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Críticas

O GÊNIO E O LOUCO | Mel Gibson e Sean Penn voltam aos tempos áureos em belíssimas atuações! (Crítica)

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“A leitura de todos os bons livros é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados.”

René Descartes

Quando um filme sobre pessoas escrevendo um dicionário acaba sendo cativante, acabamos assistindo uma obra bem produzida e com momentos históricos de bastante importância. No longa “The Professor and the Madman” temos apresentado um enredo que tem como base o livro de Simon Winchester, sobre a verdadeira história da criação do Oxford English Dictionary, o famoso e mais completo dicionário da língua inglesa em um conto que mergulha na loucura e genialidade, levada por dois homens obsessivos que acabaram mesmo por mudar o rumo de toda a história literária.

Mel Gibson estrela como James Murray, professor em Oxford que é contratado para trabalhar na elaboração da primeira edição do dicionário em inglês e durante o seu trabalho árduo, ele recebe milhares de entradas de um ilustre paciente, que é nada mais e nada menos que o Dr. William Chester Minor, interpretado brilhantemente por Sean Penn no papel de um assassino condenado a tratamento no Broadmoor Criminal Lunatic Asylum. O personagem tem uma história comovente em uma atuação profunda e emocionante de Penn que faz escorrer aquela lágrima do olho.

O filme mostra que ambos os astros estão retomando as características de alguns de seus papéis mais conhecidos, o que resulta em uma química muito forte na tela. Entretanto, o ritmo lento do longa acaba retardando bastante o encontro das estrelas na tela, o que pode gerar certa irritação para os fãs mais apressados. Esse ritmo do roteiro de Todd Komarnicki e Farhad Safinia ( Safinia também é o diretor do filme, mas ele é creditado com o pseudônimo de “PB Shemran”, algo que lembra a escolha do nome fictício Alan Smithee por cineastas dos anos 80 e 90 que desejavam destituir seu envolvimento em um projeto) é coerente e não deixa pontas soltas, fazendo com que o filme funcione como uma aula.

Com essa pegada vagarosa que varia para outros campos, o longa faz com que duvidamos que a maior parte do filme poderia ter sido facilmente dirigido por Mel Gibson. Como cineasta, ele pode não ter a mais forte das assinaturas autorais, mas essa assinatura pode ser mais facilmente definida na representação de sangue, um fascínio com a linguagem e os elementos da fé cristã que acabam tendo uma certa aparição nesta película.

Mesmo que a produção como um todo possa ter tido ou não algumas decisões impostas por Gibson, o roteiro em certos momentos do filme acaba se afundando mais profundamente em alguns tópicos do que qualquer script que Gibson tenha se envolvido. O arco do personagem de Penn, em particular, é bem desenvolvido na criação de empatia em relação aos doentes mentais, o que ainda não é comum o suficiente hoje em dia, não importa em uma época em que a frenologia ainda era um estudo válido. A palavra “redenção”, tão rara, ainda que supostamente a mais cristã das virtudes, também obtém uma definição muito forte com o arco desse personagem. A obsessão é tocada também, não em níveis de Aronofsky, mas ainda o suficiente para ser digna de uma menção.

Fora ainda que a complementação do apoio dos coadjuvantes é algo bastante positivo na trama. Temos a carismática Natalie Dormer, que faz o papel de uma viúva no filme, o confidente subalterno do gênio feito de forma magistral por Ioan Gruffudd, o enigmático Doutor Richard Brayne com uma atuação formal de Stephen Dillane e complementando algumas lacunas essenciais temos também os atores Eddi Marsan, Jeremy Irvine, Jennifer Ehle e Steve Coogan.

Considerando a profundidade imprevista do tratamento desses tópicos, é realmente lamentável que haja alguns casos em que o filme se baseia no mais superficial dos tropos para forçar a tensão. O pior caso disso são os personagens em torno do vilão quase de bigode, sem profundidade ou motivo além de antagonizar e frustrar nossos bravos heróis. 

Um caso em particular não é tão trágico quando um personagem (até então) bem desenvolvido e arredondado inexplicavelmente toma aquela reviravolta vilanesca, se pelo menos tivesse nos dado uma base sólida antes, poderia ser até mais aceitável esse plot. Além disso, os efeitos visuais sofrem com algumas fotos que claramente foram feitas com qualidade de vídeo digital inferior, criando um efeito dissonante que tira você do filme. 

Apesar dessas deficiências e tudo somado, “O Gênio e o Louco” é uma história digna que entra em profundezas imprevistas e fortuitas, onde o clímax do filme gira em torno de conceitos de apoio à mulher, amizade, dedicação, autoeducação e pensamento fora da caixa, uma obra interessante que precisa ser assistida por quem tem interesse no assunto em particular.

Nota para o filme: 4 / 5

Trailer:

Sinopse:

A incrível história real da criação do dicionário inglês de Oxford, projeto que definiu nosso mundo. Durante anos, milhares de definições de palavras foram enviadas para análise do professor James Murray (Mel Gibson), mas um envio em específico despertou sua atenção, o do Doutor W.C. Minor (Sean Penn), que submeteu mais de dez mil definições. Quando o comitê decide honrá-lo, a verdade choca a todos: Doutor Minor encontra-se preso em um hospício para criminosos.


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Professor de Biologia e Educação Física Escolar, amante de praticamente tudo do mundo nerd e lunático pela 7º Arte. Apresentador do Teekcast, gosta da Marvel mas não tem vergonha de revelar para todos o seu amor platônico pela DC Comics e odeia a briga boba entre marvetes e dcnautas.

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