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DC Comics

BATMAN R.I.P. | A última boa saga do Morcego nas HQs

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Engraçado que é difícil falar bem do morcego atualmente. Como eu pus no último post que fiz, sou um grande fã, mas a gente tem que reconhecer que a fase não tá boa há anos. Batman cresce muito nas sagas grandes (como a atual Dark Knights: Metal) mas tirando a emoção de ver o cruzado de capa com outros heróis DC, poucas coisas acabam por cair por exemplo em suas séries mensais, onde realmente as melhores histórias do detetive das trevas de Gotham são publicadas.

Horror Extra Dimensional

Hoje vou trazer a vocês a última grande saga do morcego. E para variar, uma que lida com os conceitos de morte, loucura, vingança e pela primeira vez apresenta um tom mais de religião. Estou falando de Batman R.I.P. (Batman: Descanse em Paz, Grant Morrison, 2010, Batman 676 a 683), que foi a saga talvez mais corajosa sobre o herói, delimitando talvez detalhes sobre como realmente funciona a psiquê do verdadeiro morcego, de uma maneira que talvez, somente O Longo Dia das Bruxas tenha mostrado.

Em RIP, o inimigo não é mais o Coringa, ou qualquer um dos terríveis adversários da galeria do Arkham. O algoz da vez se intitula Dr. Hurt, um aristocrata malvado e muito rico, que detém grande poder social e público, líder de uma organização (que faz a Liga das Corujas de Gotham parecer um grupo de crianças) chamada A Luva Negra. Hurt, possui seu próprio esquadrão, a Liga dos Vilões, todos baseados em lendas e histórias, e um pouco de cada, no Coringa. Todos são criações da mente consciente do inglês, que já havia os usado em 7 Soldados da Glória e em outras ocasiões.

Mas o interessante de Batman R.I.P. (spoilers a frente) é a história em si. Tudo começa na minisérie Batman & Filho (Batman and Son, um pouco antes da saga, que ganhou até filme em animação) que conta a história do romance entre Bruce e Talia Al Ghul, filha do cabeça de demônio Rás Al Ghul que (numa grande sacada de Morrison) trouxe uma consequência: um filho. O “toma que o filho é teu” dá um início nervoso a saga, com Bruce pra variar, tendo que lidar com um garoto (Damian Wayne, que viria a se tornar o novo Robin) de temperamento difícil e impetuoso, com uma sombra que começava a pairar em volta (A Luva Negra).

O estilo fodástico do tio Grant

A partir daí vemos um show de Morrison. Aos poucos Batman e Bruce começam a colidir, com o Coringa sendo dado como morto por tomar um tiro no meio da testa, e os muros de Gotham com estranhas pichações (ZURR – EN – ARRH), isso fora os apagões que começam a tomar conta do morcego. Hurt é um vilão como poucas vezes se viu, destruindo o Batman, pedaço por pedaço. Pra complicar ainda mais, além de todos os ataques a sua equipe (detalhe: o vilão não poupa ninguém, destroça de Batgirl a Jason e quase mata o Asa Noturna), Bruce é atacado em outra fonte, o amor. Jezebel Jet uma ruiva que aparece de repente e é exclusiva da saga, balança o coração do morcego. E claro, prejudica o seu julgamento. Terreno claro para uma organização maligna deitar e rolar. E é o que acontece.

Se você é fã do Batman, foi mal mas hoje eu tô a fim de te torturar. Grant destrói literalmente o personagem, o desconstruindo a cada quadrinho da saga. A coisa só não é pior por que o autor usa um estilo meio corrido de narrativa, desconstruído de próposito (se alguém quiser comparar o Bruce ao que Grant fez ao Scott, o Ciclope, em New X-Men, é por ai), Morrison é mestre em criar vilões, e mesmo que sua liga careça de intenções, Hurt e sua organização se tornam um pesadelo para Gotham a cada passo. Após darem um nó na mente de Bruce Wayne o vilão e sua trupe de aberrações invadem a batcaverna, e com uma sugestão hipnótica implantada na mente de Bruce (a palavra dos muros), fazem Batman cair.

A partir daí a coisa só fica pior, drogado e lançado nas ruas mais malcheirosas de Gotham (chega a lembrar Spawn em alguns momentos) completamente zureta, sem memórias e propositalmente quebrado psicologicamente, surge a força real do morcego. Utilizando a própria palavra gatilho Batman libera sua pior forma de consciência, o Batman de Zurr-En-Arrh, e investe contra seus inimigos com sua mente destroçada porém com uma violência nunca vista rs. É sério, a pala é tão pesada (imagine um Batman meio colorido, roxo, amarelo, vermelho e falando com um rádio!). Acontece que em meio a toda a programação mk (não estou de sacanagem) feita pela Luva Negra, o Cavaleiro das Trevas se liberta se entregando quase que praticamente a loucura, a viagem é tão grande que o próprio Coringa (vivo da silva), diz a ele que nunca o imaginou vestido de palhaço.

Hurt e os seus demônios

Eu só vou ficar devendo o final. Até pra vocês se interessarem e correrem atrás da saga. Mas entrego, depois dessa saga o morcego nunca mais foi o mesmo (infelizmente para pior), Batman R.I.P. coincide com os eventos de Crise Final e traz realmente um final dramático para o Cruzado de Capa, após o desaparecimento de Bruce Wayne, rolou a A Batalha pelo Capuz (Battle of the Cowl), uma boa saga que mostrou a luta por quem seria o substituto de Bruce, mas essa é assunto pra outro dia.

 

O lobo da noite. O nerd caçador. Sou criador de páginas, nativo da internet desde a chegada no nosso país, músico, escritor e as vezes até poeta. Jogador nato, criado nos games do Atari aos 4K atuais. Também sou fã de literatura, rpg e cyberpunk.

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