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Críticas

VOX LUX | Crítica do Neófito

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A primeira parceria em cena entre Natalie Portman e Jude Law se deu no excepcional Closer (2005), que, na humilde opinião deste colunista, está entre os 10 melhores dramas hollywoodianos do século XXI.

A química e a composição dos atores para seus respectivos personagens no mencionado filme são de uma intensidade tocante e, no caso de Portman, serviu para que mostrasse ao mundo sua capacidade de entrega a um personagem difícil e altamente dramático (Cisne Negro, que lhe renderia o Oscar, só viria 5 anos depois).

Foto: Divulgação

Infelizmente, neste atual Vox Lux – do ator e agora diretor, Brady Corbet – a parceria destes excelentes atores não rende muita coisa, não por culpa deles, que, individualmente, mostram a competência de sempre na intepretação, mas, muito provavelmente em razão do roteiro e direção, não encantam quando no mesmo frame.

Vox Luz conta a história da ascensão de uma cantora pop de sucesso, Celeste (Natalie Portman, na idade adulta), que, ao ser vítima, na juventude (quando é interpretada por Raffey Cassidy, a “robô” de Tomorrowland), de uma tragédia pessoal – sobrevivente de um massacre escolar – canta uma música de sua irmã no funeral respectivo, conseguindo emocionar a todos.

Foto: Divulgação

Aproveitando ao máximo seus 15 minutos de fama, Celeste se torna uma mega star problemática, que chega a ter que pagar milhões de dólares para encobrir um escândalo judicializado; tem problemas com álcool e drogas; tem uma relação complicada com a filha (também interpretada por Raffey Cassidy); tem que lidar com o rancor/amor da verdadeiramente talentosa irmã (Stacy Martin), que escreve as canções que a tornaram famosa, cria a sobrinha como filha e a apoia em suas “crises”; precisa lidar com a imprensa e o preço da fama; e tem um não nominado agente (Jude Law), que, apesar de demonstrar carinho por ela, não hesita em lhe dar drogas ou de se aproveitar sexualmente dela.

Foto: Divulgação

Natalie Portman só aparece na metade final do longa, já como a artista de sucesso repleta dos problemas característicos da fama. Sua composição de Celeste é precisa, em nada lembrando, por exemplo, a contida/sofrida Jackie Kennedy de Jackie (2017), como se poderia esperar da talentosa atriz; mas, também, repleta de clichês, como a personalidade irascível de Celeste, quase totalmente “absorvida” pelo papel de estrela pop e os citados problemas com drogas, paparazzis, fãs e imprensa em geral.

Portanto, sua entrega física e emocional é irrepreensível. Mas há outro probleminha: na reprodução do grande show de Celeste, fica clara a dificuldade de Portman em ser natural como uma grande estrela pop sobre o palco. Ela passa sensualidade, mas sua coreografia é evidentemente “simplificada” para permitir à atriz uma melhor performance. O problema é que Celeste é uma estrela desde a adolescência, tendo que, obrigatoriamente, saber dançar muito bem, até para compensar sua pouca voz.

Em Celeste há óbvios traços de Madonna, Britney Spears, Lady Gaga, Michael Jackson, entre outros astros da música pop/rock mundiais, mas tudo de forma bastante genérica. Na fase da adolescência, quando a estrela está em formação, ainda há maior profundidade em seu desenvolvimento psicológico, mas, na fase adulta, ela é apenas um arquétipo da “celebridade” altamente carismática.

O filme, dividido em “capítulos” – Gênesis, Regenêsis, Final – mostra-se muito mais um exercício de estilo do que uma obra compromissada em passar uma mensagem verdadeira.

Além da citada divisão, ainda há a narração em off do excelente Willem Dafoe; entretanto, tal recurso às vezes soa como uma estratégia “preguiçosa”, pois, acaba por preencher certas lacunas importantes da trajetória da personagem, que seriam interessantes para o público assistir ao invés de apenas “ficar sabendo”.

A direção faz referências ao cinema de Kubrick, de Spike Jonze (que é até citado nos créditos) e de outros diretores que possuem uma marca característica. Em razão disso, o design de produção, a montagem e a fotografia chegam a ser um primor. Contudo, quando isso não é posto a serviço da história que se conta, soa mais como um vício estilístico do que como um recurso narrativo. Parece que Brady Corbet, de apenas 30 anos de idade e realmente promissor, ficou mais preocupado em mostrar do que ele é capaz de fazer, esquecendo-se de conferir maior coesão à sua obra.

Foto: Divulgação

Por exemplo, por que ele opta em “narrar” fatos importantes da vida de Celeste, mas reproduz a cena de um tiroteio numa praia croata? Seria para demonstrar que tem talento para cenas de ação? Por que não inverter a situação, narrando o tiroteio e mostrando em tela fatos da vida da personagem?

Por fim, o filme termina com uma mensagem dúbia: o carisma compensa tudo (inclusive o talento)? A capacidade de provocar emoções justifica a perda da personalidade ou de si mesmo? A alegria escapista proporcionada por uma música/show encobre os dramas da vida?

Ao sair da sala de cinema, a impressão é a de que comemos um bolo maravilhoso de bonito, mas com muito glacê e pouca massa…

Há quem goste!

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Nota: 2,5 em 5 (regular)

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Sou um quarentão apaixonado pela cultura pop em geral. Adoro quadrinhos, filmes, séries, bons livros e música de qualidade. Pai de um lindo casal de filhos e ainda encantado por minha esposa, com quem já vivo há 19 bons anos, trabalho como Oficial de Justiça do TJMG, num país ainda repleto de injustiças. E creio na educação e na cultura como "salvação" para nossa sociedade!!

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