviais que guardam grande significado, personagens comuns etc. – para a tela grande com um pouco mais de experimentação (algumas passagens temporais são mais ‘criativas’ e ‘cinematográficas’). Nem dá para falar que o filme se divide nos tradicionais arcos narrativos, pois, sendo episódico, a cada novo ‘capítulo’ tem-se a apresentação e desenvolvimento de personagens, o desdobrar da história e uma conclusão.

Quanto à história, ela se passa num momento temporal contemporâneo indistinto, que vai de um passado recente a um futuro próximo, mas sem se preocupar com nenhum tipo de mudança ou sinal exterior, a não ser muito sutilmente no uso de celulares e notebooks. É como se o filme quisesse dizer que, não importando em que tempo se esteja, os dramas humanos (e os próprios humanos) continuam sendo os mesmos, sendo isso o que importa e ponto final.

Há bastante tragédia na história, ainda que contada de forma surpreendentemente leve para o nível dos acontecimentos: atropelamentos, suicídios, câncer etc., destacando-se o primeiro e o quarto capítulos como os melhores e mais bem-acabados.

Aliás, digno de aplausos que grande parte do filme seja falado em espanhol.

Em termos de premissa, a personagem de Olivia Wilde, Abby Dempsey, elabora uma tese na universidade sobre não haver nenhum narrador confiável a não ser a vida, que também não é confiável e, a partir disso – didaticamente martelado na cabeça do espectador – Fogelman tenta fazer o mesmo com seu filme o tempo todo, algumas vezes com sucesso e outras (talvez a maioria) com menor acerto.

Em termos de interpretação, é preciso novamente citar Olivia Wilde e seu tremendo carisma e beleza, sendo uma atriz evidentemente subestimada em Hollywood. Sua Abby é belíssima exterior e interiormente, muito graças à entrega de Wilde, mesmo quando usando uma barriga estupidamente falsa de grávida.

Oscar Isaac surpreende com seu dramático e apaixonado Will, convencendo o espectador de todo o amor que ele sente por sua mulher e provocando a maior surpresa do filme.

Foto: divulgação

Antonio Banderas surpreende pela excelente forma física apresentada aos 58 anos de idade, conseguindo imprimir uma interpretação sutil ao seu Mr. Saccione, mas sem muita dificuldade para quem já deu vida aos loucos personagens de Almodóvar em sua fase mais crua.

O ator espanhol Sergio Peris-Mencheta – mais conhecido do grande público mainstream pelo seu físico avantajado e papel secundário em Rambo V – com o seu Javier, é outra grata surpresa em tela, gravitando entre o grave, o soturno, o bruto e o alegre com muita desenvoltura; pena que seu arco tenha que ter sido claramente encurtado, apressando a história que estava sendo contada de forma tão interessante para um desfecho apressado.

Ao final da exibição, fica-se com aquela impressão de leveza e talvez (para os mais sensíveis) de algumas lágrimas furtivas; sensações emuladas ao se assistir a um episódio ou temporada de This Is Us. Algumas excelentes boas intenções, algumas execuções certeiras e outras nem tanto – como, novamente, a “coincidência” final altamente forçada – recheiam este pacote melodramático que é facilmente assistível, mas que não deixa de ter gosto de telinha.

Aliás, com tantos blockbusters nos cinemas, difícil acreditar que a trajetória de A Vida Em Si será de grande relevância no circuito das salas brasileiras e mundiais, talvez do mesmo modo como é a própria vida de todos os Will’s, Abby’s, Javier’s e cia. Ltda. que existem por aí, às vezes dentro da nossa própria casa.


Pontuação de 0 a 5

Nota: 3 (bom)


SIGA-NOS nas redes sociais:

FACEBOOK: facebook.com/nerdtripoficial
TWITTER: twitter.com/nerdtripoficial
INSTAGRAM: instagram.com/nerdtrip_
VISITE NOSSO SITE: www.nerdtrip.com.br

_________________________________________________________________________________________________

Leia outras notícias do Nerdtrip e confira também:

BLACK CLOVER | Confira o título e prévia do episódio 61 do anime

TEEKCAST #48 | Liga da Justiça com atores brasileiros

TITANS | O esquisito e lento”check-up” nos heróis – Episódio #07: Asylum (Crítica)

AS VIÚVAS | Crítica do Filme “De Ação” do Diretor Steve McQueen

CRÔNICAS DA MAGIA PROFUNDA | Nerdtrip lançará história original em dezembro de 2018

O REI LEÃO | Disney libera primeiro trailer oficial da adaptação em live-action!

AS VIÚVAS | Crítica do Filme “De Ação” do Diretor Steve McQueen

ROBIN HOOD: A ORIGEM | “Mistura de Arrow com Crepúsculo?” Crítica do Don Giovanni

 




Continue lendo
Advertisement

Receba as novidades do Nerdtrip em seu e-mail!

Insira seu endereço de e-mail para embarcar nessa Viagem Nerd!

Advertisement

Mais lidos da semana


WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
%d blogueiros gostam disto: