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Críticas

UMBRELLA ACADEMY | Crítica da série televisiva baseada na premiada HQ de Gerard Way e Gabriel Bá

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Em 2007, Gerard Way, vocalista da famosa banda de rock My Chemical Romance, uniu-se ao desenhista brasileiro Gabriel Bá, para, juntos, apresentarem ao mundo – por meio da Dark House e sua conhecida tradição de publicar, com sucesso, HQ’s e mangás autorais de grande qualidade – a história em quadrinhos Umbrella Academy, que faturou o Eisner Award de 2008 de “Melhor Minissérie“.

Foto: Divulgação

O enredo se centrava numa “família” disfuncional de seres superpoderosos formada por 7 irmãos (chamados preferencialmente por números: “1”, “2”, “3”, “4”, “5”, “6” e “7”) adotados por um alienígena (“Sir Reginald Hargreeves”), cuidados por uma robô (a “mãe”) e por um macaco falante (“Mr. Pogo”).

Como se não bastasse a singular premissa, os desenhos estilizados de Gabriel Bá – um Mike Mignola “radical” – davam um tom bastante underground para a HQ. No entanto, apesar de toda essa estrutura pouco mainstream, percebia-se um “q” dos X-Men da década de 60 nos personagens (apesar de certos temas “pesados”, como dependência química, incesto e psicopatia) embalado numa trama muito bem escrita, envolvente e rápida, além da narrativa visual criativa e dinâmica, o que fez com que a revista rapidamente caísse no gosto dos consumidores de quadrinhos.

Reprodução: Devir/Dark House

Surge, então, o estouro da Netflix com a produção das séries televisivas baseadas nos super-heróis urbanos da Marvel Comics (Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones, Punho de Ferro e Justiceiro), “levemente” interligadas ao MCU e cheias de personalidade.

O sucesso foi imediato, mas, como todos sabem, o casamento entre Marvel e Netflix chegou definitivamente ao fim em 2019, graças à proximidade do lançamento do canal de streaming próprio da Disney (proprietária dos Estúdios Marvel).

Pensando nisso (na onda de sucesso das adaptações de HQ’s e na perda dos seus “carros chefes” para a Disney), a Netflix resolveu apostar em linhas de super-heróis, digamos, mais “alternativos”, estando em negociação com o autor Mark Millar para produzir séries baseadas em personagens criados por ele (lembrando que a concepção dos Vingadores do MCU é em grande parte ancorada na releitura do supergrupo feita por Millar em Os Supremos) e, mais recentemente, adaptando Umbrella Academy para as telas da TV.

A transposição foi caprichada, contando com a estrela Ellen Page (Juno, X-Men) para dar corpo e voz à personagem “7” (ou Vanya); bons efeitos especiais, uma excelente produção de arte; além de um casting de atores bastante competente e compromissado com o trabalho.

A trama da série da tv basicamente mistura os dois arcos de histórias escritas por Way para os personagens: A Suíte do Apocalipse (2007-2008) e Dallas (2008-2009), de forma até bastante fiel, haja vista as adequações indispensáveis entre as duas mídias. Ou seja, tem destruição planetária, viagens temporais, comunicação com mortos (talvez até com Deus!), lutas bem coreografadas, tiroteio, cena de tortura etc. Não dá nem para se falar muito, sob pena de adentrar em indesejados spoilers.

Reprodução: Devir/Dark House

O resultado, no geral, é bastante satisfatório, porém não isento de problemas.

Em termos negativos, pode-se destacar o ritmo mais lento dos primeiros cinco (de dez) episódios – em especial os dois primeiros – algo que parece sintomático em quase todas as séries sequenciais da Netflix, que deveria repensar o tempo de duração dos episódios ou o número dos mesmos por temporada; alguns clichês na caracterização e em algumas falas de personagens, tornando parte da trama previsível; a diminuição radical do nível de poder dos “heróis” que, para além do problema da transposição dos quadrinhos para o live-action, certamente visou à economia em efeitos especiais (prejudicando parte do “charme” da adaptação); alguns “furos” e incoerências de roteiro, que não conseguem esconder certas “surpresas” do argumento ou do tipo que o espectador mais atento pode ficar se perguntando, “mas por que o ‘fulano’ não usou seu poder nessa hora”? Ou: “como o ‘número 1’ – cujo poder é a superforça – foi apanhar para aquele sujeito”?

A “fórmula” estilística da Netflix também se faz presente por toda a série, principalmente no tocante à ambientação sóbria (ou sombria), mas, gratificantemente, inseriu-se uma boa dose de humor (muitas vezes “negro”) ao show, permeando-o com uma benvinda leveza, mesmo ao abordar assuntos como guerra, apocalipse global e crise de abstinência em drogas.

Positivamente, alguns episódios – como o sexto – são fantásticos. Dois vilões clássicos do segundo volume (Dallas) da série em quadrinhos – Cha-Cha e Hazel – ganham rosto (respectivamente, Mary J. Blige e Cameron Britton) e camadas mais humanas, por mais que isso possa irritar os fãs “xiitas” do material original, no qual os perigosos assassinos sempre aparecem com suas famosas máscaras infantis.

Reprodução: Devir/Dark House – Netflix

A criação do chimpanzé humanizado Sr. Pogo (voz e captura de movimentos por Adam Godley) é impressionante! Em nenhum momento ele surge artificial em cena, conseguindo nos fazer acreditar que realmente há um macaco falante e extremamente inteligente no meio daqueles bizarros personagens.

Reprodução: The Umbrella Academy – Netflix

easter eggs deliciosos para quem leu os quadrinhos em certos momentos da trama televisiva.

Os efeitos especiais do último episódio são realmente caprichados. O que foi economizado nos 9 episódios anteriores ou não foi gasto em Pogo foi empregado no derradeiro, que é um deleite visual.

E, apesar de todos os atores se saírem bem em suas caracterizações – Tom Hopper como Número 1 / Spaceboy / Luther; David Castañeda como Número 2 / Diego; Emmy Raver-Lampman como Número 3 / Rumor / Alisson; Robert Sheehan como Número 4 / Séance / Klaus;  Aidan Gallagher como Número 5; Justin H. Min como Número 6 / Ben; Hellen Page como Número 7 / Vanya; Colm Feore como Sir Reginald Hargreeves; Jordan Claire Robbins como “Mãe” – não há como não dar destaque às atuações de Robert Sheehan e seu perturbado, amalucado e viciado Número 4 e a impressionante composição do jovem Aidan Gallagher como Número 5.

Foto: The Umbrella Academy – Divulgação

Na história, Número 5, capaz de viajar no tempo e no espaço, após ficar preso no futuro, está com 58 anos, mas, por um erro de cálculo, acaba retornando ao presente no seu corpo de 13 anos (nos quadrinhos, 10 anos). Aidan consegue convencer a qualquer um que, apesar da compleição de adolescente, há, ali, um homem amargo e destruído pela solidão de décadas num mundo pós-apocalíptico e pelo seu trabalho como “assassino temporal”. É quase assustador o nível de maturidade que o jovem e talentosíssimo ator de apenas 15 anos de idade faz transparecer pelos olhos, na sua interpretação.

Foto: The Umbrella Academy – Netflix

O final da primeira temporada de Umbrella Academy, apesar de surpreendentemente pessimista, abre muitas possibilidades para um segundo arco no qual os disfuncionais personagens possam trabalhar seus traumas infantis – grande leitmotiv de toda a história – unirem-se de maneira mais orgânica e resolverem o enorme problema que têm nas costas.

A segunda temporada – como aconteceu com Game Of Thrones e The Handmaid’s Tale – terá que caminhar praticamente sozinha, já que o grosso do material de origem já foi utilizado nestes primeiros 10 episódios.

Espera-se que os produtores respeitem o material original e a essência dos personagens, trazendo uma boa história, pois a estranha família de Umbrella Academy merece, sim, como sugerido no final da temporada, uma segunda chance!


Nota para a série: 4 / 5


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Sou um quarentão apaixonado pela cultura pop em geral. Adoro quadrinhos, filmes, séries, bons livros e música de qualidade. Pai de um lindo casal de filhos e ainda encantado por minha esposa, com quem já vivo há 19 bons anos, trabalho como Oficial de Justiça do TJMG, num país ainda repleto de injustiças. E creio na educação e na cultura como "salvação" para nossa sociedade!!

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