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Análise

RESIDENT EVIL 4 | Análise do Viajante!

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As aparências enganam e a opinião popular também. Isso poderia ser aplicado a Resident Evil 4 (Biohazard 4, Capcom, Survival Horror, 2007-2008), afinal o game apela para ser um jogo de sobrevivência, mas com quase nada de horror.

Pra ir mais fundo no barraco, Resident Evil representa tudo o que as outras franquias no gênero de survival querem ser (com exceção de Silent Hill e agora The Evil Within), conseguir fãs em todo o mundo e atingir (apesar de tudo, graças a esse game) um público mais do que considerável. Porém, apesar de todo o hype e de ser querido dos fãs, RE4 é o mais fraco da franquia inteira. O porquê eu vou dizer a partir de agora.

Graficamente…é bonito

Tudo começou com o criador da franquia, o genial Shinji Mikami. Shinji tinha terminado os três primeiros jogos com a sua equipe (todos originalmente no PlayStation) e a partir do terceiro game (Nêmesis, apesar de muito aclamado, só fecha a “fase Racoon” a toque de caixa) ele precisava dar um up na série, por que afinal iria passar para uma outra plataforma (o PS2), para isso precisava modernizar a franquia. O primeiro escopo, mostrava um Leon (de ResidentEvil 2) em uma casa mal-assombrada, enfrentando um desafio parecido com Nêmesis (usando um gancho), parecia promissor, mas por algum motivo ou cargas d’água, mudaram tudo. E isso tem a ver com a saída de Shinji da Capcom, que aconteceu exatamente no término da produção do jogo.

O resultado disso, todos sabemos, Leon S. Kennedy se tornou um agente federal norte-americano e é mandado a um vilarejo na Espanha para investigar o sumiço da filha do presidente dos EUA (já começa aí, COMO isso aconteceu? Em momento NENHUM É MOSTRADO) por um grupo de cultistas fanáticos que se intitulam os Iluminados (qualquer menção aos Illuminati não é mera coincidência), ao chegar a tal vila, ai sim o lado Survivor se revela (a melhor parte do jogo) com uma comunidade que parece ter sido tomada pelo demônio, policiais são enforcados e estripados pelos próprios colonos e Leon tem seu primeiro momento de horror (destaca-se aqui o bom faro de Shinji e sua equipe). Até que um sino estranhíssimo toca e todos os moradores da vila são chamados para a hora do chá, eles simplesmente se reúnem em uma espécie de capela (há algumas críticas ao cristianismo escondidas no rodapé da produção).

Muitas criticas religiosas

A partir daí o jogo se foca em exploração e leva e traz de itens, como em qualquer RE. Aqui ainda estão presentes o sistema SnoopyDog de cura de personagens (as populares “ervas”, que são realmente marca registrada da franquia), com o adendo de caixas que podem ser quebradas para conseguir dinheiro e barras de ouro (e também ovos de cobra, ovos normais e por ai vai para recuperação de energia), o dinheiro leva uma das coisas mais nonsense mas mais amadas do jogo (mesmo que você não concorde, acaba se acostumando, já digo lá na frente). Quanto a história, pouco a se acrescentar. Leon irá enfrentar uma saraivada de gañados (os inimigos do jogo, pessoas infectadas com a bactéria chamada “Las Plagas”, uma espécie de simbionte não explicado que passa a controlar a vítima, isso que também a consome por dentro como um Alien), nesse meio tempo revelações aparecerão, como alguns aliados e inimigos (o cigano LuisSera e pessoas do passado de Leon, como o “Big Boss” que atende pelo nome de Krauser por exemplo, que chega a impressionar pela cópia descarada de Metal Gear Solid).

Mas eu não cheguei na parte pior. Pois o pior é o vilão Lord Saddler, (um cara que saiu do nada para o lugar nenhum!) e seu grupo de simbiotizados (incluindo o cara da serra elétrica que lembra o do Massacre e um gigante russo careca que usa um machado que realmente merece o posto de pior inimigo do jogo), que aparentemente fazem parte de um culto secreto que teria raízes no mundo todo…Mas onde foram parar as tais raízes? Sério, nem uma explicação decente para a tal bactéria (que acredito ser uma evolução do G-Virus ou T-Virus) existir, e detalhe EM LUGAR NENHUM…E acredite, fãs do jogo já tentaram me explicar os furos do roteiro…sem sucesso. Mas vamos falar do vilão certo? Saddler segundo conta é um hater dos EUA que tendo contato com a cultura americana resolveu retornar a sua comunidade e criou um culto, uma igreja, e de alguma forma conseguiu ter contato com a bactéria alien, se fundindo a ela (ao melhor estilo Albert Wesker nos jogos anteriores) e de alguma forma manteve suas memórias e idéias anti-ianques, o que levou a infectar toda a comunidade de seu culto E DE ALGUM MODO…não me pergunte como…sequestrar a filha do presidente dos EUA.

O sistema de jogo foi usado por muitos anos

O foda é que realmente parece que deu tudo errado. O tom é muito zoeira para um RE (sem sacar, as vezes parece um filme da Marvel), o vendedor de armas (seria da Al Quaeda?) é um show à parte, completamente nonsense, aparece nos lugares mais improváveis e tem um jargão tão característico que tira de vez qualquer seriedade do game, você fica o jogo inteiro tentando saber quem é, mas sem sucesso. Pior ainda é Sheryl, a filha do presidente e sua companheira na segunda parte pra frente, frágil, inútil (só serve para fazer você perder tempo e vidas salvando-a), acredite sua paciência será testada, com os berros de “Help” dela.

Assim pra terminar a resenha, devo dizer que nem tudo é terrível em RE4, na verdade o lado técnico salva o jogo. Por que realmente é muito bem feito (com exceção da mira laser inútil), não foi à toa que foi usado em todos os jogos desse para frente (até a mudança para primeira pessoa em RE7). Resident Evil 4 funciona se for jogado como uma história única e finita, pois os erros de roteiro (claramente de um jogo incompleto e entregue às pressas) impossibilitam qualquer continuação (somente a bactéria continua no seguinte), se você entrar no clima zoeira do jogo chega sim ser divertido, pois o jogo é longo (cerca de 45 a 60 horas) mas até que os eventos não deixam a peteca cair.

O tom de zoeira tira muito da tensão do game

O resto da história vocês sabem. Shinji saiu de mala e cuia e criou sua própria empresa, a Tango Softworks enquanto a Capcom seguiu em frente levando o que de bom o jogo tinha. Shinji demorou 5 anos e criou sua segunda obra prima…mas isso é assunto para outro dia.

Nota para o jogo: 3 / 5

E tô sendo bonzinho

 

O vídeo do que poderia ter sido o game:

O lobo da noite. O nerd caçador. Sou criador de páginas, nativo da internet desde a chegada no nosso país, músico, escritor e as vezes até poeta. Jogador nato, criado nos games do Atari aos 4K atuais. Também sou fã de literatura, rpg e cyberpunk.

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