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Críticas

THE ORVILLE | Episódio de estreia – Crítica do Viajante

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Estreou no ultimo domingo pela Fox a série “The Orville“. A princípio, a julgar pelo trailer debochado e pelo fato de o show ser uma criação de Seth Macfarlane, o mesmo de “The Family Guy”, entendi que fosse não só um Sitcom, mas também uma paródia de “Star Trek“. Entretanto, o próprio Macfarlane negou isso ao lado de seu produtor executivo Brannon Braga, como eu próprio noticiei aqui no site (leia a matéria aqui).

Ambos afirmaram categoricamente que apesar do tom cômico, “The Orville” não seria uma simples comédia. A começar pelo tempo de duração de cerca de 45 minutos que destoa do formato sitcom. Além disso, Braga, que trabalhou em todas as séries da franquia “Star Trek” já produzidas com exceção da “Série Clássica”, insistiu que o novo programa é sim um programa de ficção científica utópica, apesar das piadas.

Após assistir ao piloto, considero que tudo o que disseram aparentemente trata-se da mais pura verdade. Digo aparentemente pois não posso absolutamente julgar a série toda apenas por seu piloto, mas o que vi na tela me agradou e muito.

Obviamente que é uma grande homenagem à franquia Star Trek. Está tudo ali. Os uniformes, a hierarquia, a “Federação Unida de Planetas” que aqui chama-se “União Planetária“, o design da ponte de comando, o holodeck. Tudo remete à franquia criada por Gene Rodenberry na década de 60 do século passado. O grande diferencial são os personagens mais sarcásticos, egoístas, desbocados… enfim, mais humanos sem faltar com o respeito aos personagens de “Star Trek”. Além da ausência do teletransporte, o clássico meio de locomoção dos personagens de toda a franquia Star Trek.

Seth Macfarlane protagoniza “The Orville” na pele de Ed Mercer, um promissor oficial de carreira, workaholic, que após negligenciar sua esposa afetivamente, acaba por pegá-la na cama com um alienígena de pele azul. Após o divórcio, torna-se relaxado e todas as suas chances de comandar uma nave estelar estavam indo para o ralo até que surpreendentemente, um certo Almirante Halsey, interpretado por Victor Garber, o dr. Martin Stein de “Legends of Tomorrow, lhe oferece um cargo de capitão na nave de exploração que dá nome à série.

A U.S.S Orville não está com sua tripulação completa quando chega as mãos de Mercer, e a primeira coisa que ele faz é nomear seu velho e irresponsável amigo, porém fantástico piloto, o tenente Gordon Malley (Scott Grimes) como timoneiro. Seria um baita clichê se Malley fosse um galã, mas não é o caso. Feio, bêbado e promíscuo (logo na primeira missão quer saber onde ficam os bares e casas de strip do destino), o próprio personagem se autoclassifica como um babaca.

Para fazer dupla com Grimes, o ator J. Lee interpreta o navegador John LaMarr. Juntos, ambos lembram mais uma dupla de universitários arruaceiros de filmes como “American Pie” do que oficiais dignos de ocuparem posições em uma ponte de comando de uma nave estelar. Para completar, Mercer parte para sua primeira missão como capitão sem um primeiro oficial, que segundo Halsey seria designado em seguida. E quando esse tripulante chega, para o desespero do capitão, nada mais é do que sua ex-esposa que não via desde a situação constrangedora com o carinha azul e o posterior divórcio.

Para mostrar que a série ao menos tenta se levar a sério, nada melhor do que uma atriz veterana de Star Trek no elenco. Penny Johnson Jerald participou de 1 episódio de “Star Trek: The Next Generation” e depois fez parte do elenco de “Star Trek: Deep Space Nine” no final da série como “Kasidy Yates” o par romântico do capitão “Sisko”. Em “The Orville” ela interpreta a dra. Claire Finn, a oficial médica da nave.

Completam a tripulação da ponte 3 alienígenas. Halston Sage, Mark Jackson e Peter Macon são respectivamente a chefe de segurança Alara Kitan, super forte devido a diferenças gravitacionais entre seu planeta e a Terra;  o ser vivo artificial Isaac, que considera qualquer tipo de vida biológica como inferior e Bortus, cuja espécie não possui membros do sexo feminino. Destaque para o personagem Isaac que provavelmente vai ser semelhante aos personagens comandante “Data” (Star Trek: The Next Generation) e “7 de 9” (Star Trek: Voyager), ou seja, aquele que se sente deslocado e tenta de toda forma aprender a ser como os outros tripulantes gerando assim cenas engraçadas e constrangedoras.

Alara Kitan

Isaac

Bortus

Os efeitos especiais assim como as maquiagens (foto acima) não deixam nada a desejar das verdadeiras séries de Star Trek, assim como os vilões muito bem caracterizados. Em “The Orville”, já fomos apresentados a uma raça belicosa nos mesmos moldes dos klingons ou kardacianos: os Krills.

Os Krills

As espaçonaves, portos e estações espaciais também impressionam. Apesar de não falarem em velocidade de dobra, ela é perceptível quando a Orville salta no espaço e inicia uma viagem para fora do sistema solar. As imagens das estrelas borradas enquanto a a nave avança são idênticas as de Star Trek.

As semelhanças, referências e homenagens a Star Trek estão tão presentes e à vista, que em alguns momentos o espectador pode esquecer que está assistindo a uma série de MacFarlane, e se enganar achando que realmente está assistindo a um episódio da franquia de Rodenberry. Até que uma “lavagem de roupa suja” entre ex-cônjuges se inicie em plena ponte de comando causando vergonha alheia em todos os oficiais. Ou que esses mesmos oficiais soltem palavrões cabeludos totalmente fora dos padrões de comunicação a que estamos acostumados como “trekkers”. O humor cáustico de MacFarlane está presente o tempo todo, mas não é uma comédia pastelão. Não é um “Family Guy” em live action ambientado 400 anos no futuro. E também não é Star Trek. Se você é fã de qualquer um dos dois e espera ver seus programas preferidos repetidos, pode se decepcionar. “The Orville” é uma mescla muito bem costurada de ambos os estilos, respeitando de forma clara os limites para os dois.

A conclusão é que “The Orville” vale muito a pena ser vista. Desde que com a mente aberta e sem preconceitos. Pode muito bem ser vista tanto por Trekkers como por fãs de MacFarlane. E agradar a ambos.

Classificação do viajante: 4,5 / 5

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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