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JESSICA JONES | Só por hoje, a melhor temporada entre todas as séries da Marvel/Netflix – Crítica do Viajante

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Só por hoje.” Essas 3 palavras para alguém que luta contra qualquer tipo de dependência, seja ela química ou emocional, tem grande significado. Simboliza a luta para se manter em recuperação vivendo um dia depois do outro. E a segunda temporada da série “Jessica Jones” que foi disponibilizada no último dia 8 através da parceria Marvel/Netflix na rede de streaming trata do assunto “dependência” de maneira sutil e indireta ao longo de todos os seus 13 episódios.

A protagonista Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma a investigadora particular que mora de aluguel em um  apartamento que faz as vezes de escritório também, em um bairro decadente de Nova York. Intuitiva e inteligentíssima, além de ter “superpoderes” (ela tem força acima do normal e se se cura rapidamente), a moça tem traumas devido a perda de sua família em um acidente de carro na infância e do abuso sofrido por outro meta-humano, Zebediah Kilgrave, história contada na primeira temporada (também disponível na Netflix) da série e com o ator David Tennant  interpretando de forma magistral o vilão. Esses traumas levam Jones ao alcoolismo e a uma vida auto-destrutiva que a impedem de progredir profissionalmente e financeiramente além de tornarem-na paranoica e amargurada ao ponto de não confiar em ninguém, nem mesmo naqueles que nitidamente querem ajudá-la, no caso sua irmã postiça Patricia “Trish” Walker (Rachael Taylor) e seu vizinho Malcolm Ducasse (Eka Darville).

O que torna a série interessante é que ambos, tanto Trish quanto Malcolm, também são dependentes químicos. Ambos estão em recuperação, ou seja, estão limpos. A dependência química é uma doença incurável. Isso é um fato real. Os pacientes em “recuperação” não estão curados. Apenas em um tratamento que devem levar pelos restos de suas vidas e que pressupõe distância das substâncias dos quais são dependentes. Eles mantém um rígido programa que evita atitudes que possam levar a uma recaída. E os dois personagens estão na rota dessa recaída desde o primeiro episódio. 

Enquanto Trish está em uma cruzada egoísta cujo único objetivo é a auto-promoção disfarçada de altruísmo, Malcolm apenas trocou o foco de sua dependência de química para emocional ao se tornar um dependente de sexo compulsivo que se satisfaz todas as noites através de encontros casuais quase mecânicos com mulheres desconhecidas encontradas em sites de relacionamento.

Já Jessica Jones permanece na “ativa”, bebendo todos os dias sem perceber que perdeu o controle de sua própria vida (perceber isso seria o primeiro passo para a recuperação segundo os 12 passos de alcoólatras anônimos). Ela inclusive se mostra hipócrita ao recriminar Trish quando esta volta a usar substâncias psicoativas, no caso uma droga que lhe dá “poderes temporários” aumentando-lhe a força e o poder de concentração, porém causando terríveis ressacas posteriores. Jessica apresenta o típico comportamento do doente que vê a doença dos outros, mas nunca a sua própria.

Pessoas que não são dependentes e que nunca tiveram contato com o tipo de tratamento dado a eles, provavelmente não percebem a sutileza da história apresentada. De toda a forma o drama pode ser apreciado. Mas a forma como o assunto é abordado, me leva a crer que existiram entre os roteiristas, se não dependentes em recuperação, uma consultoria com médicos especializados na doença. 

Obviamente que em se tratando de uma história adaptada de quadrinhos de super heróis, o foco não é esse, e a parte investigativa da história é extremamente atrativa. A série faz uma clara homenagem ao cinema “noir” dos anos 40 e 50, aqueles filmes policiais onde o investigador era sempre uma figura solitária, beberrona, sombria mas que sempre solucionava os crimes e no fundo estava do lado da lei. O recurso em que “ouvimos” constantemente os pensamentos e o raciocínio de Jessica enquanto segue pistas e faz deduções era uma das principais características do gênero que ficou conhecido também por “bad girls movie”, já que o enredo invariavelmente girava em torno de mulheres de atitudes questionáveis. Jessica Jones é a encarnação perfeita de uma “bad girl”. A trilha sonora de fundo, com jazz instrumental com enfase em saxofones melódicos é também característica típica dos filmes noir. A ambientação dos bares, ruas e prédios, a  iluminação sombria, e ambiguidade moral em toda situação apresentada. Está tudo ali.

A história também passa a ser um drama familiar quando Jessica descobre que sua mãe na verdade não morreu, mas passou por experimentos infinitamente mais dolorosos e traumáticos do que ela própria, adquirindo também poderes e se tornando uma assassina psicopata. A detetive acaba dividia entre sua família adotiva fútil, egoísta e totalmente disfuncional e sua progenitora totalmente enlouquecida mas que lha dá provas incontestes de amor. 

Destaque também para a trama paralela onde a inescrupulosa advogada Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), amiga de Jessica desde a temporada anterior, descobre ser portadora de uma doença degenerativa incurável que lhe dá poucos anos de sobrevida e que faz de tudo e gasta o que for necessário não só para conseguir se curar, mas também para manter seu posto de sócia em sua empresa diante de seus outros dois sócios ganaciosos e tão ou mais inescrupulosos. A interpretação da atriz, que chega a participar de orgias femininas (a personagem é homossexual) é simplesmente fantástica, muita acima da média. Sua ganância, ânsia por poder e total desprezo por aqueles que julga inferiores são quase palpáveis. 

Não há como não citar também a assustadora e mórbida  participação do ator David Tennant de volta a pele de Killgrave, mas dessa vez em forma de alucinações e flashbacks que atormentam Jessica em um dos episódios finais quando a personagem já está no fundo do poço, exausta, embriagada e privada do sono. Tennant traz de volta todo o terror que o personagem carregava na temporada passada e que rendeu ao ator muitos elogios tanto de crítica quanto de público.

Final feliz? De forma alguma. O último episódio é sombrio e melancólico.Todos os personagens principais, com exceção talvez só da protagonista que apresenta uma leve melhora em relação a quando a série começou, terminam de forma pior  psicologicamente do que antes. Todos finalizam mais sombrios e de certa forma menos saudáveis mentalmente do que no primeiro episódio. Se houver uma terceira temporada será no “lado negro da força” para Trish, Malcolm e Jeri. “Só por hoje” eu aguardo ansioso por essa terceira temporada.

“Só por hoje” minha classificação: 5/5

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou e o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje eu já sei que sou tudo que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer

O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não, não, não, não
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui
Mas vamos com calma!

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
E só por hoje, ao menos isso eu aprendi

(Legião Urbana)

 

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Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

Críticas

LOVE | Série termina com chave de ouro. Crítica da 3ª temporada

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Foto: Mickey e Gus. Love. Netflix ©.

Com um pouco de atraso após o final da 3ª temporada (e última) da série “Love”, dirigida  pelo competente Judd Apatow para a Netflix, chegamos hoje para falar um pouco sobre essa temporada e também da série como um todo.

Love parte de uma premissa simples, mostrar o cotidiano de Mickey (Gillian Jacobs) e Gus (Paul Rust), que apesar de possuírem grandes diferenças de personalidade, acabam se envolvendo e se apaixonam. Enquanto Mickey passa a ideia da moça bonita que tem tudo para alcançar o sucesso na vida, Gus é o nerd certinho que batalha para conseguir atingir seus objetivos.

Mas essa análise superficial de ambos, é bastante rasa para definir suas personalidades, que vamos conhecendo ao longo de cada uma das três temporadas que levaram a série para seu desfecho, muito bom por sinal.

Antes de começarmos a falar sobre a 3ª temporada especificamente, confere a nossa crítica da 2ª temporada de Love!

Mickey. Love. Netflix ©.

A 3ª temporada de Love é dedicada a desenvolver o relacionamento de Mickey e Gus. Agora os dois resolvem assumir de fato o namoro e começar a dar passos para seguir ainda mais adiante. Mickey conhece a família de Gus e eles cogitam até mesmo morar juntos. 

Na vida profissional, ambos passam por momentos importantes. Enquanto Mickey começa a se destacar na rádio onde trabalha, Gus investe em seu sonho de virar roteirista, convidando alguns amigos para o ajudarem nessa empreitada.

O desenvolvimento dos coadjuvantes também merece ser mencionado, uma vez que Bertie (Claudia O’Doherty), a colega de quarto de Mickey, continua a ganhar tempo de tela e seu relacionamento com Randy (Mike Mitchell) vai se mostrando cada vez mais fadado ao fracasso, na medida em que ela se aproxima de Chris (Chris Witaske). 

A evolução de Gus e Mickey ao longo da série é algo muito legal de se ver. Mickey, que aparentemente era a “donzela em perigo” a ser salva pelo “cavaleiro” Gus, com todos os seus erros e defeitos, consegue evoluir bastante e se mostra muito pronta para o próximo passo de suas vidas, conseguindo a cada dia vencer seus vícios, se tornando uma pessoa mais plena.

Já Gus é desconstruído e consegue, muito por conta de Mickey, se encontrar. Seus defeitos ficam mais evidentes, como os ataques de raiva e sua insegurança. Finalmente o vemos tomar as rédeas disso, para assim ter um futuro com Mickey.

Além de bons personagens, tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes, Love tem um bom roteiro e os episódios são bem estruturados. A química entre Paul e Gillian continua afinadíssima, e suas discussões são tão imersivas e realístas, que nos vemos na pele de Gus e Mickey. A trama é tão fechadinha que mal vemos o tempo do episódio passando, e o que falar dos episódios finais… Love tem um desfecho realizado com chave de ouro, e nos mostra que nem todo casal é perfeito, mas que juntos, eles podem se tornar perfeitos um para o outro!

Nota: 4/5

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O PLANO IMPERFEITO | Gostar porque sim. Amar apesar de…

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O Plano Imperfeito é a mais nova comédia romântica que estreou dia 18 deste mês de junho na Netflix.  Conta a história de Harper (vivida por Zoey Deuth), uma garota super esforçada que sonha em ser uma redatora de peso na empresa em que trabalha. O problema é que sua chefe é uma mulher praticamente casada com o trabalho e obcecada por sua carreira, fazendo com que sua assistente durma e se divirta menos do que gostaria (ou quase nunca).

Por coincidência, em uma dessas noites em que ficava até tarde no trabalho seguindo ordens, Harper encontra Charlie (protagonizado por Glen Powell) em um momento bem embaraçoso após o entregador da comida dizer que só aceitava dinheiro e a garota estava apenas com cartões de crédito para o pagamento. Depois muita discussão os dois recém conhecidos acabam dividindo a comida para levar aos respectivos chefes igualmente abusivos e obcecados por trabalho.

Os dois jovens constroem uma relação de amizade descobrindo que suas vidas tem muito em comum e que seus chefes precisam mesmo é namorar, com isso consequentemente voltariam a viver suas vidas de uma maneira normal. Nasce então a elaboração de um plano que os leva a um completo desastre, mas eles não vão desistir até conseguirem ser dignos de tirarem pelo menos um merecido cochilo em suas horas vagas.  

O longa é divertidíssimo sem ser forçado e embora clichê, conseguimos rir de situações cotidianas muito engraçadas. Já estamos acostumadas com o carisma e graça da estrela Lucy Liu que desempenha com maestria o papel da chefona sem coração. Sendo bem sincera, está longe de ser uma das comédias românticas que vão ficar pra história. Apesar do enredo interessante, há situações que se estendem demais sem necessidade, além do final bastante previsível. No entanto, é um bom filme pra os dias em que se quer assistir algo despretensioso com ótimas atuações e cenas que arrancam risadas, com casais fofos e toda aquelas histórias de amor que tem tudo pra dar certo… ou não.

Uma produção original da  Netflix com a direção de Claire Scanlon.

Elenco principal:

  • Glen Powell Charlie
  • Lucy Liu Kirsten
  • Taye Diggs Rick
  • Zoey Deutch Harper
  • Aaron Costa Ganis Dan

 

Nota: 3,5 / 5.

Sinopse:
Harper (Zoey Deutch) e Charlie (Glen Powell) trabalham como assistentes para dois executivos em Manhattan. O temperamento e a dinâmica de seus chefes, transformam suas vidas em um verdadeiro inferno. Desesperados e exaustos, os dois jovens se juntam para elaborar um plano um tanto quanto ousado: fazer com que os seus superiores se apaixonem e, dessa forma, fiquem mais tranquilos em relação ao trabalho

 

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DO JEITO QUE ELAS QUEREM | Crítica do Don Giovanni

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Por mais que Hollywood viva de clichês quando se trata de comédias românticas, de tempos em tempos nos deparamos com filmes que conseguem sair da mesmice do gênero, apresentando temas interessantes, desafiando o público a expandir suas ideias, para quebrar tabus e descobrir que nunca é tarde para viver a vida em toda sua plenitude.

 

Dirigido pelo estreante Bill Holderman, que também assina o roteiro ao lado de Erin Simms, “Do Jeito que Elas Querem” conta a história de quatro amigas de longa data, que participam de um clube do livro, onde cada uma sugere uma obra mensalmente. Vivian (vivida pelo ícone Jane Fonda) uma mulher bem sucedida e que sempre prezou por sua independência, escolhe para o grupo o apimentado e libertador “Cinquenta tons de Cinza”, que imediatamente cai no gosto de todas, despertando fantasias, prazeres e desejos, há muito tempo esquecidos.

 

Com um roteiro simples e um elenco de peso, a produção consegue surpreender ao construir uma trama atual, totalmente com atores acima dos 60 anos, apresentado de uma forma divertida, todos os dilemas, medos e inseguranças, comuns nessa delicada parte da vida.

 

 

 

Diane Keaton como Diane, vive uma viúva que é sufocada pela superproteção das filhas, até que conhece Mitchell (Andy García) um charmoso piloto de avião, que literalmente está disposto a leva-la as alturas. Candice Bergen é Sharon, uma juíza federal que desde sua separação há 15 anos, não se relacionou com mais ninguém, mas parece que uma conta de namoro on-line pode reacender uma antiga chama esquecida. Mary Steenburgen dá vida a Carol, uma esposa frustrada sexualmente após a recente aposentadoria do marido, mas que ao se deparar com as peripécias de Christian Grey e Anastácia Steele, percebe que nunca é tarde para novas experiências. Em meio a todas essas descobertas, Vivian reencontra Arthur (o eterno Miami Vice Don Johnson) um grande amor do passado, que não poderia aparecer em momento mais oportuno.

 

Com todos esses “novos hormônios” em ebulição, atiçados e estimulados pelos eróticos momentos do “quarto vermelho”, essas quatro mulheres estão prontas para despertar e descobrir que o amor e o sexo não tem idade e que nunca é tarde demais para redescobrir e perseguir prazeres que lhe foram negados a bastante tempo.

Inevitavelmente, ao longo da produção nos questionamos sobre escolhas, sobre ilusões, sobre verdades pessoais, sobre envelhecimento. Estamos preparados para isso?

Estamos fazendo as escolhas corretas, ou estamos deixando passar momentos preciosos que definirão nosso futuro?

Se um filme, independente do seu gênero, consegue fazer você se questionar dessa forma, não há como negar que a arte cumpriu sua diretriz básica e que a produção conseguiu de forma muito competente, fazer um papel inclusivo, de autoajuda e de entretenimento, o que é sempre muito bem vindo.

 

Pontuação de 0 a 5

 

 

Nota: 3

 

 

 

 

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