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Críticas

BRIGHT | Mais um projeto suicida de Will Smith (crítica com spoilers)

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ATENÇÃO: O Texto a seguir possui spoilers sobre a trama do filme. Se você ainda não assistiu, e não quer saber informações relevantes, pare por aqui, leia nossa crítica sem spoilers, assista e depois retorne!

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Sabe quando você seleciona uma receita que parece excelente, que dá vontade de comer o papel de tão gostosa. Aí você compra os ingredientes, gasta até pra comprar um ingrediente caro, leva tudo para sua casa, e quando começa a fazer, percebe que aquilo está desandando, e no final termina com um prato sem sabor, mas que você teima em servir mesmo assim?

É exatamente isso que senti assistindo Bright, produção original da Netfix. A receita é ótima: um mundo onde orcs, elfos e humanos evoluíram juntos, no qual os orelhas pontudas são a elite econômica e os “porcos” são discriminados, quase que reproduzindo o apartheid. E é nesse mundo que Jakoby consegue se tornar o primeiro orc policial dos Estados Unidos. (confesso que essa história já vi muito melhor contada em Zootopia, mas mesmo assim é uma historia com potencial).

A sequência dos créditos iniciais é uma das melhores coisas do filme. Através de sequências mostrando placas de rua (que separam os distritos por raças) e também as pichações dão o tom desse mundo.

Mas quando o personagem Ward (de Will Smith, o ingrediente mais caro dessa receita) é introduzido e ele está matando um “fada”, aí que você percebe que a receita desandou. Do nada, ele solta a frase mais sem noção do filme (e olha que a nação se perdeu feio nesse filme): “A vida dele não vale nada!” Sério, essa frase é muito solta, e pior, transmite um pensamento que acaba não condizendo com o personagem. Aliás, Ward é um poço de contradição: ao mesmo tempo que afirma para sua filha que todo são diferentes, mas cada um tem seu valor pessoal, se mostra incrivelmente racista e preconceituoso com seu amigo orc, mas muda radicalmente de uma hora pra outra, sem nenhuma explicação clara.

Esta aliás é uma abordagem que o filme falha miseravelmente em estabelecer, ficando apenas no chavão. Retratar os orcs apenas como gângsters e criminosos, sempre apanhando da polícia e fazendo atividades marginais passando a impressão de que eles merecem a desconfiança que recebem, e não ajuda na construção de empatia pelos personagens; e pior é retratar os policias de Los Angeles agindo como valentões de escola, com direito a plaquinha de “me chute” nas costas do colega policial.

Mas a vaca vai pro brejo de vez em quando e entra o elemento de 10 em 10 roteiros sem criatividade: a Profecia!

O filme já abre com uma frase que introduz a isso (e dá uma ênfase como se TODO MUNDO conhecesse as palavras de um livro sagrado que só existe em um mundo que será apresentado no filme que está apenas começando!), e quando um cara é preso atrapalhando o trânsito com uma espada enferrujada (que você acha que terá alguma importância, mas logo some, o cara e a espada) ele anuncia na “língua dos orcs”: O policial Ward é o prometido!

Esse elemento pode ser válido se bem explorado, mas aqui ele é mais clichê que gato preto pulando no escuro em filme de terror. Mal explorado, introduzido porcamente, o desenrolar da história se torna ainda mais confuso ao introduzir uma guerra de clãs, O Escudo da Luz e os Inferni (que destruiriam os Iluminati!!!).

Daí é mais uns 40 minutos de correria sem sentido, tiroteios, orcs malandros, elfos lutadores de kung fu, e uma assassina implacável, e você se perde bonito no meio de tanta confusão, que não dá mais para lembrar de quem especificamente eles estão fugindo. E ainda tem a “arma de destruição em massa” que move toda a trama: uma varinha de condão! Sério, o objeto mágico é tratado nesse universo como um artefato quase divido, e que somente pode ser tocado pelos Bright (há, o título!).

A tentativa de causar tensão com a morte do orc gente boa (não sem antes ter aquele momento piegas do filho do bandido que foi salvo pelo policial lá no começo do filme) é tão anticlímax que ninguém consegue sentir, seja pela rapidez da trama, como por ficar mais que claro que a elfa renegada vai trazer ele de volta à vida com a tal varinha (e do nada a “orcaiada” está de joelhos para ele).

Ainda tem a “grande” revelação final, quem já assistiu pelo menos dois filmes norte-americanos “fast-food” já percebeu na primeira cena: Ward é um Bright, ele que vai segurar a tal varinha e resolver os problemas, matando a vilã e salvando o dia. Mas ainda tem mais uma tentativa (novamente frustrada) de fazer suspense com a conclusão, de Jakoby e Ward presos no hospital, sendo interrogados pelos federais (que foram vendidos como vilões no começo do filme, mas na real eram gente boa) e sendo condecorados. Final feliz para todos!? Menos para o público que aguenta um filme tão sem conexão, sem regras próprias, sem desenvolver aquele mundo de uma maneira diferente do real (até porque em um mundo onde existe magia, as coisas não poderiam ter evoluído exatamente como em nossa realidade).

Uma pena, a receita era muito boa, mas o cozinheiro errou a mão e deixou o caldo desandar! Melhor tentar de novo, Dona Netflix!

NOTA PARA O FILME: 2 / 5 

 

Professor de História e Grande apaixonado pela sétima arte e da maior premiação do cinema, o Óscar. Viciado em séries e Redador das colunas "Vale a Maratona" e "Papo de Cinema".

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