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STAR TREK | Porque não seria uma boa ideia Tarantino dirigir um filme da franquia – Opinião do Viajante

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Em entrevista ao site Nerdist, o aclamadíssimo diretor Quentin Tarantino declarou que sim, encerrará a carreira depois de 10 filmes como sempre disse que faria, que o nono filme já está em produção e que gostaria de, pasmem amigos “trekkers”, dirigir um filme de Star Trek para fechar.

Como trekker e fã incondicional do diretor, a notícia me acertou como uma bomba. O que pensar de tão bizarra parceria, caso a mesma venha a ocorrer?

Sou fã de Star Trek desde criancinha, assistia a série clássica na TV ainda muito novo e o personagem do “Spock” me encantava, um personagem alienígena de orelhas pontudas. Confesso que não entendia muito bem as histórias, mas tinha meu “hóminho” do Spock e minha miniatura da “Enterprise“. Anos depois, já na fase dos longas da década de 80, comecei a realmente entender a mitologia da criação de Gene Rodenberry e minha paixão pela franquia aumentou. Com a série “Star Trek: The Next Generation” lançada em 1987, posso dizer que me tornei verdadeiramente um “trekker” e desde então assisti a tudo que foi lançado oficialmente pela franquia, além de algumas coisas realizadas por fãs.

Já Tarantino foi um coice em minha mente desde o primeiro filme, “Cães de Aluguel” de 1992 seguido daquele que ainda considero seu melhor filme, “Pulp Fiction” de 1994. As tramas muito bem costuradas e as vezes com tons de non-sense, aliadas à violência gratuita e explícita que faz jorrar sangue como eu nunca tinha visto na tela, me cativou imediatamente. Assisti a todos os filmes que dirigiu.

Diante de tudo isso, é natural que eu estivesse comemorando muito a declaração do diretor, certo? Mas não é bem assim. É como se dois de meus melhores amigos me anunciassem que iam se casar, porém eu sei que têm personalidades totalmente incompatíveis e que provavelmente o matrimônio está fadado ao fracasso completo. E pior, provavelmente vão acabar se odiando ao final do processo. E, obviamente, não quero ver meus amigos magoados, portanto me sinto no dever de alertá-los sobre o que consigo vislumbrar “de fora”.

Star Trek retrata um universo utópico futurista onde a violência é exceção. Outros valores mundanos como dinheiro e apego à posses egoístas e acumulativas também estão extintos.  A sociedade de Star Trek há muito deixou de sofrer por causa de males como fome, guerras e doenças (3 dos 4 cavaleiros do apocalipse) e vive em harmonia com o único objetivo de evoluir ainda mais utilizando como ferramentas a ciência e a exploração amigável e responsável (1º diretriz) do universo.

Já os personagens de Tarantino, são o completo oposto, não cabendo de maneira alguma no universo de Star Trek. São tipos violentos e cruéis, daqueles que não permitem que nada fiquem no caminho de seus interesses, incluindo aí a vida de seus semelhantes. As tramas de Tarantino sempre focam na luta extremamente egoísta por fama, dinheiro e poder. Em todos os seus longas, vemos espertalhões passando a perna uns aos outros, raramente temos um personagem altruísta e de coração nobre, e quando há um, provavelmente será o primeira a sofrer uma morte sangrenta e sádica. Não há espaço para pessoas bem intencionadas em sua obra.

Sinceramente não sei qual o grau de envolvimento de Tarantino com a mitologia de Star Trek. Acredito que talvez possa ser realmente um “trekker” de coração, e respeitar o universo que Rodenberry criou. Mas aí não seria um Tarantino legítimo, apenas um desperdício de seu talento, já que após esse longa (caso aconteça) irá se aposentar. Realmente não consigo imaginar “Samuel L. Jackson” com um uniforme da frota gritando “Motherfucker” dentro da ponte de comando de uma nave estelar de “Star Trek”. Assim sendo, prefiro que o filme não ocorra e que Tarantino finalize sua carreira com mais uma obra prima violenta e sanguinária onde sempre há o risco de se bater o recorde de mais “fucks” pronunciados em um só filme (recorde que se não me engano ainda pertence ao próprio Tarantino).

 

Jorge Obelix. Ancião do grupo, com milhares de anos de idade. Fã da DC Comics e maior conhecedor de Crise nas Infinitas Terras e Era de Prata do Universo. Grande fã de Nicholas Cage que acha que um filme sem ele nem pode ser considerado filme. Fã de Jeff Goldblum também, e seu maior sonho é ver ambos (Cage e Goldblum) contracenando.

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