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Críticas

O PARQUE DOS SONHOS | Crítica da animação produzida pela Nickelodeon, Paramount e Ilion Animation Studios

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Foi em 1986 que uma das empresas do já lendário Steve Jobs, a então desconhecida Pixar, na tentativa de “vender” seu desenvolvido software de coloração por computador CAPS, produziu, sob a batuta de um de seus empregados, John Lasseter, o curta metragem Luxo Jr., que mostrava, em meros 2 minutos, as memoráveis luminárias de mesa “pai” e “filho” brincando com uma bola.

De lá para cá, a Pixar fez história, tornando-se, sem dúvidas, a mais relevante empresa de animação do mundo, primeiro de forma independente e em parceria com a Disney e, desde 2006, como um dos braços da empresa do Mickey.

Foto: Pixar – Reprodução

Toy Story, de 1995, é um divisor de águas no cinema de animação, ao se tornar o primeiro “desenho animado” completamente realizado por meio da computação gráfica. No entanto, ao contrário de Capitão Sky e o Mundo de Amanhã – insosso filme de ação dirigido por Kevin Conran, e estrelado por Jude Law e Gwyneth Paltrow, que praticamente só serviu para apresentar ao mundo a tecnologia de CGI para criação de cenários realistas 100% virtuais – a revolucionária tecnologia utilizada em Toy Story estava completamente a serviço de uma excelente história e de personagens extremamente cativantes, marca inconteste da Pixar, que, nesse processo, tornou-se especialista em angariar prêmios e críticas quase unanimemente positivas acerca de suas produções.

Foto: Divulgação

Os outros estúdios hollywoodianos passaram a correr atrás do padrão Pixar de qualidade, por meio da criação da DreamWorks (Shrek, Madagascar, Como Treinar seu Dragão); da Blue Sky Studios, da Fox (A Era do Gelo, Rio); e da Illumination, da Universal (Meu Malvado Favorito, Lorax), por exemplo.

Foto: Divulgação

Correndo por fora, vários outros estúdios de menor impacto ou animadores independentes foram surgindo ao redor do mundo, concomitantemente à banalização da tecnologia, angariando algum espaço/sucesso nos cinemas, mas sem que nenhum conseguisse atingir o nível de qualidade dos supracitados estúdios de animação acima e bastante longe, ainda, da insuperável Pixar, invariavelmente utilizada como régua para medir a qualidade das produções.

O que nos leva, finalmente, ao filme O Parque dos Sonhos, produção em parceria entre o Nickelodeon Movies (A Pequena Espiã), a Paramount Animation (Bob Esponja) e a Ilion Animation Studios (Planeta 51).

Sem entregar spoilers, a história apresenta a menina superinventiva e imaginativa June (vozes de Sofia Mali e Brianna Denski), que mantém uma relação de profunda cumplicidade com sua mãe (Jennifer Garner) e (em menor nível) com seu pai (Matthew Broderick), além de se destacar como uma líder natural das demais crianças do bairro.

Foto: Divulgação

Junto com sua mãe – e maior incentivadora – June cria, com muita imaginação e a partir de recortes de papel, sucatas e brinquedos diversos, o chamado “Parque dos Sonhos” que dá título à película, tanto em tamanho de maquete, quanto por cima dos muros da vizinhança, além de supostamente existir de forma mágica em algum lugar, no qual seria comandado pela versão viva de seu macaco de pelúcia Peanut (voz de Nobert Leo Butz), recepcionado por um enorme gorila azul, Boomer (Ken Hudson Campbell) e tendo como atração a javali Greta (Mila Kunis), o porco espinho Steve (John Oliver), e dois castores amalucados: Gus (Kenan Thompson) e Cooper (Ken Jeong).

Foto: Divulgação

Para não entregar detalhes da trama ou surpresas da história, pode-se dizer que a famosa “jornada do herói” está presente no desenrolar da animação com relação a June: o chamamento, a adversidade e aparente “queda”, o soerguimento e a redenção. Parte do argumento também conduz a uma inevitável comparação com Tomorrowland da Disney.

Em termos de animação, o filme entrega um 3D competente, uma fotografia muito bela em certos momentos, muita cor e expressividade nos personagens. Todavia, em alguns frames, a animação parece emular excessivamente Divertida Mente, da Pixar, seja na composição facial dos personagens principais (June, ‘mãe’ e ‘pai’) ou nas tomadas aéreas do Parque dos Sonhos.

A maior crítica que se pode fazer aos aspectos intrínsecos da animação é o sua estrutura “formulaica”, seguidora da “cartilha” dos cursos de roteiristas, e que busca se referenciar quase explicitamente em outras animações (em especial nas da já excessivamente mencionada Pixar) na busca de se tornar um “sucesso”, mas que, em verdade, a deixa com pouca personalidade.

O drama que inicia o segundo ato, por exemplo, é pouco aproveitado e mal desenvolvido, talvez para não “chocar” as crianças, coisa que a Disney e a Pixar (mais uma vez) não teriam medo de levar às últimas consequências (haja vista Bambi, O Rei Leão e o já citado Divertida Mente).

A protagonista (June) oscila entre a simpatia – em razão de seu espírito empreendedor, sua alegria e determinação – e a ‘chatice’ pura e simples, quando dá rompantes de rebeldia ou quando não sofre adequadamente as consequências de seus atos inocentes, porém bastante perigosos e desastrosos (como destruir todas as cercas de seu quarteirão e quase ser atropelada por um caminhão, junto com um amiguinho apaixonado por ela). A animação passa a mensagem de que uma “boa conversa” é suficiente para acertar tudo o que uma criança pode vir a fazer de errado, algo que – para mim, que sou pai – não pareceu muito realista. June, ao fim, consegue fazer tudo o que quer, mesmo sob a ordem direta dos pais para não fazer aquilo. Como escapismo, o filme pode funcionar; como material de reflexão, nem tanto.

Foto: divulgação

Os obrigatórios “animais falantes” também ficam a meio termo de serem memoráveis, não passando de “simpáticos” ou “bonitinhos”. A referenciação também afeta esse núcleo de personagens, quando dois animais de espécies bastante incompatíveis entre si se mostram apaixonados um pelo outro, tal como ocorre em Madagascar.

A versão exibida para a imprensa mineira foi a dublada, que, como sempre, foi realizada com grande competência (com destaque obrigatório para a festejada dublagem de Lucas Veloso para Gus e Rafael Infante para Cooper). A nota dissonante é, novamente, a personagem principal. A voz da dubladora é claramente a de uma mulher feita, incompatível com a pré-adolescente June.

Por essas e por outras, O Parque dos Sonhos, explicitamente ambicionando – até com certo desespero – fixar-se entre as grandes animações recentes, acaba ficando a meio do caminho, contendo méritos, mas temendo seguir por trilhas que lhe confeririam maior personalidade.

O final até tenta despertar alguma emoção mais genuína na plateia, ao reforçar a mensagem de que a imaginação infantil e a capacidade de “brincar” é fundamental, inclusive para os adultos (algo disso lembra Toy Story 3?); mas, a essa altura, quem “comprou” a ideia da trama já havia sido fisgado emocionalmente; mas para quem não embarcou na viagem, bom…

Os papais que acompanharão seus filhos no cinema correm o risco de se entediarem em alguns momentos, mas, no geral, assistir ao longa não representará um sacrifício doloroso.


Nota para a animação: 3,5 / 5


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Sou um quarentão apaixonado pela cultura pop em geral. Adoro quadrinhos, filmes, séries, bons livros e música de qualidade. Pai de um lindo casal de filhos e ainda encantado por minha esposa, com quem já vivo há 19 bons anos, trabalho como Oficial de Justiça do TJMG, num país ainda repleto de injustiças. E creio na educação e na cultura como "salvação" para nossa sociedade!!

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