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Críticas

THE ORVILLE | Mais temática polêmica na melhor série de ficção da atualidade -Episódio 07: Majority Rule – Crítica do viajante

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Antes de tudo gostaria de me desculpar com meus leitores pela ausência das críticas dos episódios 05 e 06, pois estava trabalhando na cobertura da BGS 2017 e não tive como escreve-las. Futuramente estarei publicando-as.

A melhor série de ficção científica da atualidade“. Não, essas palavras não são minhas, apesar de eu concordar com elas. A frase foi publicada pela respeitada revista “Forbes“. E por incrível que pareça, é uma realidade. O show foi criado por Seth MacFarlane, inspirado na franquia “Star Trek” e todos achavam que seria uma paródia, apesar das negativas do próprio MacFarlane antes da estreia. O fato é que apesar do tom mais relaxado e com muitas piadas e referências ao universo nerd/pop, “The Orville” tem se mostrado uma ótima série de ficção científica e está agradando a muitos dos “trekkers” mais conservadores, até mais do que a própria “Star Trek: Discovery“, atual série da franquia criada por Gene Rodenberry há mais de 50 anos.

E um dos pilares de “Star Trek”, o fato de ser vanguardista e de tratar de temas polêmicos e atuais sempre com uma visão humanista e aberta se repete esplendorosamente em “The Orville”. Nos episódios anteriores já foram abordados temas como troca de sexo, relações homoafetivas, fundamentalismo religioso e machismo, todos de forma bem humorada porém séria. E este sétimo episódio não destoa disso ao mostrar claramente a tendência de dualismo, de amor e ódio, que sempre inflamou as massas e que foi exarcebada com o advento das redes sociais e da comunicação plena que a internet propiciou.

Em “Majority Rule” um grupo avançado da U.S.S Orville desce em um planeta que, no futuro onde se passa a série, é similar à Terra do século XXI (passado para eles). Estão em busca de dois cientistas que estavam estudando aquele povo e que misteriosamente deixaram de enviar relatórios há algumas semanas. Porém, em um erro crasso, os tripulantes deixam de estudar a fundo os costumes e leis daquela sociedade antes de iniciar a missão.

O planeta “Sargus-4” vive em uma “democracia plena“, onde tudo, absolutamente tudo, é decidido por julgamento popular. Utilizando-se de mídias sociais semelhantes às nossas redes sociais, a população do planeta toma toda e qualquer decisão. E é nesse ambiente desconhecido, que o debochado  navegador da “Orville”, “John Lamarr” (J. Lee) (foto de capa) resolve fazer suas gracinhas ao dançar com uma estátua. Filmado por populares, logo é julgado no “Master Feed“, uma espécie de “Youtube” de lá e acaba preso por insultar uma das heroínas da história do planeta. Agora, precisa se provar inocente e arrependido, não diante de um tribunal, mas perante toda a população através de programas de TV em forma de talk shows onde os apresentadores fazem de tudo para mostrá-lo como um ser ultrajante e culpado. Aliás, o sistema de popularidade de todos os cidadãos está sempre sendo posto à prova através de um sistema semelhante aos nossos de “likes” e “deslikes” que funcionam através de crachás com seta para cima (verde) e para baixo (vermelha) que podem ser apertadas por todos, em uma clara referêncioa ao episódio (bem mais sombrio) “Nosedive” da popular série “Black Mirror” da rede de streaming “Netflix”. A pena caso “Lamarr” seja considerado culpado no julgamento final, é a “correção”, que na verdade não passa de uma lobotomia que o deixará em estado semi-vegetativo.

O que o episódio deixa claro desde o começo, é que apesar de soar agradavelmente aos nossos ouvidos, uma “democracia plena” absolutamente não funciona. Quando um grande número de pessoas tentam pensar de maneira uniforme, invariavelmente cometem injustiças terríveis que podem destroçar vidas de indivíduos. Como já dizia Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”. Logo no início, a personagem “Lisella” (Giorgia Whigham), ao acordar vê que os dois cientistas terrestres (sem saber sua procedência) estão tentando se provar inocentes em um programa de TV matinal. Em conversa com uma amiga ao telefone admite não saber porque estão sendo julgados, mas apenas diz que têm um aspecto sombrio, e apenas por isso vota pela condenação da dupla. É o “efeito manada” que acomete grandes massas, os indivíduos tem preguiça ou medo de pensar antes de formarem opiniões próprias, e preferem apenas seguir da mesma maneira que o restante do “rebanho”.  A solução para o problema acaba nas mãos justamente daquele que é o mais diferente da tripulação da “Orville”, o ser vivo artificial, e que justamente por isso tem uma visão diferente das dos outros, “Isaac” (Mark Jackson).

O episódio inteiro é sensacional e nos faz sentir vergonha pelo modo como muitas vezes usamos as redes sociais para julgar e condenar aqueles que agem ou pensam de forma diferente das nossas. Fica claro como o tal “efeito manada” pode ser injusto e prejudicial e pior, nos dias de hoje, ampliado pela facilidade de acesso à comunicação em massa que a web trouxe ao nosso mundo. Um alerta aos preguiçosos de plantão que preferem pensar de maneira rasa e superficial ao invés de se aprofundar antes de formar suas opiniões sobre qualquer assunto. Ou não, já que esses preguiçosos de plantão sequer lerão esse texto. É provável que não leiam nem o título, que ficou meio longo… Mas já estou também eu a julgar.

Concluindo, esse talvez tenha sido o melhor episódio desde o início de “The Orville”, o que aumentou minha classificaçlão em meia estrelinha:

Links para as críticas dos episódios anteriores:

Episódio Piloto

Episódio 02

Episódio 03

Episódio 04

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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