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Críticas

WENDELL & VINNIE | Um insulto aos “nerds”

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Salve, salve tripulantes!!! Aqueles que me conhecem, sabem que na equipe Nerdtrip sou considerado um ancião por ter passado dos 40 e por ser o mais velho do grupo. Mesmo assim, adoro filmes e séries infantis e nos últimos tempos tenho dedicado muito tempo a emissoras de TV como o “Nickelodeon”, o “Cartoon Network” e os vários canais da “Disney”.

É por isso que ao me deparar com essa série, que apesar de ter sido cancelada em sua primeira temporada continua a ser reprisada nas madrugadas de fim de semana da Nickelodeon, tive que fazer essa crítica.

“Wendell & Vinnie” estreou em 2013, teve apenas 20 episódios e foi cancelada por motivos que para mim parecem óbvios. O enredo trata de um rapaz chamado Vinnie, interpretado pelo ótimo Jerry Trainor, que aparentemente não faz nada da vida e que em uma reviravolta se vê como guardião legal de seu sobrinho pré-adolescente Wendell.

A sala do apartamento de Vinnie é fantástica. Sonho de todo o nerd, com miniaturas, posters, bustos, enfim, objetos típicos de colecionadores de cultura pop. O ator Jerry Trainor, particularmente me agrada. Aprecio seu trabalho desde que interpretava o personagem recorrente “Steve Doido” na antiga série de sucesso “Drake & Josh” e depois como o principal coadjuvante “Spencer Shay” na premiadíssima “I-Carly”. 

Já o sobrinho de quem Vinnie se torna o tutor, Wendell, interpretado por Buddy Handleson, é um super dotado. Inteligentíssimo, o típico nerd nota 10, que sempre se dá bem na vida acadêmica e sofre bullying das outras crianças. Os adjetivos “freak” e “looser” são os que o rapaz mais ouve na escola.

Até aí, tudo ok. Todos os elementos que uma série precisaria ter para agradar a comunidade nerd. Porém, o grande problema do programa é ter tentado dividir tais características entre os dois personagens privando o outro das mesmas. Explico: Vinnie, apesar de ser um colecionador de objetos de cultura pop e  também um grande entusiasta de HQs, filmes de ficção e terror, video games, etc…  é retratado como um cara tão burro quanto uma porta. Em inúmeros episódios, sua coleção é tratada como lixo e o personagem demonstra ter vergonha dela em determinados momentos como quando ele quer trazer uma namorada mais inteligente ao apartamento. A ausência de livros em sua moradia também é motivo de reclamação por parte de Wendell.

Wendell, apesar de tão culto, odeia filmes violentos, HQs, a coleção do tio, video games… Enfim, tudo que um verdadeiro nerd costuma cultuar. Esse traço arrogante da personalidade do personagem o torna extremamente irritante e detestável, o que não deveria acontecer em se tratando de um protagonista de série de humor.

A verdade é que o grande erro do criador  Jay Kogen foi tentar separar em dois personagens traços de personalidade que cabiam em apenas um. Mas não foi o único erro. As duas personagens coadjuvantes contribuem bastante para destruir o programa.

Wilma, a irmã mais velha de Vinnie interpretada Nycole Sullivan, é uma advogada de sucesso. Porém, isso é apenas um mero detalhe. O que parece importar, é que por ser gordinha e fora dos padrões de beleza, Wilma é amarga e depressiva. O tempo todo é retratada tentando arrumar namorados e sendo invariavelmente desprezada e chutada pelos homens. E exatamente por isso sente inveja e raiva da vizinha de Vinnie.

Haley Strode interpreta Taryn, a vizinha bonita e gostosa de Vinnie, que assim como ele é fútil e burra. Sempre de roupas curtas, atraí todos os homens que cruzam seu caminho, inclusive os pretendentes de Wilma, o que é o motivo de seu rancor.

Ou seja, temos uma serie infantil (não é a única) que ajuda a perpetuar o esterótipo de que apenas as mulheres bonitas e com o corpo sarado podem ter sucesso na vida em detrimento do estudo e da cultura.

Como serie de comédia, o programa as vezes consegue arrancar de mim algumas risadas. Mas no geral o que sinto ao assistir “Wendell & Vinnie” é irritação e indignação que só aumentam quando lembro que é voltada para o público infantil em um canal infantil. Como fã de Jerry Trainor fico triste ao ver que se meteu nessa furada. Espero que se de melhor nas próximas empreitadas.

Classificação:

 

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

Críticas

WESTWORLD | Estreia da segunda temporada – Episódio 01 – Crítica do Viajante

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Salve, salve tripulantes!!! Com o hiato de Star Trek: Discovery e de The Orville, estarei fazendo a crítica semanal de outra grande série de ficção atual: Westworld. Já deixo avisado que os textos podem conter SPOILERS. Dito isso, a continuação dessa leitura é por conta e risco do leitor.

Westworld estreou sua primeira temporada em outubro de 2016 e foi muita bem recebida por público e crítica. O enredo gira em torno de um gigantesco parque construído no meio de uma região desértica. Com a temática de faroeste, a atração contém centenas de andróides que simulam humanos e animais, e cuja programação é voltada totalmente para atender aos desejos de seus clientes, inclusive os mais sádicos e obscuros. Se o indivíduo é um psicopata com instintos de matar, torturar, estuprar ou destruir, ali é seu lugar. Em Westworld, todos esses “crimes” podem ser praticados, afinal são andróides sem inteligência ou vontade própria, apenas máquinas. Ou, pelo menos, era o que se pensava.

Os andróides, que são denominados “anfitriões” pela direção do parque, deveriam ter em suas programações narrativas com inúmeras variações para interagirem perfeitamente com os “convidados” (os clientes, em sua maioria milionários) independente do que esses fizerem. Porém, no transcorrer da primeira temporada, a mais antiga anfitriã de Westworld, Dolores (Evan Rachel Wood) através de uma código inplementado em seu cérebro artificial, adquire consciência própria e tem acesso às suas memórias completas (elas era apagadas diariamente) e acaba por comandar uma rebelião dos anfitriões. 

Por outro lado, outra anfitriã, a dona do prostíbulo de Westworld, Maeve (Thandie Newton), utilizando-se de outros meios (ela consegue coagir alguns dos funcionários humanos do parque) também consegue se libertar de sua programação comandando ao lado de outro andróide, Hector (Rodrigo Santoro), uma revolta paralela, essa dentro dos laboratórios do complexo. 

É nesse cenário de caos que se inicia a 2º temporada. Tanto nos laboratórios como no parque propriamente dito, vislumbramos corpos por todos os lados. Tanto de humanos quanto de anfitriões, em um retrato quase apocalíptico. Maeve tem um funcionário humano como refém e planeja, com sua ajuda, sair para o mundo real de vez. Já Dolores, ao lado de seu par romântico. o totalmente leal (por programação) vaqueiro Teddy (James Marsden), espalha sua vingança contra os humanos no parque, em atitude totalmente inversa á sua programação de origem que a tornava uma ingênua e otimista moça do campo. 

E auxiliando a equipe de segurança da Delos, empresa responsável pelo parque a tentar por ordem na casa, surge Bernard (Jeffrey Wright), que é o protagonista da série. Trata-se de um andróide que passou a vida inteira acreditando ser humano e trabalhando na manutenção e programação dos anfitriões. Ao final da primeira temporada, lhe foi revelada sua verdadeira origem, porém ninguém mais sabe disso. 

Devemos também nos lembrar que tudo não passa de um sutil plano do administrador Robert Ford (Anthony Hopkins) que planejou a própria morte no último episódio da temporada anterior, não sem antes introduzir uma nova e perigosa narrativa que retirou os protocolos que impediam os anfitriões de ferir ou matar humanos.

Por último, pudemos rever o personagem Homem de Preto (Ed Harris) que descobrimos ser a versão mais velha do jovem William (Jimmi Simpson), que outrora entrara em Westworld como convidado e que após se apaixonar pela anfitriã Dolores nunca mais deixou o parque perambulando por suas dependências como um velho cowboy. Sua aparição é rápida porém intrigante pelo fato de ele dialogar com um anfitrião criança que traz a voz de Ford e lhe avisa que a nova programação é um desafio a ele.

Na parte técnica, a segunda temporada não deixa nada a dever para a primeira. Os figurinos e cenários continuam impecáveis, assim como a ambientação externa e os efeitos especiais. Digno das produções da HBO que não abrem mão da qualidade visual.

O primeiro episódio foi morno, tratando-se apenas de uma reapresentação dos personagens e da trama após um ano e meio de hiato. É compreensível que isso ocorra e que nenhum fato mais relevante tenha ocorrido. Por isso mesmo não há muito o que falar sobre o mesmo. Tudo indica ser uma preparação para uma nova e instigante temporada onde, a julgar pelo material publicitário para o próximo episódio em que Maeve aparece vestida de samurai, iremos vislumbrar outras seções do parque que não a de faroeste. Além do shogunato japonês, que outros períodos históricos poderemos ter nessa segunda temporada de Westworld? E você, caro tripulante? O que gostaria de ver? Deixe sua opinião nos comentários.

Minha classificação leva em conta, como eu disse, a reapresentação ao público mas tenho certeza que subirá no decorrer da série:

 

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VERDADE OU DESAFIO | Crítica do Don Giovanni

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Jovens bonitos, lugares exóticos, curtição e hormônios a flor da pele, tudo isso regados a tequila, clichês e alguns sustos. Produzido pelo selo da Blumhouse  Productions  e distribuído pela Universal Pictures, a nova produção de suspense teen, dirigida por Jeffrey Clark Wadlow  (Kick-ass 2 – 2013) leva a tradicional e por que não “picante” brincadeira popular em todo mundo entre os adolescentes, as últimas consequências, quando um grupo de jovens ficam “presos” dentro de um interminável “jogo” macabro e sobrenatural de “Verdade ou desafio”.

Na trama, a jovem e centrada Olivia Barron, vivida pela atriz e cantora country Lucy Hale (Pretty Little Liars, Life Sentence) é convencida por seus amigos, a partir em uma viagem de despedida para a exótica cidade de Rosarito, no México. Chegando lá, Olivia acaba se envolvendo com um estranho, que os leva para dentro de um sobrenatural jogo de “verdade ou desafio”, onde uma entidade demoníaca começa a assombrá-los, matando  aqueles que se recusam a fazer os desafios, ou que respondem faltando com a verdade.

 

 

O primeiro ato da produção é recheado de clichês e alguns sustos infelizmente não funcionam, porém, o diretor consegue encontrar seu caminho a partir do segundo ato, onde o roteiro sabiamente,  aprofunda-se mais nos personagens, fazendo com que seus dilemas morais e pessoais, expostos na forma de “verdades” (segredos), sejam mais mortais e cortantes, que os “desafios” (consequências) impostos pela entidade.

Perto do terceiro ato, o diretor consegue criar uma atmosfera de tensão, que se estende até o final do filme, dando ares mais emocionantes a produção, que apesar de remeter a filmes como “Premonição”, pode agradar em cheio seu público alvo, por apresentar personagens de fácil identificação, com problemas reais relacionados a aceitação, fidelidade, homofobia, entre outros.

Lucy Hale, Violet Beane vivendo a melhor amiga de Olivia (Markie Cameron) e Hayden Szeto (Brad Chang), um jovem que esconde da família sua condição sexual, acabam se destacando entre os demais, por apresentarem dilemas e dramas mais pertinentes e profundos, que seus colegas de elenco.

Um filme que apesar do uso indiscriminado de clichês, consegue surpreender, tocando em assuntos polêmicos e problemas recorrentes do cotidiano dos adolescentes, fazendo com que o espectador se pergunte e se questione, sobre qual é a melhor escolha…

“Verdade ou desafio?”

 

 

Nota: 3/5

 

 

 

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TUDO QUE QUERO | Crítica do Don Giovanni

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Emocionalmente indo onde nenhum “Trekker” jamais esteve

 

A nova produção estrelada pela talentosa atriz Dakota Fanning (Chamas da Vingança, Guerra dos Mundos) além de abordar de forma emocional o drama de uma jovem portadora da síndrome de Asperger (distúrbio do desenvolvimento caracterizado por dificuldades significativas de interação social e comunicação não verbal) presenteia a comunidade “Trekker” com um drama que utiliza como pano de fundo, a série de TV mais importante do gênero SyFy.   

Na trama escrita por Michael Golamco e dirigida pelo diretor Polonês, naturalizado australiano Bem Lewin, somos apresentados a Wendy, uma jovem diagnosticada com a síndrome de Asperge (um tipo de autismo mais leve, que difere dos outros por apresentar aspectos de linguagem e inteligência relativamente normais) que vive em uma instituição, sonhando em se tornar uma roteirista de ficção científica. A cansativa e repetitiva vida da jovem muda de perspectiva, quando ela toma conhecimento de um concurso para roteiristas promovido pela Paramount Pictures sobre o universo de Star Trek.

 

 

Dakota Fanning, inteligentemente aposta em uma atuação mais contida, diferente do que estamos acostumados a ver na TV e no cinema, o que é perfeitamente pertinente e condizente com sua condição médica. Inevitavelmente, nerds, amantes da literatura, futuros escritores e por que não, sonhadores de um modo geral, irão se identificar imediatamente com a personagem, que encontra no “universo trekker”, um refúgio mágico para todos os problemas, percalços e desilusões da vida. Com uma determinação e um desejo quase “lógico”, Wendy, continua seguindo em frente, não importa o que aconteça.

As referências e homenagens ao universo de Star Trek, levarão muitos fãs as lágrimas, da mesma forma que todos os nerds e aqueles que são rotulados como diferentes, irão se emocionar ao se identificarem com inúmeras situações apresentados na produção. Todos nós em algum momento já nos sentimos excluídos, desnorteados, incompreendidos, questionando nossa sanidade e nosso lugar no mundo.

 

Um filme emocional, mágico e poderoso, que promove a inclusão e desperta no espectador um sentimento inspirador e desafiador, para audaciosamente ir onde nenhum homem jamais esteve.

 

 

P.S. 1 – O roteiro se baseia no fato real, de que as equipes de produção de Star Trek Deep Space Nine (1993-1999) e Star Trek Voyager (1995-2001) permitiram que escritores amadores enviassem roteiros de episódios para análise. Vários foram aprovados e usados ​​em ambas as séries.

P.S. 2 – A referência ao dialeto “Klingon”, que culminou em uma linda despedida, emocionante e peculiar, levaram-me as lágrimas. Um momento único.

Vida longa e próspera.

Nota: 4/5

 

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